sábado, 27 de dezembro de 2008
Regret
I am lost in present as I lost past. Tried to maintain a fiery pursuit of a phantom joy. Tried to give birth to a brand new reality, tried to make it flourish, tried to make it strengthened. In vain. My core knew my veiled intention to flee. My mind had met my miserable despair for seeing her grace staying backwards, backwards...for I was stupid. If only could I see the road ahead, sloppily treated, which I myself frantically ran through, despite of all unexpected bumps and all undesired jumps and all predictable surprises, I would have detained myself, seated on the rocky floor beneath my worn-out heels and cried until I had found a fulfilling answer. I can't, despite of my gargantuan will, my gigantic will, my spared will. I was spared from the choice. During my stay at the ubiquitous crossroad, you chose my path. You led the way, and I have followed, blind, deaf and dumb. Nothing have I said. No words have I endeavored to stammer. I endured my voyage, yet so, with a soaring stare. With the conviction of a well-planned suicide. With the determination of a death condemnation. My damnation, my hell-diving adventurous journey, my mischievous, hopeless, infantile idea. May the moment in which I chose to hear the words you haven't pronounced be damned. May this love be damned. May this obsession be damned. Don't come to me ever again, here is my ultimate acknowledgement. All I want, prior to my final happiness, is the complete accomplishment of my insane desire for self-anihilation.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Poema nu
Acordo
nu
como vim ao mundo
nu
como fui ao fundo
nu
como vi o mundo
nu
como vi o fundo
do poço
e da moça
que como eu
nua
viu o mundo e o fundo
do poço
e a vontade do moço
eu
que só
queria seu mundo, seu fundo
e só
parecia estar com Deus e o mundo
mas só
estava com eu e o fundo
e a moça que
nua
gemia e tremia
e pedia
que não cessasse
e que um dia
não a abandonasse
em face
de uma outra face
que me mostrasse
um novo mundo
nu
e cru.
Acordo lembrando do tu
um apanhado de fala cabelo pele pele e cu
um corpo nu
em pelo
um corpo mudo
de tempero
um corpo tudo
de atropelo
um corpo apelo
pelo falo
já que mudo
só tem calo
e se tudo
cria calo
então me calo
porque na hora
não lembro
se falei
esse palavrão
ou aquele
se peguei na mão
ou na pele
se beijei a boca
se estava na toca
ou no mundo
ou na bunda
ou lá.
Sei que eu estando nu
agora nu
olho pro meu corpo nu
inteiro nu
e vejo por meu corpo nu
memória tu
sem glória tu
agora eu
sem tu sem nós
sem voz
tão pouco atroz pra ser algoz
não fui algoz
ó sicofanta de tremenda voz
fui pós
um amor que era fruta
tão oloroso como o olor da puta
e tão maduro como o suor da luta
do trabalhador da terra devoluta
um amor que era fruta
e de fruta que era
ficou boa e caiu.
Meu sexo perdeu o nexo
e me lembrou o amplexo!
e me lembrou do sexo
que foi a revelação do que pra mim era teu fim
não porque sim
mas porque coincidiu com o fim
o fim
passou
e depois de passar, ficou
porque o fim
passa e fica
num paradoxo pós-sexo
possesso mas
que pacifica
e na raiva
dentro da raiva onde tudo ferve
surge a pedra
e da pedra vem a cicatriz
porque vulcão
é cicatriz da pedra
e pedra
é consequência da perda
da raiva
da lava
que fervia
e agora
não ferve mais.
E mesmo sem ferver
pode ainda vir
e explodir
(vez em quando)
sem que isso
seja mostra
do fim do fim.
Acordo
nu
e nu
levanto
e nu
canto
num canto
nu
sem mais nenhum pranto
nu
nu e nu
bem nu
sem roupas
encantos
cuecas
ou recantos
memórias
escórias
meias ou glórias
camisetas, bocetas
sequóias que nunca vi
nu
sem nós que me prendam
sem nós que nos prendamos
sem nós
atados
sem pés
atados
sem mãos
dadas
sem nada
pois estou nu
e nu
é como está Deus
e nu
é como está o diabo
e nus
é como estão os fornicadores
e nus
estão todos os liquidificadores
e nus
estão os meninos de doze anos
porque é noite
e eles já devem estar na cama
e nus estão os bichos
e nu
estou eu
nu de fora
e nu
de dentro
porque tento
não ter por dentro nada
que me cubra do nada
pensar
nenhum amor
nenhuma dor
nenhuma cueca
boxer samba-canção ou daquelas que mamãe
nos compra, de uma feiura tocante
nenhuma meia
três quartos
estou nu
no meu apartamento de que sou herdeiro.
E moço
sou
e sempre acho que vi o mundo
e que vi o fundo
do poço
mas o poço
não tem fim
o buraco
nunca cabe em mim
e buraco é fundo
e fundas são as ideias
mas mais fundo é o buraco
o buraco e o beco
o buraco vazio
o buraco sem nada
o buraco vadio
a vadia essa fada.
(E antes que diga
a vadia sou eu
digo antes que não
que se diz que é vadia
quem o diz não sou eu.)
O buraco gostoso
que me abriga perfeito
esse já não existe
esse é já do meu corpo
cicatriz da atriz
do meu corpo que agora
é um palimpsesto
das memórias que tive
e que agora
me deixam
nu
nu
o buraco por dentro
a nudez por fora
o buraco passado
a nudez do agora
a nudez do passado
o buraco de agora
o buraco buraco
o vazio da hora
não tem nada por fora
não tem nada por dentro
porque o papel não tem fora
o papel não tem dentro.
Só sei que não tem nada em lugar nenhum
e acordei nu.
nu
como vim ao mundo
nu
como fui ao fundo
nu
como vi o mundo
nu
como vi o fundo
do poço
e da moça
que como eu
nua
viu o mundo e o fundo
do poço
e a vontade do moço
eu
que só
queria seu mundo, seu fundo
e só
parecia estar com Deus e o mundo
mas só
estava com eu e o fundo
e a moça que
nua
gemia e tremia
e pedia
que não cessasse
e que um dia
não a abandonasse
em face
de uma outra face
que me mostrasse
um novo mundo
nu
e cru.
Acordo lembrando do tu
um apanhado de fala cabelo pele pele e cu
um corpo nu
em pelo
um corpo mudo
de tempero
um corpo tudo
de atropelo
um corpo apelo
pelo falo
já que mudo
só tem calo
e se tudo
cria calo
então me calo
porque na hora
não lembro
se falei
esse palavrão
ou aquele
se peguei na mão
ou na pele
se beijei a boca
se estava na toca
ou no mundo
ou na bunda
ou lá.
Sei que eu estando nu
agora nu
olho pro meu corpo nu
inteiro nu
e vejo por meu corpo nu
memória tu
sem glória tu
agora eu
sem tu sem nós
sem voz
tão pouco atroz pra ser algoz
não fui algoz
ó sicofanta de tremenda voz
fui pós
um amor que era fruta
tão oloroso como o olor da puta
e tão maduro como o suor da luta
do trabalhador da terra devoluta
um amor que era fruta
e de fruta que era
ficou boa e caiu.
Meu sexo perdeu o nexo
e me lembrou o amplexo!
e me lembrou do sexo
que foi a revelação do que pra mim era teu fim
não porque sim
mas porque coincidiu com o fim
o fim
passou
e depois de passar, ficou
porque o fim
passa e fica
num paradoxo pós-sexo
possesso mas
que pacifica
e na raiva
dentro da raiva onde tudo ferve
surge a pedra
e da pedra vem a cicatriz
porque vulcão
é cicatriz da pedra
e pedra
é consequência da perda
da raiva
da lava
que fervia
e agora
não ferve mais.
E mesmo sem ferver
pode ainda vir
e explodir
(vez em quando)
sem que isso
seja mostra
do fim do fim.
Acordo
nu
e nu
levanto
e nu
canto
num canto
nu
sem mais nenhum pranto
nu
nu e nu
bem nu
sem roupas
encantos
cuecas
ou recantos
memórias
escórias
meias ou glórias
camisetas, bocetas
sequóias que nunca vi
nu
sem nós que me prendam
sem nós que nos prendamos
sem nós
atados
sem pés
atados
sem mãos
dadas
sem nada
pois estou nu
e nu
é como está Deus
e nu
é como está o diabo
e nus
é como estão os fornicadores
e nus
estão todos os liquidificadores
e nus
estão os meninos de doze anos
porque é noite
e eles já devem estar na cama
e nus estão os bichos
e nu
estou eu
nu de fora
e nu
de dentro
porque tento
não ter por dentro nada
que me cubra do nada
pensar
nenhum amor
nenhuma dor
nenhuma cueca
boxer samba-canção ou daquelas que mamãe
nos compra, de uma feiura tocante
nenhuma meia
três quartos
estou nu
no meu apartamento de que sou herdeiro.
E moço
sou
e sempre acho que vi o mundo
e que vi o fundo
do poço
mas o poço
não tem fim
o buraco
nunca cabe em mim
e buraco é fundo
e fundas são as ideias
mas mais fundo é o buraco
o buraco e o beco
o buraco vazio
o buraco sem nada
o buraco vadio
a vadia essa fada.
(E antes que diga
a vadia sou eu
digo antes que não
que se diz que é vadia
quem o diz não sou eu.)
O buraco gostoso
que me abriga perfeito
esse já não existe
esse é já do meu corpo
cicatriz da atriz
do meu corpo que agora
é um palimpsesto
das memórias que tive
e que agora
me deixam
nu
nu
o buraco por dentro
a nudez por fora
o buraco passado
a nudez do agora
a nudez do passado
o buraco de agora
o buraco buraco
o vazio da hora
não tem nada por fora
não tem nada por dentro
porque o papel não tem fora
o papel não tem dentro.
Só sei que não tem nada em lugar nenhum
e acordei nu.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Mote enfadado (II)
Sabe o que eu queria, leitor incauto?
Sabe o que eu queria no fundo de minhas ideias?
Queria um trema, uma porção de acentos agudos,
hifens no lugar certo,
e que essa porra dessa lua sumisse, evaporasse,
ou que simplesmente nunca houvesse existido.
Sabe o que eu queria no fundo de minhas ideias?
Queria um trema, uma porção de acentos agudos,
hifens no lugar certo,
e que essa porra dessa lua sumisse, evaporasse,
ou que simplesmente nunca houvesse existido.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
O chato excesso na esquina ou quando os sinos calam
Há um quê
de verdade maldita
em todo poema.
E, dita mal,
a verdade
não pode ser compreendida.
Há um quê
de amar desmedido
em todo escândalo.
Mas o sândalo
vagabundo da voz
não me agrada o olfato.
Há um quê
de perder pouco a pouco
em todo o seu medo.
O problema
é matar a paciência
de todo e qualquer Pedro.
de verdade maldita
em todo poema.
E, dita mal,
a verdade
não pode ser compreendida.
Há um quê
de amar desmedido
em todo escândalo.
Mas o sândalo
vagabundo da voz
não me agrada o olfato.
Há um quê
de perder pouco a pouco
em todo o seu medo.
O problema
é matar a paciência
de todo e qualquer Pedro.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
A saudosa rapsódia dos meus anos
A voz da cantora me canta
anacrônica há dez anos atrás.
O porta-retratos da sala
mostra meu infante sorriso sincero.
O gosto amargo do scotch
é prova implacável do agora
e da vinda veloz dos anos.
O filme que vi no cinema
há coisa de mais de uma década
passa seus frames no fundo de meus olhos.
Meu pai usa óculos para leitura
e seus poucos cabelos estão grisalhos.
Minha mãe já não convence
com seus vinte-e-nove anos.
Por trás de minhas costas
há o choro da mulher que a mim se apegou,
há um sonho frustrado,
há muita cachaça pra a dor
e muita risada pro pranto.
Há traições de amigos, que perdoei
e fingi que nada foram,
há um mil-réis de poesia,
que leio e releio achando ruim,
há paz toda noite ao dormir.
Há saudade do amigo distante
e alegria pelo que se reaproximou.
(Ô novembres ! étés ! cajous !
Epígrafes de meus dezoito anos!)
Com uma caneta em mãos, rezo preces
de gratidão, choro um pouco
de felicidade, sinto um saudosismo
que me toma devagar como uma carícia.
Uma carícia assim, meio mãe,
meio mulher, talvez.
anacrônica há dez anos atrás.
O porta-retratos da sala
mostra meu infante sorriso sincero.
O gosto amargo do scotch
é prova implacável do agora
e da vinda veloz dos anos.
O filme que vi no cinema
há coisa de mais de uma década
passa seus frames no fundo de meus olhos.
Meu pai usa óculos para leitura
e seus poucos cabelos estão grisalhos.
Minha mãe já não convence
com seus vinte-e-nove anos.
Por trás de minhas costas
há o choro da mulher que a mim se apegou,
há um sonho frustrado,
há muita cachaça pra a dor
e muita risada pro pranto.
Há traições de amigos, que perdoei
e fingi que nada foram,
há um mil-réis de poesia,
que leio e releio achando ruim,
há paz toda noite ao dormir.
Há saudade do amigo distante
e alegria pelo que se reaproximou.
(Ô novembres ! étés ! cajous !
Epígrafes de meus dezoito anos!)
Com uma caneta em mãos, rezo preces
de gratidão, choro um pouco
de felicidade, sinto um saudosismo
que me toma devagar como uma carícia.
Uma carícia assim, meio mãe,
meio mulher, talvez.
