quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Para minha linda menininha
Foi tão bonito quando hoje mais cedo eu me lembrei de você, minha linda menininha... Parei meu relógio e me sentei na calçada só pra ver a vida, o mundo passar na minha frente. Sinto isso mais ou menos como a água fresca que escorre pelos meus cabelos demoradamente quando eles estão compridos, e isso me traz um saudosismo racional e puro como uma pergunta de criança. Mas por quê? Por que eu me pego de uma hora para a outra pensando na mesa de jantar cheia de comida de festa que eu preparei pra você um dia desses? Por que eu fico pensando naquela vez que eu aluguei aquela bicicleta esquisita de dois lugares pra pedalar com você? Por que eu me recordo docemente daquele piquenique que eu preparei à beira do lago pra mim e pra você? É um sentimento tão simples e puro, tão infantil, às vezes, até. E tudo isso (ou só isso) me faz falar de amor com tom de voz sereno durante horas a fio através do fio do telefone, e não parece durar mais que os deliciosos cinco minutos de um jovem sonolento ao acordar. Tudo me lembra você. A brisa que balança a folha da planta, a luz do sol nascendo entrando tímida pela janela, o leite gelado de manhã, tudo me remete imediatamente ao seu rosto radiante como um girassol amarelo. (Sua flor preferida não me vêm à mente, mas a singeleza dos girassóis sempre me faz lembrar de você.) Tenho uma foto sua aqui e, às vezes, quando estou sozinho, abro devagarinho a pasta onde ela está escondida dos olhares curiosos só pra sentir o coração pular ao ver seu sorriso lindo, só pra ter aquele calafrio que se sente quando surge uma paixãozinha platônica de criança. Você me faz sentir como uma criança. Sorrio levemente ao erguer sua foto até perto do meu peito que pula, quero ter você para todo o sempre. Então eu me lembro de novo da mesa de comida que eu preparei pra você, à qual eu sentei e comi sozinho. Lembro da bicicleta de dois lugares pesada que me deu tanto trabalho pra pedalar sem a ajuda de ninguém. Lembro do piquenique que eu preparei pra nós dois, eu não toquei na comida que tinha levado pra você. Sorrio inocentemente como uma grávida sem marido.
Pequeno poema em prosa
Sim, é verdade, quando eu ouvi a merda da música linda eu me lembrei de você.
E daí? Não quero saber desse amor que não passa de uma bajulação fútil do menino prodígio que fala francês e italiano antes da maioridade hipócrita. Queria sinceramente ter o poder extraordinário de ser livre para pensar o que quisesse na bênção da ignorância. Desculpe por não poder pensar. É que as hidroxilas estão pulando no meu pobre e pequeno cerebrozinho. O vício na palavra desvirtua as pessoas de bem. E é mesmo por isso que eu imito Baudelaire e escrevo meu paraíso artificial mais lindo, que é a sobriedade da opinião do mundo adormecido e entorpecido e insosso. Se ao menos as populações esquecessem os tempos e os futuros e os presentes e os passados e suas dúvidas e medos e receios e poemas velhos e casos amorosos o mundo poderia talvez às vezes ser melhor. Não quero querer mais nada, na verdade.
O problema é que eu não consigo, o cheiro de jasmim das putas de nova orleans é mais forte que a gravidade do buraco negro que compôs o melhor blues.
E daí? Não quero saber desse amor que não passa de uma bajulação fútil do menino prodígio que fala francês e italiano antes da maioridade hipócrita. Queria sinceramente ter o poder extraordinário de ser livre para pensar o que quisesse na bênção da ignorância. Desculpe por não poder pensar. É que as hidroxilas estão pulando no meu pobre e pequeno cerebrozinho. O vício na palavra desvirtua as pessoas de bem. E é mesmo por isso que eu imito Baudelaire e escrevo meu paraíso artificial mais lindo, que é a sobriedade da opinião do mundo adormecido e entorpecido e insosso. Se ao menos as populações esquecessem os tempos e os futuros e os presentes e os passados e suas dúvidas e medos e receios e poemas velhos e casos amorosos o mundo poderia talvez às vezes ser melhor. Não quero querer mais nada, na verdade.
O problema é que eu não consigo, o cheiro de jasmim das putas de nova orleans é mais forte que a gravidade do buraco negro que compôs o melhor blues.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
O confiteor do rejeitado
Chute pra longe a bengala
sobre a qual o ano se escora
e caminhe pelas sendas
da minha voz.
Esqueça
o famigerado tempo
e engula
o purificado coração.
Suas juras de amor e medo
são um segredo
do qual desconheço
a razão.
Busque no céu a verdade
na noite de lua nova
e não perceba que ela
não é mais que a fútil ausência.
O ponteiro é maquinista
da locomotiva louca
que o seu sentir emana
sob o silêncio
da quase aurora.
Mas eu conheço um atalho.
Vamos a pé lentamente
como dois eremitas cansados...
Meu amor grahambelliano,
confesso que sua presença
é uma grande madrugada.
sobre a qual o ano se escora
e caminhe pelas sendas
da minha voz.
Esqueça
o famigerado tempo
e engula
o purificado coração.
Suas juras de amor e medo
são um segredo
do qual desconheço
a razão.
