terça-feira, 10 de março de 2009

Tédio ou cotidiano

Não há poesia
na barra do dia
na vinda da noite:

só o avião vai
e tudo fica.

Canoa não tem motor
bicicleta não tem motor
cavalo não tem motor
e a poesia,
no fim do dia,
também não tem motor.

Se a boca se abre,
é pra sair som
e se som ecoa
escuto.

Toda a verdade permanece intacta
e não há fronteiras além do horizonte.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Vida Pó Poesia

Há o asfalto e o concreto
o meio-fio e o fio elétrico
o metal da britadeira
contra a pedra da calçada
e o vidro do relógio
escondendo nosso tempo
e a taça de cristal
abrigando nosso sonho

e o caminho de piçarra
e a jarra de bebida
e a lida do mulato
e o fato do jornal
e o astral da cartomante
e o rompante de loucura
e a cura da doença
e a crença da velhinha
e a pinha do arbusto
e o busto da mulher
e a colher da feijoada
e a amada do poeta
e o esteta da escrita
e a brita da palavra
que ele lavra
escultura
cultura
vida
pó.