Novo Sputnik
Olhei para o céu
mas era lua nova
vi sputnik cinco
com dois cachorros dentro.
Os cachorros longe
os cachorros voam
cães em sputnik
e eu de pés no chão.
mas era lua nova
vi sputnik cinco
com dois cachorros dentro.
Os cachorros longe
os cachorros voam
cães em sputnik
e eu de pés no chão.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Poema arbóreo
Tenho meus pés fincados no chão
como raízes.
Conheço a terra em que me prendo
e o horizonte que observo.
Às vezes presto-me aos meus mais altos
delírios de fronde,
meus devaneios que vão longe com a brisa
e que espalham por aí
pequenos ideais que o vento faz flutuar.
Mas, veja bem,
mesmo com tanto devaneio que flutua,
mesmo com tanto delírio da mais alta fronde,
eu permaneço em meu velho horizonte
com meus pés fincados no chão
como raízes.
como raízes.
Conheço a terra em que me prendo
e o horizonte que observo.
Às vezes presto-me aos meus mais altos
delírios de fronde,
meus devaneios que vão longe com a brisa
e que espalham por aí
pequenos ideais que o vento faz flutuar.
Mas, veja bem,
mesmo com tanto devaneio que flutua,
mesmo com tanto delírio da mais alta fronde,
eu permaneço em meu velho horizonte
com meus pés fincados no chão
como raízes.
sábado, 11 de outubro de 2008
A mentira da poesia
Em poesia, advirto:
mentem as palavras.
A poesia é uma mãe que explica ao filho
de onde vêm os bebês.
A poesia é uma avó
que diz à mãe que a criança comeu tudo.
A poesia é um professor de sociologia
ensinando sobre Marx.
Em poesia, confesso,
mentem as palavras.
Mas são todas mentiras
muito boazinhas.
mentem as palavras.
A poesia é uma mãe que explica ao filho
de onde vêm os bebês.
A poesia é uma avó
que diz à mãe que a criança comeu tudo.
A poesia é um professor de sociologia
ensinando sobre Marx.
Em poesia, confesso,
mentem as palavras.
Mas são todas mentiras
muito boazinhas.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Prelúdio
Pele branca
cara pálida
maquiagem
delineando
em bem negro o
par de olhos
de palavras
que num átimo
mais que ótimo
surgiu rápido
(foi assim).
Anca magra
coxa rasa
sexo virgem
na volúpia
da primeira
noite lúbrica
maquiagem
tinta preta
tatuagem
sobre o branco
sem penugem
sem vertigem
sem coragem
cem vontades
escondidas
sob a cara
parte puta
parte cara
do seu nome
poesia.
cara pálida
maquiagem
delineando
em bem negro o
par de olhos
de palavras
que num átimo
mais que ótimo
surgiu rápido
(foi assim).
Anca magra
coxa rasa
sexo virgem
na volúpia
da primeira
noite lúbrica
maquiagem
tinta preta
tatuagem
sobre o branco
sem penugem
sem vertigem
sem coragem
cem vontades
escondidas
sob a cara
parte puta
parte cara
do seu nome
poesia.
Epistemologia do poema
Um homem tem um sério compromisso
com seus fracos barulhos.
É preciso que haja ouvido de coruja,
é preciso
que se cale o rádio e acenda a lua
que o respirar seja mais alto que o som chato da rua
para que se possa bem pensar.
Um poeta, um jazzista, uma puta
uma jovem silhueta fatigada pela luta
e uma leve gravidade
também têm um bom lugar.
(Mas cuidado, toda puta
deve chamar-se Amélie
e viver no Moulin Rouge
— ou outro bordel de Paris.)
Uma caneta tinteiro, um isqueiro,
um cinzeiro; pra completar,
um moleskine em branco
e paixões a dizer chega
mil! duas mil!
para anotar.
com seus fracos barulhos.
É preciso que haja ouvido de coruja,
é preciso
que se cale o rádio e acenda a lua
que o respirar seja mais alto que o som chato da rua
para que se possa bem pensar.
Um poeta, um jazzista, uma puta
uma jovem silhueta fatigada pela luta
e uma leve gravidade
também têm um bom lugar.
(Mas cuidado, toda puta
deve chamar-se Amélie
e viver no Moulin Rouge
— ou outro bordel de Paris.)
Uma caneta tinteiro, um isqueiro,
um cinzeiro; pra completar,
um moleskine em branco
e paixões a dizer chega
mil! duas mil!
para anotar.
Poética
Quando o campo se torna cidade
Quando a calma vira tempestade
Quando o amor se torna amizade
Quando a mágica vira verdade
Quando leio os versos de um Andrade
Ou as linhas de um marquês de Sade
Quando os olhos encontram a beldade
E o peito o peso da saudade
Se as mulheres estão sem vontade
E os velhos sem virilidade
Quando um homem perde a sanidade
E um outro se faz de covarde
Quando um jovem completa a idade
Quando um rei perde a majestade
Quando um rico finge caridade
Na orgânica solidariedade
Mão palavra poema passagem
E a trova vira trovoada.
Quando a calma vira tempestade
Quando o amor se torna amizade
Quando a mágica vira verdade
Quando leio os versos de um Andrade
Ou as linhas de um marquês de Sade
Quando os olhos encontram a beldade
E o peito o peso da saudade
Se as mulheres estão sem vontade
E os velhos sem virilidade
Quando um homem perde a sanidade
E um outro se faz de covarde
Quando um jovem completa a idade
Quando um rei perde a majestade
Quando um rico finge caridade
Na orgânica solidariedade
Mão palavra poema passagem
E a trova vira trovoada.
sábado, 4 de outubro de 2008
O dia seguinte
No dia seguinte, tudo mudou.
A maré, que era de sizígia
parou de encher, e não secou.
A lua, que se punha no oeste
se escondeu, e o sol, que vinha lento
apareceu pacato no horizonte.
Foi aí que tudo parou.
As tempestades e seus raios
se calaram, os maremotos
se acalmaram, os furacões
viraram brisa e o sono dos homens,
que era agitado e frágil,
caiu pesado sobre as pálpebras cansadas.
As prostitutas na esquina
viraram virgens,
e os ladrões encapuzados,
de palhaços,
alegraram a madrugada
e acordaram com apitos
todos os jovens daquele país.
O governo caiu em si
e promulgou sorrisos no diário oficial.
Os colibris, nas árvores,
cantaram o hino nacional.
No dia seguinte tudo mudou.
A lua deixou só um rastro de memória,
e os olhos dos homens se voltaram para a manhã
que o sol inundava de um amarelo encorajador.
A maré, que era de sizígia
parou de encher, e não secou.
A lua, que se punha no oeste
se escondeu, e o sol, que vinha lento
apareceu pacato no horizonte.
Foi aí que tudo parou.
As tempestades e seus raios
se calaram, os maremotos
se acalmaram, os furacões
viraram brisa e o sono dos homens,
que era agitado e frágil,
caiu pesado sobre as pálpebras cansadas.
As prostitutas na esquina
viraram virgens,
e os ladrões encapuzados,
de palhaços,
alegraram a madrugada
e acordaram com apitos
todos os jovens daquele país.
O governo caiu em si
e promulgou sorrisos no diário oficial.
Os colibris, nas árvores,
cantaram o hino nacional.
No dia seguinte tudo mudou.
A lua deixou só um rastro de memória,
e os olhos dos homens se voltaram para a manhã
que o sol inundava de um amarelo encorajador.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Divagações (II)
O amor é uma frase.
Talvez longa, talvez curta,
talvez concisa,
talvez prolixa.
Talvez bela,
talvez banal.
A única certeza no amor
é que começa com letra maiúscula
e termina com ponto final.
Talvez longa, talvez curta,
talvez concisa,
talvez prolixa.
Talvez bela,
talvez banal.
A única certeza no amor
é que começa com letra maiúscula
e termina com ponto final.
domingo, 7 de setembro de 2008
A moça e a rosa de papel
Um dia cairá do céu
numa cesta de vime e veludo
uma rosa feita de papel
para a moça do prédio do lado.
Uma rosa feita de papel
com um caule feito de arame
farpado e de papel crepom
nesse tom assim esverdeado.
Petalinhas de papel de seda
todas juntas num mesmo ponto
presas todas com durex
e um pouco de cola em bastão.
Essa rosa será fabricada
numa época de carnaval
por um santo de túnica azul
ou por Deus-Pai-Todo-Poderoso
ou talvez por um anjo rosado.
Ou será que fará o morcego
de asas muito negras e peludas
ou quem sabe ainda a coruja
que olha tudo em todo lugar?
Ou será que será a nuvem branca
que choverá só para despistar?
Ou será que será a estrela-d'alva
pouco antes de o dia raiar?
Sei que a rosa falsa cairá
numa cesta de vime e veludo
no colo dessa moça louca
que dança nua para o mundo
que quer tudo no lugar certo
mas repele tudo num segundo.
E quando a rosa falsa cair
parará o coração do mundo
o país inteiro calará
o prédio parará de baixo a cima
todo mundo quererá olhar
a rosa falsa escolher sua sina
cairá bem no colo da moça
a moça feita de métrica e rímel.
numa cesta de vime e veludo
uma rosa feita de papel
para a moça do prédio do lado.
Uma rosa feita de papel
com um caule feito de arame
farpado e de papel crepom
nesse tom assim esverdeado.
Petalinhas de papel de seda
todas juntas num mesmo ponto
presas todas com durex
e um pouco de cola em bastão.
Essa rosa será fabricada
numa época de carnaval
por um santo de túnica azul
ou por Deus-Pai-Todo-Poderoso
ou talvez por um anjo rosado.
Ou será que fará o morcego
de asas muito negras e peludas
ou quem sabe ainda a coruja
que olha tudo em todo lugar?
Ou será que será a nuvem branca
que choverá só para despistar?
Ou será que será a estrela-d'alva
pouco antes de o dia raiar?
Sei que a rosa falsa cairá
numa cesta de vime e veludo
no colo dessa moça louca
que dança nua para o mundo
que quer tudo no lugar certo
mas repele tudo num segundo.
E quando a rosa falsa cair
parará o coração do mundo
o país inteiro calará
o prédio parará de baixo a cima
todo mundo quererá olhar
a rosa falsa escolher sua sina
cairá bem no colo da moça
a moça feita de métrica e rímel.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Poema supérfluo
É aí que eu paro e penso
que não há ninguém no mundo
pra quem eu possa ser alguém
que lhe dê algo de novo
sou alguém além do povo
que prossegue e que sorri
eu sou mais como um estorvo
ou um diamante novo
para o colecionador
não sou centro nem recheio
sou o para o trigo o centeio
sou supérfluo, meu amor.
que não há ninguém no mundo
pra quem eu possa ser alguém
que lhe dê algo de novo
sou alguém além do povo
que prossegue e que sorri
eu sou mais como um estorvo
ou um diamante novo
para o colecionador
não sou centro nem recheio
sou o para o trigo o centeio
sou supérfluo, meu amor.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Vazio
Certa vez eu disse
amo você
e meu dizer foi só eco
do que você já dissera.
Logo um eco!
Logo o eco, que é a medida do abismo!
amo você
e meu dizer foi só eco
do que você já dissera.
Logo um eco!
Logo o eco, que é a medida do abismo!
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
A mulher na banheira
Ali, na sala de banhos, a mulher ouvia aquela canção no rádio, que vinha ondulando pelo ar frio da cidade lá fora, uma cidade que, malgrado toda a luz que lhe dava esse aspecto tão pomposo de uma cidade cheia de si, dormia com uma expressão tristonha sob suas pálpebras cerradas. A mulher nua pensativa na banheira fumegante, cuja água clara refletia a luz amarelada da luminária logo acima. Sob a água, via-se seu pescoço muito branco e fino, seus seios rígidos e pequenos, seu ventre absolutamente plano, seus braços lânguidos que acariciavam suas coxas magras e alvas, e, sob a água, seu sexo negro se destacava da brancura do seu corpo iluminada pela luz amarelada da luminária acima. Seus louros cabelos molhados desmanchavam um penteado que parecia ter sido feito com um esmero quase sobrenatural.
A mulher na banheira tinha uma expressão não se sabe se cansada, triste ou simplesmente pensativa, suas pálpebras pendiam sobre seus olhos castanhos, cílios longos escurecidos pelo rímel de algumas horas antes, maquiagem carregada, batom vermelho. Seu rosto parecia escutar atento àquelas notas que chegavam ondulando ao rádio do quarto ao lado, àquela voz feminina rouca na medida exata, e a fumaça do seu cigarro dançava lentamente ao som daquela música de depois do amor. Uma mão levando o cigarro da marca favorita à boca, outra mão acariciando os mamilos rijos e fazendo ondular a superfície da água acima. O olhar perdido e cansado da mulher na banheira eram a expressão mais externada do seu pensamento. O Sena estava calmo e não murmurava nada à lua no céu. A mulher na banheira ouvia a música, fumava o cigarro, acariciava seu corpo e pensava.