Busque no céu a verdade
na noite de lua nova
e não perceba que ela
não é mais que a fútil ausência.
O ponteiro é maquinista
da locomotiva louca
que o seu sentir emana
sob o silêncio
da quase aurora.
Mas eu conheço um atalho.
Vamos a pé lentamente
como dois eremitas cansados...
Meu amor grahambelliano,
confesso que sua presença
é uma grande madrugada.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Sonolento ou melancólico
É o início de um sábado feio
e a vontade de escrever um poema
veio
mas
apesar de tudo
eu creio
que o maior poema desse sábado
é o colchão com o cobertor
e eu
no meio.
e a vontade de escrever um poema
veio
mas
apesar de tudo
eu creio
que o maior poema desse sábado
é o colchão com o cobertor
e eu
no meio.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Poema finito
Não sei falar não-sei-quê
aqui minha barba coça
a manhã hoje nasceu azul
mas amanhã talvez nasça cinza.
O carbono me deu minha vida
mas depois não vou saber mais
até o saber fica preto
se preto for cor de paciência.
Ciência é igual a penitência
penitência é igual a ritual
ritual é só cotidiano
e ser humano é ser animal.
Seremos nós coacervados?
Poeira transcendental?
Eu sou retrogosto da aurora
você, assassina do tempo
do tempo nas praias do sul.
Atrás das lentes dos óculos,
caminho olhando pra tudo
caminho com cara tranqüila
e tiro os óculos pra não ver.
O avião tem muitos olhares
e olha meu quarto de noite
porque dentro da minha janela
minha cama é infinita
mas avião é já urubu
e passageiro é quase carniça.
Tudo está em minha volta
e eu estou aqui no meio.
Os fins justificam os meios.
Mas o que é que justifica os fins?
aqui minha barba coça
a manhã hoje nasceu azul
mas amanhã talvez nasça cinza.
O carbono me deu minha vida
mas depois não vou saber mais
até o saber fica preto
se preto for cor de paciência.
Ciência é igual a penitência
penitência é igual a ritual
ritual é só cotidiano
e ser humano é ser animal.
Seremos nós coacervados?
Poeira transcendental?
Eu sou retrogosto da aurora
você, assassina do tempo
do tempo nas praias do sul.
Atrás das lentes dos óculos,
caminho olhando pra tudo
caminho com cara tranqüila
e tiro os óculos pra não ver.
O avião tem muitos olhares
e olha meu quarto de noite
porque dentro da minha janela
minha cama é infinita
mas avião é já urubu
e passageiro é quase carniça.
Tudo está em minha volta
e eu estou aqui no meio.
Os fins justificam os meios.
Mas o que é que justifica os fins?
sábado, 15 de dezembro de 2007
Absoluta
Não me importa
essa brancura na sua cara
que me olha com a falsidade de olhos doces
que dizem que um dia me amaram
com a fragilidade de um torrão de açúcar
sob a chuva imaculada da madrugada.
Não reconheço
a transparência das suas imagens
nem reconheço
a virtude da sua essência
dissimulada.
Não acredito em nada
que venha da cor dos seus cabelos.
Não reconheço a futilidade da sua alma
que me olha
e me vê com olhos
de ressaca.
Não quero saber da sua presença.
Quero que você se torne verdade.
Sei que não vejo em você a verdade
mas a verdade mora dentro de você.
Minha relatividade
caiu de uma altura astronômica
e fez um buraco no chão
onde foram enterradas minhas opiniões idiotas
sobre coisas que o mundo
nunca me ensinou.
Não quero aprender você.
Você não é uma verdade.
Quero que caia sua máscara
de opiniões fúteis
e inúteis
para que eu aprenda esse amor
como verdade absoluta.
essa brancura na sua cara
que me olha com a falsidade de olhos doces
que dizem que um dia me amaram
com a fragilidade de um torrão de açúcar
sob a chuva imaculada da madrugada.
Não reconheço
a transparência das suas imagens
nem reconheço
a virtude da sua essência
dissimulada.
Não acredito em nada
que venha da cor dos seus cabelos.
Não reconheço a futilidade da sua alma
que me olha
e me vê com olhos
de ressaca.
Não quero saber da sua presença.
Quero que você se torne verdade.
Sei que não vejo em você a verdade
mas a verdade mora dentro de você.
Minha relatividade
caiu de uma altura astronômica
e fez um buraco no chão
onde foram enterradas minhas opiniões idiotas
sobre coisas que o mundo
nunca me ensinou.
Não quero aprender você.
Você não é uma verdade.
Quero que caia sua máscara
de opiniões fúteis
e inúteis
para que eu aprenda esse amor
como verdade absoluta.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Pós-lunático
Não se foque na recaída
pois minha vida
não diz mais nenhum respeito a você.
Certos comportamentos errados
não merecem respeito.
Carrego no peito um coração
com veias, artérias e afins.
(Os fins me ensinam um jeito
de achar a realidade palpável.)
Um novo início é o marco
da minha nova fuga para o leste
não me teste, sou bomba
e posso explodir a qualquer momento
na sua linda cara
de pau.
O satélite natural da Terra
não me comove nem com dez litros de conhaque.
pois minha vida
não diz mais nenhum respeito a você.
