E no passado enorme em que me deito
acho um conforto enorme na grandeza.
Aqui sou forasteiro, sou distante
mas cá pouso a mente sem horizonte.
E entre os grandes nomes que as paredes
consignam em pilares (do País)
tento rasgar o meu na pedra altiva
mas minha força é pouca e não consigo.
Nos arcos que são ombros da cidade
(locomotiva estranha da nação)
e, atlânticos, sustentam o estado
que encima o pelotão dos vinte-e-seis
calado, olho as mentes que aqui passam
soturno, vou-me embora num suspiro.
Arcadas, 21-X-9
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Poeminha imediatista
O futuro se prenuncia
em presságios
enquanto eu, embasbacado,
sujo as calças de medo.
em presságios
enquanto eu, embasbacado,
sujo as calças de medo.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Blasfêmia
Em certas noites
ou numa noite certa
(ainda não sei)
nalgum momento perto
do alvorecer
(num momento congelado
embora
na fita do meu tempo)
na maturidade
da madrugada
encontro-te.
E então desaparece
qualquer lucidez
as memórias do passado
não encontram paralelo.
Encontro-te gigante
amante, ofegante, simples
como roda de ciranda.
E no momento cristalino
em que te encontro
(mas nada virginal)
não me adianta tentar
falar, perco a eloquência
e minhas frases
perdem o rumo
e as palavras
perdem o prumo
e, mal e mal erguidas
ruem, num ruído
cansado e ensurdecedor.
E quantas blasfêmias
grito para ti, tentando
como um suicida em delírio
extirpar meus pulmões
(não sei se ouves)
e quantas heresias
cometo por ti
(cometo contigo)
crendo que o mundo
é um ponto em meio ao que há
(mas nós dois somos imensos).
E a lua, nesse momento
parado perto do dia
se mata, atirando-se
contra o horizonte duro
(se mata de ciúmes).
E o céu se inunda
dessa cor rara que brilha
pelas manhãs, quando por amar demais
perdemos a hora e não sabemos
se é dia
ou se é noite.
E não perguntes
onde estava Deus
pois Seus olhos
estão ocupados
tentando não olhar
para nós. Mas eu,
num átimo de insanidade
ponho-me de joelhos
e, como um santo
chorando convulsamente
rezo por ti.
Nessa noite certa
ou nessas certas noites
(adoraria sabê-lo)
esmaece tudo a nossa volta.
O momento se congela
o mundo para a nos olhar
enquanto eu, extasiado
não me importo em afogar-me à morte
no lago claro e fundo
dos teus olhos.
ou numa noite certa
(ainda não sei)
nalgum momento perto
do alvorecer
(num momento congelado
embora
na fita do meu tempo)
na maturidade
da madrugada
encontro-te.
E então desaparece
qualquer lucidez
as memórias do passado
não encontram paralelo.
Encontro-te gigante
amante, ofegante, simples
como roda de ciranda.
E no momento cristalino
em que te encontro
(mas nada virginal)
não me adianta tentar
falar, perco a eloquência
e minhas frases
perdem o rumo
e as palavras
perdem o prumo
e, mal e mal erguidas
ruem, num ruído
cansado e ensurdecedor.
E quantas blasfêmias
grito para ti, tentando
como um suicida em delírio
extirpar meus pulmões
(não sei se ouves)
e quantas heresias
cometo por ti
(cometo contigo)
crendo que o mundo
é um ponto em meio ao que há
(mas nós dois somos imensos).
E a lua, nesse momento
parado perto do dia
se mata, atirando-se
contra o horizonte duro
(se mata de ciúmes).
E o céu se inunda
dessa cor rara que brilha
pelas manhãs, quando por amar demais
perdemos a hora e não sabemos
se é dia
ou se é noite.
E não perguntes
onde estava Deus
pois Seus olhos
estão ocupados
tentando não olhar
para nós. Mas eu,
num átimo de insanidade
ponho-me de joelhos
e, como um santo
chorando convulsamente
rezo por ti.
Nessa noite certa
ou nessas certas noites
(adoraria sabê-lo)
esmaece tudo a nossa volta.
O momento se congela
o mundo para a nos olhar
enquanto eu, extasiado
não me importo em afogar-me à morte
no lago claro e fundo
dos teus olhos.
domingo, 4 de outubro de 2009
Esboço de ensaio sobre o Sol
E é quando o sol nasce
enorme sobre o horizonte
altivo pelas janelas
por entre as frestas das portas
fechadas de apartamentos
mudando a cor das piscinas
e acordando as senhoras
cantando pelos poleiros
gemendo pelas ruelas
cheirando perto dos bules
esquenta-me a pele
e repele os males
longe dos olhares
que ora me observam
sodomiza noites
rompe madrugadas
lambe pela aurora
coisas indizíveis
sente a poucas horas
cheiros impensáveis
e as tais das linhas tênues
há muito que já se foram
pois não há nenhum limite
entre o dia e a madrugada
a noite que vira dia
o faz da noite pro dia
mas antes de a noite ser dia
a aurora vem morosa
mas quando vem, vem inteira
e acaba com a madrugada.
enorme sobre o horizonte
altivo pelas janelas
por entre as frestas das portas
fechadas de apartamentos
mudando a cor das piscinas
e acordando as senhoras
cantando pelos poleiros
gemendo pelas ruelas
cheirando perto dos bules
esquenta-me a pele
e repele os males
longe dos olhares
que ora me observam
sodomiza noites
rompe madrugadas
lambe pela aurora
coisas indizíveis
sente a poucas horas
cheiros impensáveis
e as tais das linhas tênues
há muito que já se foram
pois não há nenhum limite
entre o dia e a madrugada
a noite que vira dia
o faz da noite pro dia
mas antes de a noite ser dia
a aurora vem morosa
mas quando vem, vem inteira
e acaba com a madrugada.
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