Pensava nas mãos que percorreram aqueles exatos caminhos em seu corpo minutos antes, pensava naqueles olhos escuros que a olharam com uma faísca que ela jurava ter visto lá no fundo. Lembrava e relembrava o modo como aquele homem a segurara para que não fugisse às suas carícias, recordava do modo como os dedos do seu amante deixaram marcas em suas costas brancas. O cigarro acabava entre seus dedos que pareciam não estar ali, mas ela não se deu conta. Só se fixa à memória do modo como ele tirara suas vestes de festa, de como selvagemente ele abrira sua própria camisa fazendo cair um botão a que ninguém deu importância. De como ele chamava por ela quando ela se desvencilhava de seus braços para tirar os lençóis de sobre a cama perfeitamente arrumada. A mulher nua na banheira não podia esquecer dos lugares por onde tinha passeado sua mão em uma dança ora doce, ora frenética há poucos minutos antes. Não podia parar de pensar no modo como ele a puxara para a cama que não havia sido aberta por completo, de como ele a tomara por assalto e do modo como ele a invadira, sem dó, sem valor, sem idéia, com apenas um pensamento fixo e permanente: tê-la para si naquele momento. Ela não podia esquecer os sons que preencheram seus ouvidos, as sensações que preencheram sua alma e os prazeres que preencheram seu corpo.
Relembrou, agora com um sorriso discreto em seus lábios vermelhos, do fim ofegante daquele espetáculo. Lembrou de como se deitara na cama e pusera sua cabeça sobre aquele homem, há pouco tão rijo e agora mortificado pelo cansaço que lhe trouxera o amor. Não sabia a mulher quanto tempo durara essa ordem estável em que permanecera junto do seu homem, junto da personificação de toda sua paixão acumulada pelos poucos anos e pela vasta experiência. A mulher, colocando o cigarro no cinzeiro que se encontrava ao lado da banheira, logo abaixo da luminária amarelada, lembra-se do momento em que seu amante se levanta, se veste e lhe diz: il faut que je te laisse, maintenant. Ela nada diz, só o observa nua na cama, lhe assiste sair do quarto ajeitando a gravata. Ainda sem nada dizer, levanta-se e vai para o banho.
A mulher na banheira pisca os olhos rapidamente três vezes, levanta-se e se envolve na toalha. Se enxuga sem pressa e segue para o espelho, onde retoca a maquiagem carregada. Depois de algum pensar, decide por soltar seus cabelos louros, o que lhe dá um ar infantilizado mas malicioso. Com um pouco de esforço, põe de volta o vestido e sai da sala de banhos em direção a seu quarto, onde o rádio ainda tocava aquelas canções tão em voga. Deitou-se na cama, acendeu outro cigarro. O rádio cantava je me fous du monde entier tant qu'l'amour inond'ra mes matins... Ela põe o cigarro no cinzeiro que havia no criado-mudo, onde estava o dinheiro que lhe deixara o homem que acabara de partir.
Fumou seu cigarro para esperar o próximo.
A mulher na banheira tinha uma expressão não se sabe se cansada, triste ou simplesmente pensativa, suas pálpebras pendiam sobre seus olhos castanhos, cílios longos escurecidos pelo rímel de algumas horas antes, maquiagem carregada, batom vermelho. Seu rosto parecia escutar atento àquelas notas que chegavam ondulando ao rádio do quarto ao lado, àquela voz feminina rouca na medida exata, e a fumaça do seu cigarro dançava lentamente ao som daquela música de depois do amor. Uma mão levando o cigarro da marca favorita à boca, outra mão acariciando os mamilos rijos e fazendo ondular a superfície da água acima. O olhar perdido e cansado da mulher na banheira eram a expressão mais externada do seu pensamento. O Sena estava calmo e não murmurava nada à lua no céu. A mulher na banheira ouvia a música, fumava o cigarro, acariciava seu corpo e pensava.
Pensava nas mãos que percorreram aqueles exatos caminhos em seu corpo minutos antes, pensava naqueles olhos escuros que a olharam com uma faísca que ela jurava ter visto lá no fundo. Lembrava e relembrava o modo como aquele homem a segurara para que não fugisse às suas carícias, recordava do modo como os dedos do seu amante deixaram marcas em suas costas brancas. O cigarro acabava entre seus dedos que pareciam não estar ali, mas ela não se deu conta. Só se fixa à memória do modo como ele tirara suas vestes de festa, de como selvagemente ele abrira sua própria camisa fazendo cair um botão a que ninguém deu importância. De como ele chamava por ela quando ela se desvencilhava de seus braços para tirar os lençóis de sobre a cama perfeitamente arrumada. A mulher nua na banheira não podia esquecer dos lugares por onde tinha passeado sua mão em uma dança ora doce, ora frenética há poucos minutos antes. Não podia parar de pensar no modo como ele a puxara para a cama que não havia sido aberta por completo, de como ele a tomara por assalto e do modo como ele a invadira, sem dó, sem valor, sem idéia, com apenas um pensamento fixo e permanente: tê-la para si naquele momento. Ela não podia esquecer os sons que preencheram seus ouvidos, as sensações que preencheram sua alma e os prazeres que preencheram seu corpo.
Relembrou, agora com um sorriso discreto em seus lábios vermelhos, do fim ofegante daquele espetáculo. Lembrou de como se deitara na cama e pusera sua cabeça sobre aquele homem, há pouco tão rijo e agora mortificado pelo cansaço que lhe trouxera o amor. Não sabia a mulher quanto tempo durara essa ordem estável em que permanecera junto do seu homem, junto da personificação de toda sua paixão acumulada pelos poucos anos e pela vasta experiência. A mulher, colocando o cigarro no cinzeiro que se encontrava ao lado da banheira, logo abaixo da luminária amarelada, lembra-se do momento em que seu amante se levanta, se veste e lhe diz: il faut que je te laisse, maintenant. Ela nada diz, só o observa nua na cama, lhe assiste sair do quarto ajeitando a gravata. Ainda sem nada dizer, levanta-se e vai para o banho.
A mulher na banheira pisca os olhos rapidamente três vezes, levanta-se e se envolve na toalha. Se enxuga sem pressa e segue para o espelho, onde retoca a maquiagem carregada. Depois de algum pensar, decide por soltar seus cabelos louros, o que lhe dá um ar infantilizado mas malicioso. Com um pouco de esforço, põe de volta o vestido e sai da sala de banhos em direção a seu quarto, onde o rádio ainda tocava aquelas canções tão em voga. Deitou-se na cama, acendeu outro cigarro. O rádio cantava je me fous du monde entier tant qu'l'amour inond'ra mes matins... Ela põe o cigarro no cinzeiro que havia no criado-mudo, onde estava o dinheiro que lhe deixara o homem que acabara de partir.
Fumou seu cigarro para esperar o próximo.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Sobre mim
Se for o sol satélite da Terra,
vou olhá-lo, pra ver até onde vai.
Vou prestar atenção nas andorinhas,
nas velhinhas, nos amantes de primeira viagem.
Preciso olhar o mundo sob a ótica serena do amor.
Preciso seguir lentamente para sentir o cheiro da flor
preciso colher a flor, preciso cheirar a flor,
preciso cuidar da flor e levar a flor pra ela.
Vou procurar a ficha da beleza no arquivo cinza dos dias nublados.
(Será que ela é inocente?)
Ela quer que eu fale e beije, falarei e beijarei
mais que se possa imaginar, serei um beijador incrível
e minhas conversas durarão horas e jamais serão enfadonhas.
Ela quer que eu diga eu amo você em todas as horas
em todos os lugares, por todos os caminhos e em todas as cadeiras
de todos os restaurantes e salas de aula e cinemas multiplex,
então direi, e não terá ainda sumido a marca que
minha fala deixará em seus ouvidos e eu já terei dito novamente.
Se for o mar o suor do amor entre a África e a América,
vou me banhar de suor, sempre que ela tiver aquele olhar diferente
e aquela carinha que ela reservou para poucos.
E buscarei no mar uma resposta exata para essa coisa humana
que é o amor, e não encontrarei, mas me permitirei
ingenuamente concluir apenas que o mar é enorme.
Não vou me culpar por não conseguir descrever o mar em poesia,
não vou tentar fazer mais grandes poemas, desisto,
a vontade de desistir diante da minha janela é arrebatadora demais.
Quero vê-la todos os dias entrando neste prédio,
pegando o elevador, apertando o catorze e se abrindo em amor gratuito.
Porque dela eu não desisto, não adianta, não importa o que aconteça.
Fossem tantas as decepções, as ofensas à minha virilidade,
as omissões da realidade, o sadismo, a loucura e a espera infinita,
eu teria dito basta e teria ido buscar outra alegria em outro lugar
talvez no continente, onde o mar não pudesse ser avistado
nem do ponto mais alto da torre de TV.
Se for a terra a prova da imortalidade dos que se foram,
terei menos medo do tempo, da fugacidade,
e jamais me deixarei apossar pelo efêmero.
Não terei mais pressa na vida, não correrei aos afazeres:
tenho mais dez anos e todas as vontades do mundo.
E ela virá comigo, espero, e estará comigo,
e me amará sem medo, me fará sorrir e me perguntará
o que você está olhando? já sabendo a resposta ensaiada.
Só é preciso que ela me olhe sempre do mesmo jeito
que me queira da mesma maneira, que ignore meus maus humores,
que acabe com minhas dúvidas sobre um futuro que abandonei
antes mesmo que pudesse ter a chance de existir.
Que esteja em casa quando eu ligar, que não me insulte
quando eu fizer um carinho bobo de namorado antes de desligar o telefone,
que abandone as prenoções dos amigos e me deixe amar
desse jeito, que nunca me fez e que eu nunca fiz tão bem.
vou olhá-lo, pra ver até onde vai.
Vou prestar atenção nas andorinhas,
nas velhinhas, nos amantes de primeira viagem.
Preciso olhar o mundo sob a ótica serena do amor.
Preciso seguir lentamente para sentir o cheiro da flor
preciso colher a flor, preciso cheirar a flor,
preciso cuidar da flor e levar a flor pra ela.
Vou procurar a ficha da beleza no arquivo cinza dos dias nublados.
(Será que ela é inocente?)
Ela quer que eu fale e beije, falarei e beijarei
mais que se possa imaginar, serei um beijador incrível
e minhas conversas durarão horas e jamais serão enfadonhas.
Ela quer que eu diga eu amo você em todas as horas
em todos os lugares, por todos os caminhos e em todas as cadeiras
de todos os restaurantes e salas de aula e cinemas multiplex,
então direi, e não terá ainda sumido a marca que
minha fala deixará em seus ouvidos e eu já terei dito novamente.
Se for o mar o suor do amor entre a África e a América,
vou me banhar de suor, sempre que ela tiver aquele olhar diferente
e aquela carinha que ela reservou para poucos.
E buscarei no mar uma resposta exata para essa coisa humana
que é o amor, e não encontrarei, mas me permitirei
ingenuamente concluir apenas que o mar é enorme.
Não vou me culpar por não conseguir descrever o mar em poesia,
não vou tentar fazer mais grandes poemas, desisto,
a vontade de desistir diante da minha janela é arrebatadora demais.
Quero vê-la todos os dias entrando neste prédio,
pegando o elevador, apertando o catorze e se abrindo em amor gratuito.
Porque dela eu não desisto, não adianta, não importa o que aconteça.
Fossem tantas as decepções, as ofensas à minha virilidade,
as omissões da realidade, o sadismo, a loucura e a espera infinita,
eu teria dito basta e teria ido buscar outra alegria em outro lugar
talvez no continente, onde o mar não pudesse ser avistado
nem do ponto mais alto da torre de TV.
Se for a terra a prova da imortalidade dos que se foram,
terei menos medo do tempo, da fugacidade,
e jamais me deixarei apossar pelo efêmero.
Não terei mais pressa na vida, não correrei aos afazeres:
tenho mais dez anos e todas as vontades do mundo.
E ela virá comigo, espero, e estará comigo,
e me amará sem medo, me fará sorrir e me perguntará
o que você está olhando? já sabendo a resposta ensaiada.
Só é preciso que ela me olhe sempre do mesmo jeito
que me queira da mesma maneira, que ignore meus maus humores,
que acabe com minhas dúvidas sobre um futuro que abandonei
antes mesmo que pudesse ter a chance de existir.
Que esteja em casa quando eu ligar, que não me insulte
quando eu fizer um carinho bobo de namorado antes de desligar o telefone,
que abandone as prenoções dos amigos e me deixe amar
desse jeito, que nunca me fez e que eu nunca fiz tão bem.
domingo, 20 de julho de 2008
Ex-poeta
Se esvaiu toda poesia.
Todos os versos escorreram
de-mo-ra-da-men-te
pelas minhas costas
e pela minha testa
e pelas minhas coxas.
Se esvaiu toda poesia:
estou tão feliz,
tanto,
tanto...
Todos os versos escorreram
de-mo-ra-da-men-te
pelas minhas costas
e pela minha testa
e pelas minhas coxas.
Se esvaiu toda poesia:
estou tão feliz,
tanto,
tanto...
sábado, 28 de junho de 2008
Sobrevoo de São Paulo
Monolito cobertura cinza
espalhado pela imensidão
desvairada pauliceia
podre e majestosa
prato imenso de carniça caviar.
Oca parque obelisco
concreto armado até os dentes
boca sóbria do carnaval
sem hábito, sem deus
hálito de smog
térmica e mágica invertidas
e a inexistência de um horizonte
que explodiria como bomba
ou adoeceria
como foie-gras.
espalhado pela imensidão
desvairada pauliceia
podre e majestosa
prato imenso de carniça caviar.
Oca parque obelisco
concreto armado até os dentes
boca sóbria do carnaval
sem hábito, sem deus
hálito de smog
térmica e mágica invertidas
e a inexistência de um horizonte
que explodiria como bomba
ou adoeceria
como foie-gras.
sábado, 14 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Pra não dizer que não falei das flores
E então ela me falou
com aquele olhar talvez ensaiado
aquele sorriso que é mais triste que muito pranto
e aquela maquiagem indefectível em seus olhos.