Certos comportamentos errados
não merecem respeito.
Carrego no peito um coração
com veias, artérias e afins.
(Os fins me ensinam um jeito
de achar a realidade palpável.)
Um novo início é o marco
da minha nova fuga para o leste
não me teste, sou bomba
e posso explodir a qualquer momento
na sua linda cara
de pau.
O satélite natural da Terra
não me comove nem com dez litros de conhaque.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Carta
A necessidade de escrevê-la venceu o cansaço e a vontade inadiável de mergulhar no mundo distorcido dos sonhos e me trouxe até aqui. Não sei o que dizer, nunca sei o que dizer quando alguém chora e eu me vejo ali, inútil, inábil na tarefa instintiva de trazer de volta açúcar onde se fez café, de trazer olhar onde se fez remorso, mera ternura onde se fez angústia. Não importa o que passou porque o mundo é presente e somos muito jovens ainda. Temos, mesmo assim, o coração surrado de dois apaixonados incompreendidos. Não apaixonados pela concepção de estar apaixonados no momento um pelo outro como se o céu fosse mais azul e as borboletas cantassem uma canção em tons maiores, menores, ou jobins. Não apaixonados pelo calafrio, pela vontade impossível, pelo beijo inconcluso graças ao despertador insensível. Não estamos apaixonados: o fato, a convicção. Somos dois apaixonados pelo sempre e pelo muito e amiúde, e somos apaixonados pelo nunca e temos como único inimigo mesmo o tempo sem coração. E talvez por isso, talvez apesar disso, talvez por nada eu tenha vontade de conhecer tanto beijo roubado, tanto canto falhado, tanto verso a quatro mãos que no fim resulta de péssimo gosto, e talvez por tudo isso me venha assim tão subitamente a vontade de escrevê-la tão real e palpável. Se ao menos uma noite das que tive pudesse virar real por cinco minutos. Se ao menos um dos meus poemas enfadonhos criasse vida e criasse asas e fosse parar no lugar certo na hora exata e tolhesse de você a lágrima para dar-lhe sorriso, nem precisava ser dos que mostram os dentes. Mas minha presença é talvez tão útil como a de um corrimão de escada. Talvez mesmo eu seja um baita de um corrimão. Não se iluda. Para cada talvez sim do mundo existe também um talvez não. Não dá pra perceber em uma carta, mas nesse exato momento eu parei para suspirar fundo; meus suspiros são combustível para a alma? Depois de tanto buscar, acho que não encontrei o significado de amor, palavra tão dispensável. Não quero, na verdade, saber o certo do amor, amor não é certo, nem errado, porque o amor é verdadeiro, e quanto à verdade, ela não é certa nem é errada. Será que eu me arrependeria de dizê-la mais uma vez que a amo? Provavelmente não. Muito provavelmente não. Não. Talvez não. Talvez sim. Talvez eu preferisse deixar de lado a palavra e mostrar-lhe o meu conceito de amor. Meu conceito balanceadamente altruísta de amor, altruísta pra fora, com um saudável egoísmo trancado do lado de dentro. Amor é momento porque amor é eterno, e a eternidade é uma sucessão de momentos em velocidades assustadoras. Por mais que eu fale, mais tenho a falar. Amor é fogo que arde, se vê, se sente o cheiro, o gosto, que queima, e dói pra caramba. Ter um filho, dizem, também dói. Se não doesse não teria tanto valor no mercado. Esse é o grande problema da atualidade. Eu amo você demais, e sou piegas, sim, e falo isso tudo, sim, e sou poeta, sim, não importa se menor, maior, médio, P, M ou G. Na verdade eu queria ser um poeta bem pequenininho, pra caber no seu dedinho como aliança do amor simples e sem necessidade de correspondência. Sou um grande sofredor porque essa é minha sina de exilado do mundo dos apaixonados pouco complicados. Siga seu rumo e faça o que quiser. Estarei aqui com a liberdade de ser beijado em segredo por um ser que nada carrega de lindo ou encantador, porque exala tudo e deixa tudo quando passa. Sua beleza simples e perfumada é minha. Eu sou o dono da noite, das estrelas e da lua. Sou o mestre de Florbela, de Vinicius, pois eu que sinto e eu que minto e eu que choro em segredo para que o sal saia no pranto e sobre mais espaço pra sua doçura em mim. Sei que corro perigo por ser louco ou por amar. Corro sério perigo. Mas o mundo te quer sorrindo. E eu te quero sorrindo junto de mim. Quando for conveniente, amor, ou quando se fizer necessário. Não posso mentir ao dizer (sim, clichê)
Amo você.
Amo você.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Hedonismo
A partir de agora, não fale em voz alta jamais.
Com os lábios bem fechados
e os olhos sem olhar nada que seja matéria,
seja lentamente absorvido pelo mundo
dos pequenos barulhos.
Silêncio.
Um cachorro numa casa próxima.
Um carro passando,
dois carros passando,
um caminhão.
Uma buzina.
A porta fechando.
O vento balançando a cortina.
Um rangido de metais na rua
panelas sendo guardadas na cozinha.
O começo de uma chuva leve que logo pára.
