Por vezes, meu olhar
encontra descuidado
cantos da vida para os quais
prefiro deixar de olhar.
Meu rosto no espelho,
que sempre parece bom,
minimamente, suficiente,
por vezes revela fendas
revela as trilhadas sendas
por que passou quem esteve comigo.
Meus olhos têm um ar cansado
e estão sempre na iminência
de transbordar. Mas sei
que serei capaz de me esconder
antes que me encontrem,
que serei capaz de construir
minha máscara pesada
atrás da qual me ocultarei,
nas manchas, nas rugas,
na barba por fazer, nas roupas
descosturadas. As alvoradas
não fazem sentido. O cantar
dos pássaros é uma agonia
do ontem, e uma angústia
do amanhã. Então deixe-me
chorar onde eu estiver,
deixe-me, se for o que quiser,
deixe-me, escolha o que te faz
feliz. Deitar-me-ei sob o luar
que já não me acalenta
ouvindo o mar, que me atormenta
e o vento que vem de lá
que me fustiga, e dormirei
quando a última lágrima
esvaziar toda a vida que houver
em mim. Esquecerei os livros
lidos pela metade, os poemas
mal escritos na gaveta,
as verdades, que escondo em fortaleza
indevassável da qual você tem
a chave. Olhe em meus olhos
uma última vez, se puder
que entenderei o que não fui capaz
por todo esse curto tempo.
Um momento sozinho
quem sabe, será capaz
de me curar.
domingo, 29 de novembro de 2009
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