Eu a olhei e preferi calar.
Mal sabia ela que eu era um transeunte
que pára frente a um jardim cercado para olhar uma flor
que não pode colher para dar à sua.
Mal sabia ela que eu sou também estame
e podem vir mil passarinhos que permanecerei
a meu canto sem desperdiçar-me
às flores mais cheirosas e exuberantes.
Ela ignora minha natureza de antúrio
ela que é a orquídea mais bonita do jardim cercado.
Sua incoerência é fruto da maré, da lua, do âgon
não sei, prefiro não entender. Prefiro
antes carpear o meu diem porque a fonte seca
a fonte seca, a fonte seca, a fonte sexa
calada e incauta em meio à odisséia sideral.
Mas não.
Há sempre quem esteja à nossa espera,
há sempre a necessidade do compromisso da agenda,
há sempre o olhar dos bêbados da festa
e há sempre a flor do jardim cercado
em meio à cidade.
com aquele olhar talvez ensaiado
aquele sorriso que é mais triste que muito pranto
e aquela maquiagem indefectível em seus olhos.
Eu a olhei e preferi calar.
Mal sabia ela que eu era um transeunte
que pára frente a um jardim cercado para olhar uma flor
que não pode colher para dar à sua.
Mal sabia ela que eu sou também estame
e podem vir mil passarinhos que permanecerei
a meu canto sem desperdiçar-me
às flores mais cheirosas e exuberantes.
Ela ignora minha natureza de antúrio
ela que é a orquídea mais bonita do jardim cercado.
Sua incoerência é fruto da maré, da lua, do âgon
não sei, prefiro não entender. Prefiro
antes carpear o meu diem porque a fonte seca
a fonte seca, a fonte seca, a fonte sexa
calada e incauta em meio à odisséia sideral.
Mas não.
Há sempre quem esteja à nossa espera,
há sempre a necessidade do compromisso da agenda,
há sempre o olhar dos bêbados da festa
e há sempre a flor do jardim cercado
em meio à cidade.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Resposta
Olha aqui, amor
eu te quero sim
não vou me importar
se quiseres ir
sei que não sou quem
você sempre quis
onde foi que eu fui
meter o nariz?
nunca fui aquele
que te fez feliz
nunca fui aquele
que te satisfez
fiz tudo o que pude
pude o que eu fiz
mas se fores mesmo
procurar a esmo
um amor que valha
o que foi pra mim
peço que me avise
vou-me, sim, sem crise
sou calado assim
pego meus poemas
minhas coisas pequenas
saio por aí
sei que não encontro
ninguém igual a ti
mas não vale a pena
ficar com a pequena
que não olhar pra mim
se for essa a pena
confesso que aceito
sem raiva no fim
sem ressentimento
sem nenhum lamento
que se expresse em mim
mas, minha linda minha
enquanto procuras
deixa que eu fique
te abraçando assim
sei que tu me sentes
mesmo que não tentes
se prender a mim
deixa que eu beba
desse amor o resto
que sobrou em nós
pois, quando acaba
não resta mais nada
só saudade, e fim.
eu te quero sim
não vou me importar
se quiseres ir
sei que não sou quem
você sempre quis
onde foi que eu fui
meter o nariz?
nunca fui aquele
que te fez feliz
nunca fui aquele
que te satisfez
fiz tudo o que pude
pude o que eu fiz
mas se fores mesmo
procurar a esmo
um amor que valha
o que foi pra mim
peço que me avise
vou-me, sim, sem crise
sou calado assim
pego meus poemas
minhas coisas pequenas
saio por aí
sei que não encontro
ninguém igual a ti
mas não vale a pena
ficar com a pequena
que não olhar pra mim
se for essa a pena
confesso que aceito
sem raiva no fim
sem ressentimento
sem nenhum lamento
que se expresse em mim
mas, minha linda minha
enquanto procuras
deixa que eu fique
te abraçando assim
sei que tu me sentes
mesmo que não tentes
se prender a mim
deixa que eu beba
desse amor o resto
que sobrou em nós
pois, quando acaba
não resta mais nada
só saudade, e fim.
Pergunta
Olhe aqui, amor
não me olhe assim
pois se vier alguém
me levar consigo
não hesito, vou
não olho pra trás
vejo-o como amigo
não te beijo mais
não que eu seja assim
feito leva-e-traz
não que eu mude assim
minhas idéias más
mas se acaso um fim
se apossar de mim
me despedirei
e desprenderei
da tua rocha assim
sou um barco a vela
não sou mais donzela
nem flor de jasmim
mas se queres pôr
por tua conta e risco
faça alguma arte
desse meu rabisco
se quiseres vir
à beira do abismo
se quiseres pôr
a arma na testa
e botar meu dedo
puxando o gatilho
se quiser sofrer
quando eu for um dia
muito de repente
se quiser dormir
com amante fria
venha e não mais pense
cale e consinta
beije simplesmente
sobretudo sinta
mate-me os músculos
lamba-me sem cálculos
olhe-me sem mágica
mas quando vier
um amor qualquer
meu querido, peço
deixe-me, sem mágoa.
não me olhe assim
pois se vier alguém
me levar consigo
não hesito, vou
não olho pra trás
vejo-o como amigo
não te beijo mais
não que eu seja assim
feito leva-e-traz
não que eu mude assim
minhas idéias más
mas se acaso um fim
se apossar de mim
me despedirei
e desprenderei
da tua rocha assim
sou um barco a vela
não sou mais donzela
nem flor de jasmim
mas se queres pôr
por tua conta e risco
faça alguma arte
desse meu rabisco
se quiseres vir
à beira do abismo
se quiseres pôr
a arma na testa
e botar meu dedo
puxando o gatilho
se quiser sofrer
quando eu for um dia
muito de repente
se quiser dormir
com amante fria
venha e não mais pense
cale e consinta
beije simplesmente
sobretudo sinta
mate-me os músculos
lamba-me sem cálculos
olhe-me sem mágica
mas quando vier
um amor qualquer
meu querido, peço
deixe-me, sem mágoa.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
O chumbo das horas chãs
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
A lucidez da manhã
é opaca como uma rocha.
Meus olhos estão opacos
mas sonham refletir luz.
A luz na translucidez
não morre mas se transforma.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Tudo está em seu lugar
e a neblina cobre tudo.
Meus olhos estão opacos
mas brilham pela transluz.
a boca que nunca fala
termina esse mau bocejo.
A água cai do chuveiro
e os olhos enchem de luz
a água não mata a luz
mas a luz quase se afoga.
A neblina cobre tudo
que está em seu lugar.
Não há antes nem futuro
não há lua sobre o mar.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Estou lúcido e não durmo
mas o sono me quer morto.
Não há fantasma nem mácula
na lucidez da manhã.
Há o riso de marina
e o não-riso de matheus
eu não sei que tenho eu
quando tudo me domina.
O presente não me solta
e essa luz tudo ilumina
há o não riso de matheus
e o sorriso de marina.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Os fantasmas do futuro
deixam opaco o amanhã.
A manhã apaga tudo
de vestalino ou malsão.
Foge pedro, pedro, pedro
vai pro mundo da ilusão.
Translúcido e marfilino
surge o mármore dos céus.
As negras que já vêm vindo
balançam suas ancas pobres
chegam muito sorrateiras
com seu cheiro de café.
Mas a névoa cobre tudo
que há no chumbo das horas
o estofo do rio Sergipe
quase grita de tão mudo.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Morre de asma o trem
que não pode mais marchar
meus olhos quase se fecham
mas não posso mais fechá-los.
Sou moreno de olhos pretos
mas não os posso fechar.
Os postes se apagam mortos
e quero dormir com eles.
O amanhã é hoje agora
e se põe já bem translúcido
estou lúcido por fora
mas quero a cama pagã
Quero fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Quebro o crânio do granito
vou viver a vida vã.
lucidez dessa manhã.
A lucidez da manhã
é opaca como uma rocha.
Meus olhos estão opacos
mas sonham refletir luz.
A luz na translucidez
não morre mas se transforma.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Tudo está em seu lugar
e a neblina cobre tudo.
Meus olhos estão opacos
mas brilham pela transluz.
a boca que nunca fala
termina esse mau bocejo.
A água cai do chuveiro
e os olhos enchem de luz
a água não mata a luz
mas a luz quase se afoga.
A neblina cobre tudo
que está em seu lugar.
Não há antes nem futuro
não há lua sobre o mar.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Estou lúcido e não durmo
mas o sono me quer morto.
Não há fantasma nem mácula
na lucidez da manhã.
Há o riso de marina
e o não-riso de matheus
eu não sei que tenho eu
quando tudo me domina.
O presente não me solta
e essa luz tudo ilumina
há o não riso de matheus
e o sorriso de marina.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Os fantasmas do futuro
deixam opaco o amanhã.
A manhã apaga tudo
de vestalino ou malsão.
Foge pedro, pedro, pedro
vai pro mundo da ilusão.
Translúcido e marfilino
surge o mármore dos céus.
As negras que já vêm vindo
balançam suas ancas pobres
chegam muito sorrateiras
com seu cheiro de café.
Mas a névoa cobre tudo
que há no chumbo das horas
o estofo do rio Sergipe
quase grita de tão mudo.
Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Morre de asma o trem
que não pode mais marchar
meus olhos quase se fecham
mas não posso mais fechá-los.
Sou moreno de olhos pretos
mas não os posso fechar.
Os postes se apagam mortos
e quero dormir com eles.
O amanhã é hoje agora
e se põe já bem translúcido
estou lúcido por fora
mas quero a cama pagã
Quero fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Quebro o crânio do granito
vou viver a vida vã.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Sorriso
É manhã de Natal.
Sinto uma velha pulsação infantil.
Os presentes estão sob a árvore.
Vou buscá-los.
É manhã de Natal, é manhã de Natal, amor...
Sinto uma velha pulsação infantil.
Os presentes estão sob a árvore.
Vou buscá-los.
É manhã de Natal, é manhã de Natal, amor...
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Soneto Incondicional
Não preciso de certezas vãs
Nem de flores no asfalto duro
Sou uma pedra sem uma alma irmã
Vivo inerte no meu solo impuro.
Sou conciso como um deus que cria
Da perjúria não me agrada o ouvido
Vivo agoras que se querem grandes
Mas que passam sempre num estalido.
Sou um preciso e forte atirador
E a dor compreendo: fim da sanha
Um orgasmo do punhal do agora
Serei então fiel à sua dor
Pois estou doendo a escara ganha
Faca eterna na forja da hora.
Nem de flores no asfalto duro
Sou uma pedra sem uma alma irmã
Vivo inerte no meu solo impuro.
Sou conciso como um deus que cria
Da perjúria não me agrada o ouvido
Vivo agoras que se querem grandes
Mas que passam sempre num estalido.
Sou um preciso e forte atirador
E a dor compreendo: fim da sanha
Um orgasmo do punhal do agora
Serei então fiel à sua dor
Pois estou doendo a escara ganha
Faca eterna na forja da hora.
domingo, 13 de abril de 2008
Poema de mão pequena
Se ao menos me entendesse
Se meu medo fosse pouco
Se uma lágrima prendesse
Sem fazer nenhum esforço
Mas eu forço e não consigo
E procuro algum amigo
Choro rouco, canto triste
Com cara de susto estúpido.
Seja estúpido, o que seja
Mas não seja só o que veja
Só o que creia ou que anseia
Sou pirata, não sereia
Não me atrevo a entrar na mata
Pois as árvores têm dentes
Não me importa estar contente
Se o dia-a-dia me mata
Sou retrato, sou sandía
Com olhos de fria prata.
Rio quando quero rir
Choro quando é pra chorar
Tenho ganas de partir
Sem ter hora pra voltar.
Tenho ganas de partir
Sem nunca me despedir
Pois não partirei daqui
Mas já não estarei lá
Sou o mundo, sou o mar
Sou do mundo onde ele vá
Sinto o raso do meu fundo
Sempre fundo a me matar
Sinto o grande do meu mundo
Que só quer me sufocar
Mundo faca, faca mundo
Se o corte fosse fundo
Talvez fosse solução
Mundo corte, corte mundo
Não fure meu coração.
Se meu medo fosse pouco
Se uma lágrima prendesse
Sem fazer nenhum esforço
Mas eu forço e não consigo
E procuro algum amigo
Choro rouco, canto triste
Com cara de susto estúpido.
Seja estúpido, o que seja
Mas não seja só o que veja
Só o que creia ou que anseia
Sou pirata, não sereia
Não me atrevo a entrar na mata
Pois as árvores têm dentes
Não me importa estar contente
Se o dia-a-dia me mata
Sou retrato, sou sandía
Com olhos de fria prata.
Rio quando quero rir
Choro quando é pra chorar
Tenho ganas de partir
Sem ter hora pra voltar.
Tenho ganas de partir
Sem nunca me despedir
Pois não partirei daqui
Mas já não estarei lá
Sou o mundo, sou o mar
Sou do mundo onde ele vá
Sinto o raso do meu fundo
Sempre fundo a me matar
Sinto o grande do meu mundo
Que só quer me sufocar
Mundo faca, faca mundo
Se o corte fosse fundo
Talvez fosse solução
Mundo corte, corte mundo
Não fure meu coração.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Saudade
Amo há tão muito tempo
Minha esposa e meus filhos
Mesmo que o tempo ainda
Não mos tenha ainda dado.
Se sou louco ou sou lírico
Ou se doido varrido
Não me cabe sabê-lo
Ou tentar entender.