O vento balançando um papel
o som tedioso de uma moto.
A conversa do porteiro com a empregada do vizinho.
O colchão ao movimento das pernas.
O pé afagando uma almofada.
O sussurro do lápis contando besteiras ao papel.
A luz que parece palmas.
As nuvens e seus farfalhares de asas.
A bossa nova da lua violonista.
O chamado do cheiro da comida.
As ondas e as marés da saliva.
O namoro entre os tijolos.
O cimento ciumento entre eles.
Um martelo.
O martelo do zelador
tum tum tum
consertando alguma coisa
tem conserto?
tum tum tum
tum tum tum
um coração
Com os lábios bem fechados
e os olhos sem olhar nada que seja matéria,
seja lentamente absorvido pelo mundo
dos pequenos barulhos.
Silêncio.
Um cachorro numa casa próxima.
Um carro passando,
dois carros passando,
um caminhão.
Uma buzina.
A porta fechando.
O vento balançando a cortina.
Um rangido de metais na rua
panelas sendo guardadas na cozinha.
O começo de uma chuva leve que logo pára.
O vento balançando um papel
o som tedioso de uma moto.
A conversa do porteiro com a empregada do vizinho.
O colchão ao movimento das pernas.
O pé afagando uma almofada.
O sussurro do lápis contando besteiras ao papel.
A luz que parece palmas.
As nuvens e seus farfalhares de asas.
A bossa nova da lua violonista.
O chamado do cheiro da comida.
As ondas e as marés da saliva.
O namoro entre os tijolos.
O cimento ciumento entre eles.
Um martelo.
O martelo do zelador
tum tum tum
consertando alguma coisa
tem conserto?
tum tum tum
tum tum tum
um coração
Conto
Chegou em casa cansada,
afrouxou o cinto,
tomou um copo d'água,
tirou os sapatos,
sentou no sofá.
Depois tirou a roupa,
entrou no banheiro,
ligou o chuveiro,
demorou um pouco,
fechou o registro,
enxugou-se.
Vestiu o pijama,
foi até a cozinha,
tomou outro copo d'água,
foi até o quarto,
deitou-se na cama,
cobriu-se
e morreu.
afrouxou o cinto,
tomou um copo d'água,
tirou os sapatos,
sentou no sofá.
Depois tirou a roupa,
entrou no banheiro,
ligou o chuveiro,
demorou um pouco,
fechou o registro,
enxugou-se.
Vestiu o pijama,
foi até a cozinha,
tomou outro copo d'água,
foi até o quarto,
deitou-se na cama,
cobriu-se
e morreu.
domingo, 18 de novembro de 2007
Divagações
Eu olho pro mundo
grande
por cima do muro da minha casa.
O muro da minha casa é a maior edificação
já construída pelo homem.
O muro da minha casa é a concha
dentro da qual fica a pérola
que é a minha casa.
O mundo é muito grande
mas minha casa é pequena
embora eu ache que minha casa é um mundo.
Minha casa é de fato um mundo
e todas as casas são pequenos mundos
porque todos os muros são como o vácuo
que separa os planetas.
Minha casa, então, é um mundo pequenininho
nesse mundo aí fora
grande
isso é fato.
Mas dá vontade de mudar de idéia
quando olho o galho do umbucajazeiro
ignorando o muro da minha casa
e indo firme pro quintal do vizinho.
grande
por cima do muro da minha casa.
O muro da minha casa é a maior edificação
já construída pelo homem.
O muro da minha casa é a concha
dentro da qual fica a pérola
que é a minha casa.
O mundo é muito grande
mas minha casa é pequena
embora eu ache que minha casa é um mundo.
Minha casa é de fato um mundo
e todas as casas são pequenos mundos
porque todos os muros são como o vácuo
que separa os planetas.
Minha casa, então, é um mundo pequenininho
nesse mundo aí fora
grande
isso é fato.
Mas dá vontade de mudar de idéia
quando olho o galho do umbucajazeiro
ignorando o muro da minha casa
e indo firme pro quintal do vizinho.
domingo, 11 de novembro de 2007
A crueldade da dúvida
Um par de lágrimas
e minha sólida condição de estar no mundo.
Não preciso de mais nada para sentir sua presença
do meu lado, incauta no covil da besta
da hipótese bruta e estúpida
do amor.
E é por isso, confesso,
que meu olhar destila
a água desse mar que me faz tão diminuído
e sobre a qual ela se deita
para me fazer chorar no paraíso.
E talvez seja nitidamente seu rosto
que me faça morrer da próxima vez
não sei, tudo está em minhas mãos
quando perco tudo, não faço a menor idéia
talvez seus pretextos de proximidade
sejam o epitáfio na minha lápide irreal
de um futuro que, por ironia do tempo e da dúvida,
eu amargamente desconheço.
Talvez eu queira morrer, não nego,
mas a dúvida do que seria um amanhã
me faz um covarde e um cretino.
Não posso acreditar em nenhuma palavra dela
nela não me atrevo a confiar, não posso
mas faço o que ela me propõe cegamente.
Quieto vou ficar em meu canto com minhas traças,
meus papéis carcomidos na primeira gaveta,
minhas lembranças sem certeza de um passado feliz,
não quero te acordar quando você tenta tanto dormir.
