segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Divagações (II)

O amor é uma frase.

Talvez longa, talvez curta,
talvez concisa,
talvez prolixa.

Talvez bela,
talvez banal.

A única certeza no amor
é que começa com letra maiúscula
e termina com ponto final.

domingo, 7 de setembro de 2008

A moça e a rosa de papel

Um dia cairá do céu
numa cesta de vime e veludo
uma rosa feita de papel
para a moça do prédio do lado.

Uma rosa feita de papel
com um caule feito de arame
farpado e de papel crepom
nesse tom assim esverdeado.
Petalinhas de papel de seda
todas juntas num mesmo ponto
presas todas com durex
e um pouco de cola em bastão.

Essa rosa será fabricada
numa época de carnaval
por um santo de túnica azul
ou por Deus-Pai-Todo-Poderoso
ou talvez por um anjo rosado.
Ou será que fará o morcego
de asas muito negras e peludas
ou quem sabe ainda a coruja
que olha tudo em todo lugar?
Ou será que será a nuvem branca
que choverá só para despistar?
Ou será que será a estrela-d'alva
pouco antes de o dia raiar?

Sei que a rosa falsa cairá
numa cesta de vime e veludo
no colo dessa moça louca
que dança nua para o mundo
que quer tudo no lugar certo
mas repele tudo num segundo.

E quando a rosa falsa cair
parará o coração do mundo
o país inteiro calará
o prédio parará de baixo a cima
todo mundo quererá olhar
a rosa falsa escolher sua sina
cairá bem no colo da moça
a moça feita de métrica e rímel.