Sei que sinto verdades
E maldade seria
Tentar vir me calar.
Pois que me calem a boca
Sua poesia pouca
Não pode me matar.
Minha esposa e meus filhos
Mesmo que o tempo ainda
Não mos tenha ainda dado.
Se sou louco ou sou lírico
Ou se doido varrido
Não me cabe sabê-lo
Ou tentar entender.
Sei que sinto verdades
E maldade seria
Tentar vir me calar.
Pois que me calem a boca
Sua poesia pouca
Não pode me matar.
sábado, 5 de abril de 2008
Poeminha de pudor
Diga, linda, que te traz tão longe?
Uma dor-de-dente dos diabos.
Mas aqui não há nenhum dentista!
Mas cá passo na estrada longa.
Linda minha, não estás mentindo?
Se estivesse já o teria beijado.
Mas minha linda minha, beije logo!
E a conversa aí tinha acabado.
Uma dor-de-dente dos diabos.
Mas aqui não há nenhum dentista!
Mas cá passo na estrada longa.
Linda minha, não estás mentindo?
Se estivesse já o teria beijado.
Mas minha linda minha, beije logo!
E a conversa aí tinha acabado.
quinta-feira, 27 de março de 2008
La Bonheur et la Vergogne
Et donc je me souviens (je suis un petit monde de memoires quand les nuages couvrent le ciel qui était bleu) du temps où je pouvais te regarder sans rencontrer tes yeux que, maintenant, ne me laissent nul espoir. Je me sens comme un enfant chevalier, un garçon qui peut seulement voir sa princesse mais qui ne peut pas la toucher. Le bavard qui souriait fut tué. L'azur qui venait du ciel et de la mer disparut. Ma langue maternelle me laissa seul avec la musique que je joue avec ma vieille guitarre, tout seul, tout seul, parce que la beautesse de la lune est maintenant couverte par les nuages qui ne passent plus. Une autre fois, je devins un petit garçon innocent qui ne sait rien sur le sentiment le plus pur et terrible comme une bête feroce qui dors dans le bois. Je ne veut qu'un bonheur, je ne veux qu'un baiser, je ne veux qu'une vie entière avec elle. Je ne suis guère exigeant, ou naïf. Tout ce que je veux est la plus belle, la plus simple et la plus amoureuse façon de la même très pure amitié, dont je suis vraiment fier et vraiment honteux.
terça-feira, 25 de março de 2008
Poema Infinito
E também, na luz difusa do fim da tarde
eu me lembrei de você.
Sozinho.
Sob o azul.
Lembrei do que passamos
Lembrei dos inícios, lembrei dos finais
Lembrei do amor preso ao papel e à poesia:
Lembrei de nós.
Seria egoísta dizer que fui o grande íntimo da noite:
Você foi a grande íntima da noite junto comigo
Ninguém conhece a noite como nós conhecemos
Nós somos filhos da noite
E nós somos irmãos dela.
Olhe bem nos meus olhos
Olhe e tente ver o que há dentro de mim.
Sua distância me corrói e me alimenta por dentro.
Sou um grande ciclo vicioso.
Quero
Quero muito
Quero agora
E quero sempre.
Que venha, faça, viva, sonhe,
Grite
Cale
Chore
Mas que venha
E que se deixe estar ao meu lado.
Me deixarei estar ao seu lado também.
E que muitos azuis do fim do solstício do inverno
Presenciem a nossa longa jornada
Rumo, talvez, ao nada.
Ao nada infinito de nós dois.
eu me lembrei de você.
Sozinho.
Sob o azul.
Lembrei do que passamos
Lembrei dos inícios, lembrei dos finais
Lembrei do amor preso ao papel e à poesia:
Lembrei de nós.
Seria egoísta dizer que fui o grande íntimo da noite:
Você foi a grande íntima da noite junto comigo
Ninguém conhece a noite como nós conhecemos
Nós somos filhos da noite
E nós somos irmãos dela.
Olhe bem nos meus olhos
Olhe e tente ver o que há dentro de mim.
Sua distância me corrói e me alimenta por dentro.
Sou um grande ciclo vicioso.
Quero
Quero muito
Quero agora
E quero sempre.
Que venha, faça, viva, sonhe,
Grite
Cale
Chore
Mas que venha
E que se deixe estar ao meu lado.
Me deixarei estar ao seu lado também.
E que muitos azuis do fim do solstício do inverno
Presenciem a nossa longa jornada
Rumo, talvez, ao nada.
Ao nada infinito de nós dois.
terça-feira, 18 de março de 2008
Poemeto do Planalto Central
Mas eis que sopra aquele ventinho
e espanta minha ansiedade sem sentido!
Sopra vento, sopra vento
se congela e faz momento!
e espanta minha ansiedade sem sentido!
Sopra vento, sopra vento
se congela e faz momento!
A calmaria dentro do labirinto
"Sou um meigo energúmeno"
(Vinicius de Moraes)
Livre de cortes de vidro
limpo de marcas de ferro
com a cabeça erguida de resignação
venho mostrar um olhar
simples, enorme e silencioso
como um templo em ruínas.
Vejo tudo o que desejo ver
dedos movendo-se ágeis como água do rio
lábios crispando-se por um beijo inocente
semblantes dissimulados mas lindos
olhares sinceros eternamente em preto e branco
e eternamente vivos sobre o papel escondido.
Os narizes quase se tocando
como narcisos sobre o espelho d'água:
como querer fim à cena?
ai de mim!
O peso mais pesado de um sim.
Há pios perto de onde há flores
e latidos nos gramados
uma canção vem de lá de dentro
eu ouço e sei.
Está tudo calmo demais
longe da capital federal.
Eu poderia jurar que o tempo está parado.
Umbucajás tombam de par em par:
como-os sem pudor.
Mangas caem também,
mas são demasiado opulentas.
Quero uma fruta pequena
dê-me um manjelão gordo
um tamarindo sem casca
quero algo simples
Meu império por um mergulho
na hora parada do Vaza-Barris!
Seguirei o sangue de Conselheiro
só para passar o tempo.
Deus! Onde foram janeiro e fevereiro!
Diga-me que já voltam...
O pescador de canoa prevê a vinda de março
fugindo com seu remo, seu sovaco suado,
seus siris desenganados.
Lá vem a maré de março, que calor!
Será que vai chover quando vier a pré-bonança?
Um espinho afaga minha derme
um mosquito quer o sangue do meu pé,
me deixa um calombinho de presente.
Alguém apareça para coçar minhas costas!
Ninguém diga nada
mas roubei o caderno do meu irmão
para escrever intimidade
tomara que ele não acorde.
De onde vem esse gosto de vinho?
Será que já é domingo?
A tevê está fora do ar.
Será que ela já dormiu?
Ah, interesse-se menos.
Que faria Ovídio?
Que pensaria Rimbaud?
Vinicius, volte...
Contemplo o tempo que com o tempo passa
Será a saudade o efeito doppler do tempo?
Talvez eu fosse mais feliz
no tempo em que não havia nós,
só contemplação:
distância
ausência
era uma calmaria só!
Eu não era nenhum vândalo da língua
e escândalo era uma paixão platônica
percebi que o muro que isola
é o mesmo que protege.
A bebida que aquece
é a mesma que embriaga
hoje eu durmo sóbrio como um ensandecido.
Nessa calmaria em que me encontro
lembrei-me de uma velha inocência
em relação ao sexo oposto.
Amigo, responda sincero:
era eu mais feliz?
Pequena, não fale nada
suas palavras atraem a trovoada.
O poema não seria o poema
se eu tivesse ficado em Aracaju.
Talvez fosse outro, mas não este.
Pixinguinha não haveria
nada de ecos de Peninha
Caetano calado seria um ídolo num nicho.
Haveria calmaria?
Devia ter-me ido quando pude?
Retorno a vinte-e-seis de janeiro de 2006.
Àquela canção em meus ouvidos.
Talvez eu não a conhecesse
armadilha de uma vênus ardilosa.
Caí por onde Bandeira e Cabral pisaram os pés.
Vejo-me hoje a léguas: vejo o mar.
Vejo o mar quando o mar é o que ela quer longe.
Nunca consegui fugir do mar
o mar jamais abandonei como sua família.
Meu coração é um livro de Joyce.
Não posso puxar pelo braço.
Calmaria.
Ela é maior que eu.
Ela é maior que eu, e eu não consigo alcançá-la.
Não guardo rancor jamais.
Aquele que comeu a rosa em botão como se fosse carne:
não o culpo
já fui traído: nada disse.
Acho que sempre sofro calado
e sorrio mesmo estando errado.
Mas nunca me desesperei.
Já quis fugir para o oeste, desisti
já quis ser Werther, tive medo
consigo quem quero quando quero
quase sempre
já bebi e já caí no chão antes da boa notícia
confesso que chorei, confesso que ri
beijei enquanto pude.
Fui, sim, feliz.
Se ainda o sou, já não sei.
Vislumbrei um grande amor em cinco horas
mas na sexta ele se espatifou no chão:
foi como voar do décimo-quinto andar sem asas.
Nunca estou só, então esvazio minha cabeça
boiando no rio salgado e vendo o mármore dos céus.
Sei que permaneço livre de cortes de vidro
e limpo de marcas de ferro
porque jamars sofri males da matéria.
Choro com últimos olhares, com aviões, com telefones
choro com vinho e com cerveja
choro com porta-retratos, com desenhos, com pães
com livros, com discos, com a Califórnia
californicanto ali fornicando
perto da casa do bom amigo meu.
Choro sobretudo com papel e caneta,
com poesia, com caligrafias.
Somos inseparáveis, cada um a seu canto.
Sinto eu prazer com meu cabresto e minhas rédeas?
Como bucéfalos por aí, às vezes
tenho náuseas, bebo além da conta
me atiro nu do prédio em chamas
viro macarrão à bolonhesa.
Há um monstro aqui dentro em algum lugar
acho que vou infartar, sou jovem demais
pra morrer, não vou morrer
só morro se me matarem, só morro
se me arrancarem o coração e a caneta
sou um meigo energúmeno.
Um cavalo selvagem, uma bobagem
um idiota, um tolo, um besta
mereço levar torta na cara
mereço gargalhadas as mais guturais
mereço perdão.
Sou péssimo sonetista sem nem tentar
sou de menor, não fumo
deleito-me vez em quando com álcool e sexo
mas não tento viver a vida inimitável
gosto de velhos sambas tristes, sou sentimental
sou um velho de dezessete anos de idade
acordo, como, vivo, durmo, acordo
sou comum.
Comum demais.
Simplório até.
Suicido-me diariamente.
Mas nunca consigo morrer.
(Vinicius de Moraes)
Livre de cortes de vidro
limpo de marcas de ferro
com a cabeça erguida de resignação
venho mostrar um olhar
simples, enorme e silencioso
como um templo em ruínas.
Vejo tudo o que desejo ver
dedos movendo-se ágeis como água do rio
lábios crispando-se por um beijo inocente
semblantes dissimulados mas lindos
olhares sinceros eternamente em preto e branco
e eternamente vivos sobre o papel escondido.
Os narizes quase se tocando
como narcisos sobre o espelho d'água:
como querer fim à cena?
ai de mim!
O peso mais pesado de um sim.
Há pios perto de onde há flores
e latidos nos gramados
uma canção vem de lá de dentro
eu ouço e sei.
Está tudo calmo demais
longe da capital federal.
Eu poderia jurar que o tempo está parado.
Umbucajás tombam de par em par:
como-os sem pudor.
Mangas caem também,
mas são demasiado opulentas.
Quero uma fruta pequena
dê-me um manjelão gordo
um tamarindo sem casca
quero algo simples
Meu império por um mergulho
na hora parada do Vaza-Barris!
Seguirei o sangue de Conselheiro
só para passar o tempo.
Deus! Onde foram janeiro e fevereiro!
Diga-me que já voltam...
O pescador de canoa prevê a vinda de março
fugindo com seu remo, seu sovaco suado,
seus siris desenganados.
Lá vem a maré de março, que calor!
Será que vai chover quando vier a pré-bonança?
Um espinho afaga minha derme
um mosquito quer o sangue do meu pé,
me deixa um calombinho de presente.
Alguém apareça para coçar minhas costas!
Ninguém diga nada
mas roubei o caderno do meu irmão
para escrever intimidade
tomara que ele não acorde.
De onde vem esse gosto de vinho?
Será que já é domingo?
A tevê está fora do ar.
Será que ela já dormiu?
Ah, interesse-se menos.
Que faria Ovídio?
Que pensaria Rimbaud?
Vinicius, volte...
Contemplo o tempo que com o tempo passa
Será a saudade o efeito doppler do tempo?
Talvez eu fosse mais feliz
no tempo em que não havia nós,
só contemplação:
distância
ausência
era uma calmaria só!
Eu não era nenhum vândalo da língua
e escândalo era uma paixão platônica
percebi que o muro que isola
é o mesmo que protege.
A bebida que aquece
é a mesma que embriaga
hoje eu durmo sóbrio como um ensandecido.
Nessa calmaria em que me encontro
lembrei-me de uma velha inocência
em relação ao sexo oposto.
Amigo, responda sincero:
era eu mais feliz?
Pequena, não fale nada
suas palavras atraem a trovoada.
O poema não seria o poema
se eu tivesse ficado em Aracaju.
Talvez fosse outro, mas não este.
Pixinguinha não haveria
nada de ecos de Peninha
Caetano calado seria um ídolo num nicho.
Haveria calmaria?
Devia ter-me ido quando pude?