Não, não vou dormir, não, eu tenho medo do escuro.
Quero mastigar um Drummond bem mastigadinho
e engolir bem devagarinho, gosto de letra
e palavra é bom, só assim fico acordado.
Quando sua porta se abriu eu entrevi uma angústia
que me chamava de nome de primeiro namorado.
Me acordem depressa se eu cair no sono.
Estou com um medo enorme de sonhar.
E naquele dia era noite, e a brisa era de verão
e vinha do nascente procurando o sol no poente
onde ele se enfiou. Ela veio e me apunhalou
eu era pra ela um saco sem ossos.
Seguramente tiro forças de olhar pra ela,
como o condenado tira forças de seu assassino
lutando com medo de morrer.
Juro sob a boca calada dessa noite de vento
que secretamente morro de medo de morrer.
Ela me vê viver, e minha poesia surrada
é, para ela, um laboratório da minha existência.
Eu não quero que importe, o mundo todo com todos os países
não importa, as cores não importam,
a Geração não importa, o perfume supérfluo
não importa, como não importa sua vontade muda de fugir.
Não tenho vocação para mártir e não sou poeta maior.
O universo é, pra mim, uma restrição à liberdade.
As leis da física são uma prisão no meio do limbo
e as vontades desse amor mimado são a porcaria da chave.
Maus dizeres e desdizeres
meus, ratos da minha subsistência negada
sou um ridículo alfaiate que não sabe nem
fazer uma roupa nova para a palavra do papel.
Más opiniões sobre o que não sei e sobre o que sei
porque tenho que ter alguma, sem opinião não se fazem
doze horas de um dia bom de domingo em novembro.
Quero decretar que o presidente tem que cantar e dançar
todos os dias na tevê pra me animar com sua pança
pois nossa dança aqui é dois pra lá e dois pra cá.
Vamos andar pela sombra pra não exaltar a fúria
do namorado solitário, da mulher que separou-se,
da garota que foi trocada, do impotente.
Fale baixo ou não fale nada pra não fazer
caírem mais ciscos nos meu olhos de pálpebras pesadas.
Meu verso longo é um fluxo do que penso
mas eu não penso mais porque pra nós pensar é crime
hediondo e inafiançável com pena de um beijo a menos
no dia vinte-e-seis de novembro, que, se bem me lembro,
é o dia em que o mundo foi criado por um Deus caladão.
Mas, olhe, minhas vontades interessam, sim,
então me chantageie porque eu te deixo
me bata porque eu permito
acabe com a minha raça porque eu quero fugir
pra longe dessa Pasárgada republicana.
Não tenho grandes interesses e não sou amigo do rei.
E eu poderia voltar e escrever anástrofes
e apóstrofes e elipses mentais mas
minha simplicidade é fruto de samba até mais tarde
e muito sono de manhã, mas que diabos é amor?
É o tipo de coisa que dá no coração de repente
é fulminante, é sufocante, mata, dói.
Não, enfarte não dói no coração.
Amor dói.
e minha sólida condição de estar no mundo.
Não preciso de mais nada para sentir sua presença
do meu lado, incauta no covil da besta
da hipótese bruta e estúpida
do amor.
E é por isso, confesso,
que meu olhar destila
a água desse mar que me faz tão diminuído
e sobre a qual ela se deita
para me fazer chorar no paraíso.
E talvez seja nitidamente seu rosto
que me faça morrer da próxima vez
não sei, tudo está em minhas mãos
quando perco tudo, não faço a menor idéia
talvez seus pretextos de proximidade
sejam o epitáfio na minha lápide irreal
de um futuro que, por ironia do tempo e da dúvida,
eu amargamente desconheço.
Talvez eu queira morrer, não nego,
mas a dúvida do que seria um amanhã
me faz um covarde e um cretino.
Não posso acreditar em nenhuma palavra dela
nela não me atrevo a confiar, não posso
mas faço o que ela me propõe cegamente.
Quieto vou ficar em meu canto com minhas traças,
meus papéis carcomidos na primeira gaveta,
minhas lembranças sem certeza de um passado feliz,
não quero te acordar quando você tenta tanto dormir.
Não, não vou dormir, não, eu tenho medo do escuro.
Quero mastigar um Drummond bem mastigadinho
e engolir bem devagarinho, gosto de letra
e palavra é bom, só assim fico acordado.
Quando sua porta se abriu eu entrevi uma angústia
que me chamava de nome de primeiro namorado.
Me acordem depressa se eu cair no sono.
Estou com um medo enorme de sonhar.
E naquele dia era noite, e a brisa era de verão
e vinha do nascente procurando o sol no poente
onde ele se enfiou. Ela veio e me apunhalou
eu era pra ela um saco sem ossos.
Seguramente tiro forças de olhar pra ela,
como o condenado tira forças de seu assassino
lutando com medo de morrer.
Juro sob a boca calada dessa noite de vento
que secretamente morro de medo de morrer.
Ela me vê viver, e minha poesia surrada
é, para ela, um laboratório da minha existência.
Eu não quero que importe, o mundo todo com todos os países
não importa, as cores não importam,
a Geração não importa, o perfume supérfluo
não importa, como não importa sua vontade muda de fugir.