Retorno a vinte-e-seis de janeiro de 2006.
Àquela canção em meus ouvidos.
Talvez eu não a conhecesse
armadilha de uma vênus ardilosa.
Caí por onde Bandeira e Cabral pisaram os pés.
Vejo-me hoje a léguas: vejo o mar.
Vejo o mar quando o mar é o que ela quer longe.
Nunca consegui fugir do mar
o mar jamais abandonei como sua família.
Meu coração é um livro de Joyce.
Não posso puxar pelo braço.
Calmaria.
Ela é maior que eu.
Ela é maior que eu, e eu não consigo alcançá-la.
Não guardo rancor jamais.
Aquele que comeu a rosa em botão como se fosse carne:
não o culpo
já fui traído: nada disse.
Acho que sempre sofro calado
e sorrio mesmo estando errado.
Mas nunca me desesperei.
Já quis fugir para o oeste, desisti
já quis ser Werther, tive medo
consigo quem quero quando quero
quase sempre
já bebi e já caí no chão antes da boa notícia
confesso que chorei, confesso que ri
beijei enquanto pude.
Fui, sim, feliz.
Se ainda o sou, já não sei.
Vislumbrei um grande amor em cinco horas
mas na sexta ele se espatifou no chão:
foi como voar do décimo-quinto andar sem asas.
Nunca estou só, então esvazio minha cabeça
boiando no rio salgado e vendo o mármore dos céus.
Sei que permaneço livre de cortes de vidro
e limpo de marcas de ferro
porque jamars sofri males da matéria.
Choro com últimos olhares, com aviões, com telefones
choro com vinho e com cerveja
choro com porta-retratos, com desenhos, com pães
com livros, com discos, com a Califórnia
californicanto ali fornicando
perto da casa do bom amigo meu.
Choro sobretudo com papel e caneta,
com poesia, com caligrafias.
Somos inseparáveis, cada um a seu canto.
Sinto eu prazer com meu cabresto e minhas rédeas?
Como bucéfalos por aí, às vezes
tenho náuseas, bebo além da conta
me atiro nu do prédio em chamas
viro macarrão à bolonhesa.
Há um monstro aqui dentro em algum lugar
acho que vou infartar, sou jovem demais
pra morrer, não vou morrer
só morro se me matarem, só morro
se me arrancarem o coração e a caneta
sou um meigo energúmeno.
Um cavalo selvagem, uma bobagem
um idiota, um tolo, um besta
mereço levar torta na cara
mereço gargalhadas as mais guturais
mereço perdão.
Sou péssimo sonetista sem nem tentar
sou de menor, não fumo
deleito-me vez em quando com álcool e sexo
mas não tento viver a vida inimitável
gosto de velhos sambas tristes, sou sentimental
sou um velho de dezessete anos de idade
acordo, como, vivo, durmo, acordo
sou comum.
Comum demais.
Simplório até.
Suicido-me diariamente.
Mas nunca consigo morrer.
segunda-feira, 17 de março de 2008
O Impronunciável
De repente numa tarde escura
sinto a inspiração vir
forte
e dura
e impura
e perjura
uma lembrança fútil
que verteu água
lúbrica e pálida
sobre mim
sinto vontade de rir
fremir num ouvido
dormir sem sentido
invadir
fugir
ir
só com ela
e um olhar um tocar um beijar
o ir e o não voltar
o grito sussurrado
o arado de seus dedos em minhas costas
a pá de sua boca em minhas pernas
o oásis do meu rosto no oásis de suas coxas
o ínterim eterno entre o relaxamento e o espasmo
o dedilhado de meus dedos nas cordas do seu violão
farei um samba?
a língua se perdendo
por entre nossas línguas se perdendo
por entre nossos pêlos farfalhando
por entre nossos dedos
a pomba pousando no galho
o mar agitando o barco antes do naufrágio
o grito que quis sair e não conseguiu
a chave que dentre mil abriu a fechadura
abriu a fechadura
e o poeta pôde sair para escrever
depois de ter regado a flor.
sinto a inspiração vir
forte
e dura
e impura
e perjura
uma lembrança fútil
que verteu água
lúbrica e pálida
sobre mim
sinto vontade de rir
fremir num ouvido
dormir sem sentido
invadir
fugir
ir
só com ela
e um olhar um tocar um beijar
o ir e o não voltar
o grito sussurrado
o arado de seus dedos em minhas costas
a pá de sua boca em minhas pernas
o oásis do meu rosto no oásis de suas coxas
o ínterim eterno entre o relaxamento e o espasmo
o dedilhado de meus dedos nas cordas do seu violão
farei um samba?
a língua se perdendo
por entre nossas línguas se perdendo
por entre nossos pêlos farfalhando
por entre nossos dedos
a pomba pousando no galho
o mar agitando o barco antes do naufrágio
o grito que quis sair e não conseguiu
a chave que dentre mil abriu a fechadura
abriu a fechadura
e o poeta pôde sair para escrever
depois de ter regado a flor.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Apólogo
A agulha e o alfinete
apesar de tudo
se amavam.
A agulha sempre colocando coisas na cabeça
e o alfinete com sua enorme cabeça cheia de idéias
eles se amavam
da maneira deles.
Ela da maneira dela
ele da maneira dele
iam felizes
costurando seu carinho em pontos
muito, mas muito apertadinhos e juntinhos.
Mas ela, apesar de ser agulha,
vivia dando alfinetadas...
apesar de tudo
se amavam.
A agulha sempre colocando coisas na cabeça
e o alfinete com sua enorme cabeça cheia de idéias
eles se amavam
da maneira deles.
Ela da maneira dela
ele da maneira dele
iam felizes
costurando seu carinho em pontos
muito, mas muito apertadinhos e juntinhos.
Mas ela, apesar de ser agulha,
vivia dando alfinetadas...
Hai-cai urbano para um amor desumano
Eu não sei que sinto
Você mente que nem sente
Que eu amo e não minto!
Você mente que nem sente
Que eu amo e não minto!
Quadratura
água quente e silêncio.
quente coração.
quente.
barulho de coração.
silêncio de coração.
barulho de coração.
lua minguante.
quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
água quente e salgada.
olhos de maré.
démarré d'ici.
démarré de là-bas.
démarré du monde.
maré de quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
a saudade do lusófilo.
a fé do ímpio.
a voz do surdo.
a juventude do velho.
a maré de quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
a palavra.
a voz dela.
a voz dele.
ele.
ela na cama.
o cânone da língua.
o lençol puxado.
o televisor ligado.
o filme da madrugada.
a lua minguante.
quase nova de tão velha.
e a maré de quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
vampiros e tempestades.
um príncipe desencantado.
uma donzela deflorada.
um cavalo batizado.
um bobo.
quadratura.
quem atura
a quadratura?
obscura
pura
a cura
dura! dura! dura! dura! dura!
quente coração.
quente.
barulho de coração.
silêncio de coração.
barulho de coração.
lua minguante.
quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
água quente e salgada.
olhos de maré.
démarré d'ici.
démarré de là-bas.
démarré du monde.
maré de quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
a saudade do lusófilo.
a fé do ímpio.
a voz do surdo.
a juventude do velho.
a maré de quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
a palavra.
a voz dela.
a voz dele.
ele.
ela na cama.
o cânone da língua.
o lençol puxado.
o televisor ligado.
o filme da madrugada.
a lua minguante.
quase nova de tão velha.
e a maré de quadratura.
dura! dura! dura! dura! dura!
vampiros e tempestades.
um príncipe desencantado.
uma donzela deflorada.
um cavalo batizado.
um bobo.
quadratura.
quem atura
a quadratura?
obscura
pura
a cura
dura! dura! dura! dura! dura!
À Pequena (III)
há uma luzinha no céu
e eu não sei o que é
será que é um balão
um anjo ou uma mulher?
há uma luzinha no céu
e eu não sei o que é
será um resto de lua
será que é um bem me quer?
há uma luzinha no céu
e eu não sei o que é
será Ismalia sonhando
será a pequena mulher?
há uma luzinha no céu
há uma luzinha no céu
há uma luzinha no céu
que eu não posso alcançar.
e eu não sei o que é
será que é um balão
um anjo ou uma mulher?
há uma luzinha no céu
e eu não sei o que é
será um resto de lua
será que é um bem me quer?
há uma luzinha no céu
e eu não sei o que é
será Ismalia sonhando
será a pequena mulher?
há uma luzinha no céu
há uma luzinha no céu
há uma luzinha no céu
que eu não posso alcançar.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Elegia a mim mesmo
Nesta noite escura e tempestuosa
Em que os relâmpagos fotografam meu rosto cansado
Confesso, com um olhar taciturno e grave,
Que estou muito doente.
Minhas mãos acariciam o rosto mutante da brisa
E meus pés perdem o rumo que deixaram
Os grandes que vieram antes de mim.
Assisto calado e paralítico à minha
Estúpida, ridícula e miserável morte.
Sou uma galante frustração.
E é por isso, creio, que nesta noite escura e tempestuosa
Me despeço da minha realidade consorte.
Você que acompanha meus passos,
Para você deixarei um carro.
Para você que me diz que não vale a chance
Deixo um talvez esperado beijo.
Para você que me beijou, você que me abraçou
Deixo um olhar que fala à alma.
Talvez não me compreenda,
Você sempre morre antes de mim.
Ainda assim, olhe, mas olhe profundamente:
Os olhos secos de lágrimas e o coração que já não bate
São a dilacerada medida da minha doença.
Não estou doente por querê-la
Nem conheço sintoma algum dessa minha
Saúde bêbada e delirante do após orgasmo.
A tempestade fala ao meu ouvido de mártir
Sobre seu sono indiferente a metros deste papel.
Sonha, amante adormecida,
E não deixes que te arranquem a máscara
Cruel e capitolina da tua beleza.
Você é o mal do século
De quem me lê, você é uma doença
Para minhas mãos que escrevem miudezas
De poeta comum cheio de desilusões que iludem
Estou numa queda decrépita rumo ao nada
Estou caindo no campo desleal das metáforas
Estou morrendo.
Pintem um quadro da minha morte!
Toquem um velho samba triste!
Pequena, escreva meu epitáfio!
Abram um museu com meus papéis nauseabundos
Minhas palavras decompostas em pó,
Cheirem-nas pelos becos putrefatos!
Comam-nas pelos terrenos baldios da decadência
Hipócrita dos jovens do Jardins!
Um poema como soluço
Uma palavra lacrimal
O piscar da tempestade lá fora
E a morte premeditada de um poeta
Que jamais nasceu.
Se outra vez dirigir-me esse olhar
E esse sorriso número três
Sugue minha alma
Mas pela boca.
Mate-me assim que ler esta despedida
Entre nós há uma rocha velha
Fustigada pela maldição da beleza.
É lá que me matará.
Arranque meu coração com delicadeza singular.
*
Esqueça tudo.
Olhe meus olhos mais uma vez.
Sinta minhas mãos criminosas
E, em seguida, esqueça-as.
Tire seu coturno e pise a terra.
Joque fora a máscara
Me beije como se fosse me matar.
No clímax dessa dança
Penetre seu punhal em meu peito
E me veja agonizar.
Mate-me, assassina.
Mate-me rápido.
Estou muito doente.
Não quero cura.
Em que os relâmpagos fotografam meu rosto cansado
Confesso, com um olhar taciturno e grave,
Que estou muito doente.
Minhas mãos acariciam o rosto mutante da brisa
E meus pés perdem o rumo que deixaram
Os grandes que vieram antes de mim.
Assisto calado e paralítico à minha
Estúpida, ridícula e miserável morte.
Sou uma galante frustração.
E é por isso, creio, que nesta noite escura e tempestuosa
Me despeço da minha realidade consorte.
Você que acompanha meus passos,
Para você deixarei um carro.
Para você que me diz que não vale a chance
Deixo um talvez esperado beijo.
Para você que me beijou, você que me abraçou
Deixo um olhar que fala à alma.
Talvez não me compreenda,
Você sempre morre antes de mim.
Ainda assim, olhe, mas olhe profundamente:
Os olhos secos de lágrimas e o coração que já não bate
São a dilacerada medida da minha doença.
Não estou doente por querê-la
Nem conheço sintoma algum dessa minha
Saúde bêbada e delirante do após orgasmo.
A tempestade fala ao meu ouvido de mártir
Sobre seu sono indiferente a metros deste papel.
Sonha, amante adormecida,
E não deixes que te arranquem a máscara
Cruel e capitolina da tua beleza.
Você é o mal do século
De quem me lê, você é uma doença
Para minhas mãos que escrevem miudezas
De poeta comum cheio de desilusões que iludem
Estou numa queda decrépita rumo ao nada
Estou caindo no campo desleal das metáforas
Estou morrendo.
Pintem um quadro da minha morte!
Toquem um velho samba triste!
Pequena, escreva meu epitáfio!
Abram um museu com meus papéis nauseabundos
Minhas palavras decompostas em pó,
Cheirem-nas pelos becos putrefatos!
Comam-nas pelos terrenos baldios da decadência
Hipócrita dos jovens do Jardins!
Um poema como soluço
Uma palavra lacrimal
O piscar da tempestade lá fora
E a morte premeditada de um poeta
Que jamais nasceu.
Se outra vez dirigir-me esse olhar
E esse sorriso número três
Sugue minha alma
Mas pela boca.
Mate-me assim que ler esta despedida
Entre nós há uma rocha velha
Fustigada pela maldição da beleza.
É lá que me matará.
Arranque meu coração com delicadeza singular.
*
Esqueça tudo.