Não tenho vocação para mártir e não sou poeta maior.
O universo é, pra mim, uma restrição à liberdade.
As leis da física são uma prisão no meio do limbo
e as vontades desse amor mimado são a porcaria da chave.
Maus dizeres e desdizeres
meus, ratos da minha subsistência negada
sou um ridículo alfaiate que não sabe nem
fazer uma roupa nova para a palavra do papel.
Más opiniões sobre o que não sei e sobre o que sei
porque tenho que ter alguma, sem opinião não se fazem
doze horas de um dia bom de domingo em novembro.
Quero decretar que o presidente tem que cantar e dançar
todos os dias na tevê pra me animar com sua pança
pois nossa dança aqui é dois pra lá e dois pra cá.
Vamos andar pela sombra pra não exaltar a fúria
do namorado solitário, da mulher que separou-se,
da garota que foi trocada, do impotente.
Fale baixo ou não fale nada pra não fazer
caírem mais ciscos nos meu olhos de pálpebras pesadas.
Meu verso longo é um fluxo do que penso
mas eu não penso mais porque pra nós pensar é crime
hediondo e inafiançável com pena de um beijo a menos
no dia vinte-e-seis de novembro, que, se bem me lembro,
é o dia em que o mundo foi criado por um Deus caladão.
Mas, olhe, minhas vontades interessam, sim,
então me chantageie porque eu te deixo
me bata porque eu permito
acabe com a minha raça porque eu quero fugir
pra longe dessa Pasárgada republicana.
Não tenho grandes interesses e não sou amigo do rei.
E eu poderia voltar e escrever anástrofes
e apóstrofes e elipses mentais mas
minha simplicidade é fruto de samba até mais tarde
e muito sono de manhã, mas que diabos é amor?
É o tipo de coisa que dá no coração de repente
é fulminante, é sufocante, mata, dói.
Não, enfarte não dói no coração.
Amor dói.
Poeminha de portão
Cantando um Buarque
Com cara feliz
Me fez ir à lua
Com beijo roubado
Me deu redondilha
Jogou a manilha
Manilha de paus
Já sabe que é sua
A minha poesia
Estou apaixonado
Não vou falar mais.
Com cara feliz
Me fez ir à lua
Com beijo roubado
Me deu redondilha
Jogou a manilha
Manilha de paus
Já sabe que é sua
A minha poesia
Estou apaixonado
Não vou falar mais.
sábado, 10 de novembro de 2007
Sudorese a dois
Não é não
Não é não e não e não
Não se trata de paixão
Não é emoção
Não, não é tesão
A pele repele qualquer coisa
Que não seja atração
Me dê a mão
Silenciosamente
Muito lentamente
Doentemente
O olho quer devorar
Quer deglutir
Quer mergulhar
Olhar
Jamais falar
Me dê a mão
Não saiba se é tarde
Ou não
O pão
Espera pra depois
Nós dois
Em transe
O trânsito irreal
Longe daqui
Respiração
Ou a brisa do sul
Não sei de mais nada
Transpiração
Ação
Cheiro de caju
Fumaça
Suor
Meus ouvidos estão
Cheios
De música?
Nossa dança
Me perdi do mundo
A curva do mundo
É seu quadril
Seu corpo balança
Anacronicamente
Cheiro de seus cabelos
Invadindo minha cara
Cadê a luz?
O sol se foi com pudor
A lua branca parou
Pra te olhar
Com um brilho frio
Vazio
Nós somos o tango
Não pare
Seus olhos meio verdes
São a porta do inferno
É quente
Quente
Ferve
Você me seduz
Com verve
Sua boca tem sabor
De caju
E de álcool
Dançarina
De cabaré
Numa casa burguesa
Da zona sul
Esquecemos o mundo
O mundo não nos esqueceu
Esqueça
Torpor
Não amor
Amor é pros fracos
Nós fomos mais
E somos
Seus olhos fechando
São eternos
Nós fomos
Olho
E pele
Slowmotion
Longamente
Demoradamente
Lentamente
O olho
A pele
A boca
A mão
O não
Não
Esqueça.
Não é não e não e não
Não se trata de paixão
Não é emoção
Não, não é tesão
A pele repele qualquer coisa
Que não seja atração
Me dê a mão
Silenciosamente
Muito lentamente
Doentemente
O olho quer devorar
Quer deglutir
Quer mergulhar
Olhar
Jamais falar
Me dê a mão
Não saiba se é tarde
Ou não
O pão
Espera pra depois
Nós dois
Em transe
O trânsito irreal
Longe daqui
Respiração
Ou a brisa do sul
Não sei de mais nada
Transpiração
Ação
Cheiro de caju
Fumaça
Suor
Meus ouvidos estão
Cheios
De música?
Nossa dança
Me perdi do mundo
A curva do mundo
É seu quadril
Seu corpo balança
Anacronicamente
Cheiro de seus cabelos
Invadindo minha cara
Cadê a luz?
O sol se foi com pudor
A lua branca parou
Pra te olhar
Com um brilho frio
Vazio
Nós somos o tango
Não pare
Seus olhos meio verdes
São a porta do inferno
É quente
Quente
Ferve
Você me seduz
Com verve
Sua boca tem sabor
De caju
E de álcool
Dançarina
De cabaré
Numa casa burguesa
Da zona sul
Esquecemos o mundo
O mundo não nos esqueceu
Esqueça
Torpor
Não amor
Amor é pros fracos
Nós fomos mais
E somos
Seus olhos fechando
São eternos
Nós fomos
Olho
E pele
Slowmotion
Longamente
Demoradamente
Lentamente
O olho
A pele
A boca
A mão
O não
Não
Esqueça.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Os Malditos
Sim, mortais é o que somos
Somos mil anjos caídos
Somos loucos desvalidos
Filhos pródigos do escuro
Não se sabe donde viemos
Nem se crê nos nossos planos
Nossos olhos vêem mais longe
Nossos passos são incertos
Nossas lágrimas são doces
E os corações, feridos
Carregamos cicatrizes
Nossos pés são doloridos
Nosso mundo é muito grande
Permaneçamos unidos
Nos perdemos facilmente
Numa amante ou num amigo
Nos olhamos ao espelho
Para achar algum sorriso
Nos achamos entre coxas
Procurando algum abrigo
Temos coleções ocultas
De papéis e de arquivos
Digerimos a palavra
Nessa merda de lirismo
Somos fiéis a nossos mestres
Que se foram mais felizes
Repetimos os seus feitos
De heróis do cotidiano
Somos monstros do armário
Somos santos esquecidos
Nos perdemos entre os goles
Do veneno mais querido
Somos grandes, somos fortes
Porém corremos perigo
Somos velhos sem ter filhos
Somos jovens namorados
Somos fados, somos sambas
De ilusão fomos criados
Temos uma dor no peito
E amor nos olhos cansados
Somos nobres com defeito
Somos poetas sem um tempo
Nos vemos como sementes
Dessa partenocarpia
Vivemos debaixo da terra
Não vemos a luz do dia
Somos todos nós nutridos
Por Andrades do passado
Entre tantos sobrenomes
Os nossos foram pichados
Somos filhos da palavra
De vinte-e-dois e de agora
Somos vermes que aeram
A terra da flor do Lácio
Somos o momento efêmero
Que nos reservou o tempo
Sim, mortais é o que somos
Mas seremos gado grande
Pois nós somos os bezerros
Dessa Quarta Geração.
Somos mil anjos caídos
Somos loucos desvalidos
Filhos pródigos do escuro
Não se sabe donde viemos
Nem se crê nos nossos planos
Nossos olhos vêem mais longe
Nossos passos são incertos
Nossas lágrimas são doces
E os corações, feridos
Carregamos cicatrizes
Nossos pés são doloridos
Nosso mundo é muito grande
Permaneçamos unidos
Nos perdemos facilmente
Numa amante ou num amigo
Nos olhamos ao espelho
Para achar algum sorriso
Nos achamos entre coxas
Procurando algum abrigo
Temos coleções ocultas
De papéis e de arquivos
Digerimos a palavra
Nessa merda de lirismo
Somos fiéis a nossos mestres
Que se foram mais felizes
Repetimos os seus feitos
De heróis do cotidiano
Somos monstros do armário
Somos santos esquecidos
Nos perdemos entre os goles
Do veneno mais querido
Somos grandes, somos fortes
Porém corremos perigo
Somos velhos sem ter filhos
Somos jovens namorados
Somos fados, somos sambas
De ilusão fomos criados
Temos uma dor no peito
E amor nos olhos cansados
Somos nobres com defeito
Somos poetas sem um tempo
Nos vemos como sementes
Dessa partenocarpia
Vivemos debaixo da terra
Não vemos a luz do dia
Somos todos nós nutridos
Por Andrades do passado
Entre tantos sobrenomes
Os nossos foram pichados
Somos filhos da palavra
De vinte-e-dois e de agora
Somos vermes que aeram
A terra da flor do Lácio
Somos o momento efêmero
Que nos reservou o tempo
Sim, mortais é o que somos
Mas seremos gado grande
Pois nós somos os bezerros
Dessa Quarta Geração.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Grito
Não.
Não vou lhe falar
porque você não me dá motivos.
Outra vez você se fechou
e parece que não me ouve bater
na sua porta.
Não vá muito longe, sou míope.
Calíope, Melpômene, não sei
eu acabei por sublimar-me
como um monge.
Você pediu com um olhar
vou ficar
calado.
Não peça desculpas.
Por trás dessa cara
tem alguém que já viveu as porcarias
da dor
e do amor.
Não vou lhe falar
porque você não me dá motivos.
Outra vez você se fechou
e parece que não me ouve bater
na sua porta.
Não vá muito longe, sou míope.
Calíope, Melpômene, não sei
eu acabei por sublimar-me
como um monge.
Você pediu com um olhar
vou ficar
calado.
Não peça desculpas.