Olhe meus olhos mais uma vez.
Sinta minhas mãos criminosas
E, em seguida, esqueça-as.
Tire seu coturno e pise a terra.
Joque fora a máscara
Me beije como se fosse me matar.
No clímax dessa dança
Penetre seu punhal em meu peito
E me veja agonizar.
Mate-me, assassina.
Mate-me rápido.
Estou muito doente.
Não quero cura.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Melancolia do dia de branco
Já nesta linda e enluarada noite,
eu troquei o verso e a estrofe
por uma melancolia daquelas que não deixam a gente se levantar nunca mais na vida até amanhã de manhã bem cedinho com café quentinho e pão acabado de sair da padaria trazido pela loira mais bonita do quarteirão.
eu troquei o verso e a estrofe
por uma melancolia daquelas que não deixam a gente se levantar nunca mais na vida até amanhã de manhã bem cedinho com café quentinho e pão acabado de sair da padaria trazido pela loira mais bonita do quarteirão.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Balada do Dia Novo ou do Fim da Novela
Sou moreno e tenho olhos escuros
Como a luz da noite já extirpada.
Tenho olhos escuros e fundos
Para ver melhor o fundo escuro.
Eis que não enxergo na distância
E olho próximo à minha mão ferida
Querendo o mundo louco, acho o nada
Querendo a terra toda, acho a lua.
Mas meus olhos fundos encontraram
No satélite o deslumbramento
No momento a chuva fez-se manto
E a canção fez-se cheiro atrativo.
De olhá-la beijo enquanto durmo
De querê-la transo enquanto sonho
E em transe ponho-me tristonho
E escureço no semblante escuro.
Raia o dia que engole a lua
Que é mulher de sensual pegada
Que se deixa branca como espuma
E que invade qual apaixonada.
Mas o dia ilumina a mesa
E a cadeira aparece vermelha
Meu cabelo preso fica à noite
Que é escura como meu cabelo.
Sou moreno e tenho olhos escuros
Como a cor da terra grave e crua
Mundo é cru e sem deslumbramento
E meu olho é escuro, fundo e feio.
Como a luz da noite já extirpada.
Tenho olhos escuros e fundos
Para ver melhor o fundo escuro.
Eis que não enxergo na distância
E olho próximo à minha mão ferida
Querendo o mundo louco, acho o nada
Querendo a terra toda, acho a lua.
Mas meus olhos fundos encontraram
No satélite o deslumbramento
No momento a chuva fez-se manto
E a canção fez-se cheiro atrativo.
De olhá-la beijo enquanto durmo
De querê-la transo enquanto sonho
E em transe ponho-me tristonho
E escureço no semblante escuro.
Raia o dia que engole a lua
Que é mulher de sensual pegada
Que se deixa branca como espuma
E que invade qual apaixonada.
Mas o dia ilumina a mesa
E a cadeira aparece vermelha
Meu cabelo preso fica à noite
Que é escura como meu cabelo.
Sou moreno e tenho olhos escuros
Como a cor da terra grave e crua
Mundo é cru e sem deslumbramento
E meu olho é escuro, fundo e feio.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
A nudez da lua
O sorriso que carrego em meu rosto
se esvai tênue e impuro quando estou sozinha.
Minha pele branca é lar
das tatuagens que gravaram na minha carne silenciosa.
Meus pensamentos abrem seus olhos vermelhos
e, na escuridão, derramam minha maquiagem
enegrecendo minhas faces.
O mundo deseja me matar
e, querendo proteger-me, fico nua.
Não há ainda leite onde um coração sofrido
canta pretéritos esquecidos e imperfeitos.
Não há mais pureza onde um amor insano
despejou sua ânsia desvalida.
Resta apenas meu olhar,
que maqueio e escondo dos seus olhos
me querendo mulher.
Suas mãos me erguem longas e frias
e me tocam inescupulosas
como brisa.
Seu falar se cala abruptamente
e me toca delicado
qual sizígia.
Mas seu amor de ternura me deu a ordem
de orientar as marés.
Então me dispo cheia
de amor reprimido
ou novamente me visto
de silêncio escuro
seu amor me convoca
mas não quero ir.
Quero que o mundo me deixe só
pois não sei para onde ir.
Querendo proteger-me, fico nua
pudica como namoro escondido.
Em meio às marés
salgadas e mortas
seu sorriso é, para mim,
terra firme onde vou me deitar.
E querendo proteger-me, fico nua.
Porém,
quando um velejador de longe vem
recebo-o materna e grave
amorosa e suave
pois oriento as marés
e sou marina que guarda
os barcos que vêm de lá.
*
Escrevendo a metonímia de um grande não
fico nua querendo me proteger.
Seu amor escrito em palavra
despe meu olhar da maquiagem mentirosa
nessa sizígia de pranto salgado.
Mas não posso me proteger
as tatuagens que gravaram
na minha carne silenciosa
são vestimenta que, fatalmente,
não posso tirar para banhar-me nua
no mar doce das suas palavras.
se esvai tênue e impuro quando estou sozinha.
Minha pele branca é lar
das tatuagens que gravaram na minha carne silenciosa.
Meus pensamentos abrem seus olhos vermelhos
e, na escuridão, derramam minha maquiagem
enegrecendo minhas faces.
O mundo deseja me matar
e, querendo proteger-me, fico nua.
Não há ainda leite onde um coração sofrido
canta pretéritos esquecidos e imperfeitos.
Não há mais pureza onde um amor insano
despejou sua ânsia desvalida.
Resta apenas meu olhar,
que maqueio e escondo dos seus olhos
me querendo mulher.
Suas mãos me erguem longas e frias
e me tocam inescupulosas
como brisa.
Seu falar se cala abruptamente
e me toca delicado
qual sizígia.
Mas seu amor de ternura me deu a ordem
de orientar as marés.
Então me dispo cheia
de amor reprimido
ou novamente me visto
de silêncio escuro
seu amor me convoca
mas não quero ir.
Quero que o mundo me deixe só
pois não sei para onde ir.
Querendo proteger-me, fico nua
pudica como namoro escondido.
Em meio às marés
salgadas e mortas
seu sorriso é, para mim,
terra firme onde vou me deitar.
E querendo proteger-me, fico nua.
Porém,
quando um velejador de longe vem
recebo-o materna e grave
amorosa e suave
pois oriento as marés
e sou marina que guarda
os barcos que vêm de lá.
*
Escrevendo a metonímia de um grande não
fico nua querendo me proteger.
Seu amor escrito em palavra
despe meu olhar da maquiagem mentirosa
nessa sizígia de pranto salgado.
Mas não posso me proteger
as tatuagens que gravaram
na minha carne silenciosa
são vestimenta que, fatalmente,
não posso tirar para banhar-me nua
no mar doce das suas palavras.
Para você que vem agora
Seu olhar
me cegou
ao mundo
lá fora.
Você é
para mim
um bom
agora.
Mas se não
se cumprir
eu vou
embora,
Tenho pernas
ando passos
no mundo
afora
Seu olhar
penetrou
matou
sem demora.
me cegou
ao mundo
lá fora.
Você é
para mim
um bom
agora.
Mas se não
se cumprir
eu vou
embora,
Tenho pernas
ando passos
no mundo
afora
Seu olhar
penetrou
matou
sem demora.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Ode sonolenta
Menina que vem do mar
Azul, esposa do pacto céu
Azul, mulher do bom vento sul
Azul. Azul azul mulher amar.
Um lábio se crispa na imensidão
Do amar meu, ou seu, sei
Eu sei do vento o segredo triste
Em vão, sua cintura na minha
Mão e o não, implacável olhar
Em riste se veste até os pés
Mulher que traz o tremor
De terra ou de minhas mãos
Coração. De terra me fiz
E sou. E sou e sou e sei
De parte de mim você se fez
E desfez, cantando outra vez
Azul. A cantiga do cantor
Do sul. Uma voz azul.
Um saxofone chora em algum
Lugar na minha cabeça papel
Escreva qualquer coisa ao léu
E leia alto, esposa do longo azul
Tome este poema como anel
Me beije mais uma vez só
E uma vez mais me ensine
A viver ou morrer sem sono
Poema poesia lua e trono
Nua dormia o sono algema
Do poeta esquecia sem ter dó
E abraçava carícia beijo e trova.
Nada satisfazia, era nova! nova!
Lua à luz do dia e cantava
E dava beijos e lampejos de olhar
E luz. Cegava quando chegava
E me abraçava como conduz
Conduzido eu não ficava
Mas seduzido me quedava
E levantava e trabalhava
Não me cansei por te esperar.
Só o silêncio, mais que silêncio
Ensimesmado ciumava a mim.
Então calada você ficava
E no azul só amarelava
E maldizia e se tentava
Não concebia mas praticava
E eu te amando como filhote
Sem querer dote nem quebra-pote
Amando como amam os aleijados
Sonhando como os desamparados
Os renegados os condenados
Desenganados e machucados
Que se juntando todos somados
Cabiam todos como em mim!
E ouvia sim em sonhos loucos
E acreditava como tão poucos
E continuava não questionava
Não prometia eu só cumpria
A minha parte que pertencia
Talvez ao vento, à profecia
À luz do dia, à minha tia
Dona Maria ou ao vigia
Minha não era sua tarefa
Eu não seguia meandro torto
Nem perseguia passado morto
Eu só seguia o mundo grande
Andando sobre esteira rolante
Das que me param mesmo lugar.
E se um Moraes não tivesse dito
A mim morais que hoje repito
Seria eu seu jogo de bonecas
Eu seu papel e sua caneta
Ou talvez nada talvez mais nada
Um sonho bom ou talvez um oi
Ou talvez eu fosse um filho exaltado
Ou talvez fosse um livro largado
Ou talvez do léxico fosse o nada
E do disléxico a caneta usada
E se memórias me passam nunca
Lembro da vez que beijou minha nuca
E da outra vez que tive amnésia
E fui idiota como um bufão
Duma corte média dum século velho
Me corte inteiro faça fatias
Pra ir digerindo por todo o dia
Mulher do mar, menina azul
Me dê acesso ao seu dentro duro
Um girassol no hemisfério sul
Uma orquídea rosa, margarida antúrio
Chocolate do dia morto com saturno
Do meu olhar pesado do meu ler pesado
Ah menina que vem do mar
No bar se banhe e no mar só beba
Com minha presença para que se atreva
Pode ser que eu veja seu corpo cerveja
Frio da Escandinávia carro de Veneza
E sem que me alongue dispo-me sozinho
Da palavra sua que por si só é nua
Mas preciso tanto confessar à lua
Outros tantos ditos simples
Três palavras ou mesmo duas.
Azul, esposa do pacto céu
Azul, mulher do bom vento sul
Azul. Azul azul mulher amar.
Um lábio se crispa na imensidão
Do amar meu, ou seu, sei
Eu sei do vento o segredo triste
Em vão, sua cintura na minha
Mão e o não, implacável olhar
Em riste se veste até os pés
Mulher que traz o tremor
De terra ou de minhas mãos
Coração. De terra me fiz
E sou. E sou e sou e sei
De parte de mim você se fez
E desfez, cantando outra vez
Azul. A cantiga do cantor
Do sul. Uma voz azul.
Um saxofone chora em algum
Lugar na minha cabeça papel
Escreva qualquer coisa ao léu
E leia alto, esposa do longo azul
Tome este poema como anel
Me beije mais uma vez só
E uma vez mais me ensine
A viver ou morrer sem sono
Poema poesia lua e trono
Nua dormia o sono algema
Do poeta esquecia sem ter dó
E abraçava carícia beijo e trova.
Nada satisfazia, era nova! nova!
Lua à luz do dia e cantava
E dava beijos e lampejos de olhar
E luz. Cegava quando chegava
E me abraçava como conduz
Conduzido eu não ficava
Mas seduzido me quedava
E levantava e trabalhava
Não me cansei por te esperar.
Só o silêncio, mais que silêncio
Ensimesmado ciumava a mim.
Então calada você ficava
E no azul só amarelava
E maldizia e se tentava
Não concebia mas praticava
E eu te amando como filhote
Sem querer dote nem quebra-pote
Amando como amam os aleijados
Sonhando como os desamparados
Os renegados os condenados
Desenganados e machucados
Que se juntando todos somados
Cabiam todos como em mim!
E ouvia sim em sonhos loucos
E acreditava como tão poucos
E continuava não questionava
Não prometia eu só cumpria
A minha parte que pertencia
Talvez ao vento, à profecia
À luz do dia, à minha tia
Dona Maria ou ao vigia
Minha não era sua tarefa
Eu não seguia meandro torto
Nem perseguia passado morto
Eu só seguia o mundo grande
Andando sobre esteira rolante
Das que me param mesmo lugar.
E se um Moraes não tivesse dito
A mim morais que hoje repito
Seria eu seu jogo de bonecas
Eu seu papel e sua caneta
Ou talvez nada talvez mais nada
Um sonho bom ou talvez um oi
Ou talvez eu fosse um filho exaltado
Ou talvez fosse um livro largado
Ou talvez do léxico fosse o nada
E do disléxico a caneta usada
E se memórias me passam nunca
Lembro da vez que beijou minha nuca
E da outra vez que tive amnésia
E fui idiota como um bufão
Duma corte média dum século velho
Me corte inteiro faça fatias
Pra ir digerindo por todo o dia
Mulher do mar, menina azul
Me dê acesso ao seu dentro duro
Um girassol no hemisfério sul
Uma orquídea rosa, margarida antúrio
Chocolate do dia morto com saturno
Do meu olhar pesado do meu ler pesado
Ah menina que vem do mar
No bar se banhe e no mar só beba
Com minha presença para que se atreva
Pode ser que eu veja seu corpo cerveja
Frio da Escandinávia carro de Veneza
E sem que me alongue dispo-me sozinho
Da palavra sua que por si só é nua
Mas preciso tanto confessar à lua
Outros tantos ditos simples
Três palavras ou mesmo duas.
Segure minha mão e siga
Sem palavras eu digo e espero
E calo.
Seus dedos solitários
E meus dedos solitários
Se encaixam
E não nego.
Seus olhos castanho-
escuros
obscuros
me enxergam.
Seremos luz
se quisermos ver
Seremos gosto
se quiser beijar.
Sejamos palavras soltas e uma longa madrugada.
E calo.
Seus dedos solitários
E meus dedos solitários
Se encaixam
E não nego.
Seus olhos castanho-
escuros
obscuros
me enxergam.
Seremos luz
se quisermos ver
Seremos gosto
se quiser beijar.
Sejamos palavras soltas e uma longa madrugada.
Poema ensimesmado
Esta noite, amor, mergulhei em memórias.
O caderno de escrever me lembrou
nossas velhas aulas perdidas.
Olha, em meus olhos,
a tímida lembrança de um beijo sem fim.
Mas as recordações, todas elas,
eu guardo uma caixa
pequenina assim.
A chave, só você tem
e guarda só pra você
mas se esquece de mim...
O caderno de escrever me lembrou
nossas velhas aulas perdidas.
Olha, em meus olhos,
a tímida lembrança de um beijo sem fim.
Mas as recordações, todas elas,
eu guardo uma caixa
pequenina assim.
A chave, só você tem
e guarda só pra você
mas se esquece de mim...
Poeminha mal-sucedido
Sozinho no escuro
procuro
seu raro encantamento.
Um grilo velho
— um grilo! —
me canta ausências nesse momento.
procuro
seu raro encantamento.
Um grilo velho
— um grilo! —
me canta ausências nesse momento.
domingo, 20 de janeiro de 2008
O vendedor de rosas vermelhas
O menino preto e franzino me perguntou
se eu queria comprar uma rosa vermelha.
Murmurei um não como se seu preto
fosse completamente invisível.
Quando fechei os olhos ontem à noite
passei a ver tudo muito preto
e me lembrei do menino preto e franzino.
Seu olhar como vitrine de loja
suas roupas como túnica da sorte
seus pés como raízes
e suas mãos que tocavam espinhos.
Mas que ingênua elegância
não tinha o menino!
Como mil pajens alados
flutuava pelo mundo
como príncipe encantado
cavalgava em mar profundo
como bom publicitário
divulgava seu produto
que parecia colhido
de algum jardim noturno
trancado na primavera.
Ô menino preto e franzino,
quando passar por aí pela 210 sul
a menina mais bonita vinda lá de Aracaju
ofereça-lhe uma rosa mas não lhe cobre um centavo
diga que lhe mandou o poeta,
que, assim como você,
não sei se é nobre ou escravo.
se eu queria comprar uma rosa vermelha.
Murmurei um não como se seu preto
fosse completamente invisível.
Quando fechei os olhos ontem à noite
passei a ver tudo muito preto
e me lembrei do menino preto e franzino.
Seu olhar como vitrine de loja
suas roupas como túnica da sorte
seus pés como raízes
e suas mãos que tocavam espinhos.
Mas que ingênua elegância
não tinha o menino!
Como mil pajens alados
flutuava pelo mundo
como príncipe encantado
cavalgava em mar profundo
como bom publicitário
divulgava seu produto
que parecia colhido
de algum jardim noturno
trancado na primavera.
Ô menino preto e franzino,
quando passar por aí pela 210 sul
a menina mais bonita vinda lá de Aracaju
ofereça-lhe uma rosa mas não lhe cobre um centavo
diga que lhe mandou o poeta,
que, assim como você,
não sei se é nobre ou escravo.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Nova ode ao seu amor teimoso
Oi, quero escrever um poema. Um poema que fale da minha insignificância perante o mundo. E de amor.
Sou o mundo
e não me importo
se sou raimundo
ou solução
a minha mão
lancou um soluço
raspe seu buço
não pense na festa de amanhã.
Ela não vai estar lá.
Não pra você.
Qual o pH do amor? Tem de 500 mL? Por que a lua não se deita no meu colo?
está rodando está rodando está rodando está caindo caiiindo caiu looping um gosto sustenido me passou pela boca você não tem idéia de como você é dissonante não sou leminski mas sou bemol sou mongol sou gelol bom bril sem nenhuma utilidade sou maldade está rodando meu coração está tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum vai explodir eu acho com certeza parêntese que poema porcaria parêntese há um fluxo sangüíneo inesperado em certos meandros da minha anatomia que não está em livros meu coração minha nossa chuva caindo agora é novela eu acho que mil novecentos e vinte e dois é o início da história o homem inventou a escrita aí mas ainda não consegue descrever isso que eu estou passando uau que intenso e efusivo uau que coisa está rodando está rodando
Quando terminei de beijá-la, tudo voltou à norma culta.
Eu te amo, amada minha,
Não se prenda por lugares-comuns.
Aqui onde estou, é longe
E não há brisa, mas ainda assim eu te amo
E não te esquecerei um minuto sequer.
Tu és de uma beleza de que não se encontra par nos recantos mais lindos do universo.
Tua fronde é bonita como a das mais altivas árvores.
Despe-te de tuas folhas e mostra inteiro teu tronco a mim.
árvore
não
tem
coração
mas chora.
Nosso amor é menos que uma onda eletromagnética entre uma multidão de euteamos espalhados pelo ar ondulando como uma sereia para chegar como cupido e flechar o outro pelo celular.
Mas, amor, a verdade mesmo é que eu te amo demais. Desculpe por repetir isso à exaustão, mas é assim... Meu pranto é um transbordar de ternura.
toque minha mão
e, por favor,
não diga nada.
Está tudo planejado.
Primeiro, beijarei teu rosto
depois, tocarei teus lábios
com os meus.
depois, te darei todas as estrelas
e a lua
numa caixa com um laço.
Quando chegar 12 de junho
(ou 14 de fevereiro,
se preferir)
virarei uma criança.
Meu olhar está em chamas
meus pés pisam em lama
minhas mãos estão paradas
ou agitam o ar.
Sei do amor o que ele me contou
e ele não disse nada
amor é cego
e surdo-mudo também.
to-do stanza
escrever uma carta de amor
comprar uma rosa vermelha
desenhar coisas que ela vá gostar
olhar nos olhos dela e dizer clichê sincero
..............................
Amor, soe um único acorde otimista
para eu compor a música inteira.
Sou o mundo
e não me importo
se sou raimundo
ou solução
a minha mão
lancou um soluço
raspe seu buço
não pense na festa de amanhã.
Ela não vai estar lá.
Não pra você.
Qual o pH do amor? Tem de 500 mL? Por que a lua não se deita no meu colo?
está rodando está rodando está rodando está caindo caiiindo caiu looping um gosto sustenido me passou pela boca você não tem idéia de como você é dissonante não sou leminski mas sou bemol sou mongol sou gelol bom bril sem nenhuma utilidade sou maldade está rodando meu coração está tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum vai explodir eu acho com certeza parêntese que poema porcaria parêntese há um fluxo sangüíneo inesperado em certos meandros da minha anatomia que não está em livros meu coração minha nossa chuva caindo agora é novela eu acho que mil novecentos e vinte e dois é o início da história o homem inventou a escrita aí mas ainda não consegue descrever isso que eu estou passando uau que intenso e efusivo uau que coisa está rodando está rodando
Quando terminei de beijá-la, tudo voltou à norma culta.
Eu te amo, amada minha,
Não se prenda por lugares-comuns.
Aqui onde estou, é longe
E não há brisa, mas ainda assim eu te amo
E não te esquecerei um minuto sequer.
Tu és de uma beleza de que não se encontra par nos recantos mais lindos do universo.
Tua fronde é bonita como a das mais altivas árvores.
Despe-te de tuas folhas e mostra inteiro teu tronco a mim.
árvore
não
tem
coração
mas chora.
Nosso amor é menos que uma onda eletromagnética entre uma multidão de euteamos espalhados pelo ar ondulando como uma sereia para chegar como cupido e flechar o outro pelo celular.
Mas, amor, a verdade mesmo é que eu te amo demais. Desculpe por repetir isso à exaustão, mas é assim... Meu pranto é um transbordar de ternura.
toque minha mão
e, por favor,
não diga nada.
Está tudo planejado.
Primeiro, beijarei teu rosto
depois, tocarei teus lábios
com os meus.
depois, te darei todas as estrelas
e a lua
numa caixa com um laço.
Quando chegar 12 de junho
(ou 14 de fevereiro,
se preferir)
virarei uma criança.
Meu olhar está em chamas
meus pés pisam em lama
minhas mãos estão paradas
ou agitam o ar.
Sei do amor o que ele me contou
e ele não disse nada
amor é cego
e surdo-mudo também.
to-do stanza
escrever uma carta de amor
comprar uma rosa vermelha
desenhar coisas que ela vá gostar
olhar nos olhos dela e dizer clichê sincero
..............................
Amor, soe um único acorde otimista
para eu compor a música inteira.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Poeminha mau humor
Carrego em mim um instinto criminoso
Marcá-la a ferro quente incandescente
Para matar de vez o amor doente
Que mente sempre quando diz que sente
Possa ser que invente uma paixão ardente
Mas me engana crente que sou inocente
Saia da minha frente não sou complacente
Com os seus sorrisos como entorpecentes
Carrego em mim um instinto criminoso
Que me mata fácil quando há poesia
Fale do sonho
Fale da vida
Fale do amor
Fale da roupa
Fale do sexo
Fale da calma
Fale da alma
Fale do céu
Fale do mar
Fale da lua
Fale da festa
Fale do álcool
Fale do fim
Fale de tudo
Cale essa boca
Só um minuto
Tô muito puto
Alea jacta est
Latindo para um vagabundo
Na calçada roubando
A fruta do pé
Que amadurecia
E me endurecia
Sem jamais me tocar
Acordei suado
Numa noite crua
Com cheiro de morena nua
Caju doce e nicotina podre
E decidi
Alea jacta est
La paix, amis, ne me laisse
guère, ne me laisse jamais
parce que j'ai la protection
du silence.
Si vous voulez me tuer,
faites-le avec quelque mot
qui n'existe pas
dans la bouche de la nature.
Essayez.
De repente, ela apareceu.
Carregava um brilho constante
Para dar a esmo.
Sobre o seio, levava um traje
Que para os olhos daquela noite
Eram um grande absurdo.
Seu sorriso milimétrico
Apontava
Preciso
Noutra direção
Preciso
Fechar os olhos.
Now the whole world spins quickly
Before my eyes, you're saying hi's
To the news that comes
You're spinning quickly
Before my eyes, you're yelling byes
To my plethora of drunken lust
I must kill you crying.
Estávamos na praia
Na praia muito bem
Falávamos besteiras
Beijávamos pequeno
Na praia muito bem
Até que de repente
Não mais que de repente
Olhei pra sua cara
Não olhava pra mim!
Alea jacta est
...
Esqueça
Tudo fica muito fácil na poesia
Nada fica muito vivo na poesia
Quid quid latine dictum sit
Aldum videtur.
Ciao.
Alea jacta est?
Marcá-la a ferro quente incandescente
Para matar de vez o amor doente
Que mente sempre quando diz que sente
Possa ser que invente uma paixão ardente
Mas me engana crente que sou inocente
Saia da minha frente não sou complacente
Com os seus sorrisos como entorpecentes
Carrego em mim um instinto criminoso
Que me mata fácil quando há poesia
Fale do sonho
Fale da vida
Fale do amor
Fale da roupa
Fale do sexo
Fale da calma
Fale da alma
Fale do céu
Fale do mar
Fale da lua
Fale da festa
Fale do álcool
Fale do fim
Fale de tudo
Cale essa boca
Só um minuto
Tô muito puto
Alea jacta est
Latindo para um vagabundo
Na calçada roubando
A fruta do pé
Que amadurecia
E me endurecia
Sem jamais me tocar
Acordei suado
Numa noite crua
Com cheiro de morena nua
Caju doce e nicotina podre
E decidi
Alea jacta est
La paix, amis, ne me laisse
guère, ne me laisse jamais
parce que j'ai la protection
du silence.
Si vous voulez me tuer,
faites-le avec quelque mot
qui n'existe pas
dans la bouche de la nature.
Essayez.
De repente, ela apareceu.
Carregava um brilho constante
Para dar a esmo.
Sobre o seio, levava um traje
Que para os olhos daquela noite
Eram um grande absurdo.
Seu sorriso milimétrico
Apontava
Preciso
Noutra direção
Preciso
Fechar os olhos.
Now the whole world spins quickly
Before my eyes, you're saying hi's
To the news that comes
You're spinning quickly
Before my eyes, you're yelling byes
To my plethora of drunken lust
I must kill you crying.
Estávamos na praia
Na praia muito bem
Falávamos besteiras
Beijávamos pequeno
Na praia muito bem
Até que de repente
Não mais que de repente
Olhei pra sua cara
Não olhava pra mim!
Alea jacta est
...
Esqueça
Tudo fica muito fácil na poesia
Nada fica muito vivo na poesia
Quid quid latine dictum sit
Aldum videtur.
Ciao.
Alea jacta est?
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