Por trás dessa cara
tem alguém que já viveu as porcarias
da dor
e do amor.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Preâmbulo
Ai de alguém aí fora que me diga que entende tanto pormenor estilístico da linguagem sem gramática que a gente acha no coração do homem. E cale a boca se for falar de sinapses nervosas, hemisférios cerebrais e neurotransmissores. Quero que venha alguém e diga que são processos biológicos o que aquela linda maldita o fez sentir. Ele que leu aqueles versos e sentiu vontade de chorar, ela que ouviu aquela canção depois da briga e de fato chorou, e eu que sou um baita dum intrometido e que sou um pouco gente também e falo pra vocês que eu também chorei no fim dessa historinha que nem ainda foi escrita, somos nós fadados à ciência? Perdoe minha prolixidade, mas é que toda essa besteira de sentimentalismo e tal é um lixo prolixo, mas vá lá. Está valendo, mas só porque chorar faz bem aos pulmões, me disseram. Sei lá.
Só sei que eu não quero que esse friozinho na barriga não seja de verdade. Porque eu estou até gostando de contar o universo que há entre dois lábios de carne bem irrigada por veias e artérias fartas e suculentas, a saliva cheia de enzimas prontas para digerir o amor. E só digo universo porque não me veio à cabeça nada que parecesse maior que isso, embora eu saiba que haja. Falar de amor é bem complicado. E é até meio piegas repetir amor, amar, blá, blá, desculpe Drummond que disse que amar se aprende amando mas isso é coisa de novela das seis. Eu acho que dei sorte de ter nascido depois de 1922, ano em que aconteceu a menarca da palavra. E olhe que nesse tempo nem se sonhava com rock and roll e etecéteras sonoras. Mas bem que aquele pessoal valia um negócio daqueles de se jogar do palco e ser carregado por um mar morto de dedos que estavam não sei onde antes. Imagine o mundo sem poder falar plenamente do lado de dentro!
Mais uma vez, desculpa por perder o foco, mas é que eu gosto mesmo de falar. Palavra é vício, e não virtude.
Bom, era pra falar que este livro está a fim de me fazer ficar acordado na hora de dormir pra falar de coisas do coração. Não sou nenhum mestre, mas sei que tem dois átrios e dois ventrículos, e nem me pergunte mais. Talvez este folhetim aqui me ensine mais pra que eu não faça feio na argüição que haverá desde o fim deste leitura até além. Dizem que é bem difícil.
Será que eu saio com vida? Ai de quem vier dizer que não.
Bom-dia, prazer.
Só sei que eu não quero que esse friozinho na barriga não seja de verdade. Porque eu estou até gostando de contar o universo que há entre dois lábios de carne bem irrigada por veias e artérias fartas e suculentas, a saliva cheia de enzimas prontas para digerir o amor. E só digo universo porque não me veio à cabeça nada que parecesse maior que isso, embora eu saiba que haja. Falar de amor é bem complicado. E é até meio piegas repetir amor, amar, blá, blá, desculpe Drummond que disse que amar se aprende amando mas isso é coisa de novela das seis. Eu acho que dei sorte de ter nascido depois de 1922, ano em que aconteceu a menarca da palavra. E olhe que nesse tempo nem se sonhava com rock and roll e etecéteras sonoras. Mas bem que aquele pessoal valia um negócio daqueles de se jogar do palco e ser carregado por um mar morto de dedos que estavam não sei onde antes. Imagine o mundo sem poder falar plenamente do lado de dentro!
Mais uma vez, desculpa por perder o foco, mas é que eu gosto mesmo de falar. Palavra é vício, e não virtude.
Bom, era pra falar que este livro está a fim de me fazer ficar acordado na hora de dormir pra falar de coisas do coração. Não sou nenhum mestre, mas sei que tem dois átrios e dois ventrículos, e nem me pergunte mais. Talvez este folhetim aqui me ensine mais pra que eu não faça feio na argüição que haverá desde o fim deste leitura até além. Dizem que é bem difícil.
Será que eu saio com vida? Ai de quem vier dizer que não.
Bom-dia, prazer.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Recostando a cabeça ao travesseiro cuja boca me devora toda noite, me lembro, em pensamentos que sussurram em meus ouvidos, de você. Mas sem a dor do amor perdido, sem o sal do choro inútil, lembro sem precisar de consolo na poesia, lembro apenas. Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente. O vento passou, a onda se foi, a chuva se foi, o trovão se calou e sobrou apenas aquele silêncio que resta na boca do mundo depois de urrar contra os pecados dos homens. O sexo depois da briga. O sono depois do sexo. O cansaço depois da festa. É bom. Não me traz a necessidade de consolo, já que o consolo já é essa calmaria que me embala ante a correria dos homens. Já não preciso da esperança de um pobre-coitado. Você me libertou da sua camisa-de-força. Meus óculos descansando sobre a escrivaninha repleta de papéis ignorados me contam que eu não preciso mais enxergar ao longe. Aquilo que posso tocar me é suficiente. Seu amor é um capricho na boca de Deus. Seu amor é o ciúme do brinquedo preferido. Seu amor é o brinquedo preferido de Deus. E eu não preciso mais dos caprichos inúteis e forçosamente poéticos de jamais deixar de amá-la. Eu vim, vi, e agora posso dizer docemente que também venci. Andarei só pelos caminhos, eu posso sim andar só. Contemplo meus companheiros e abraço o presente com a doçura de um avô orgulhoso. Sou o avô do agora. Sou o filho do tempo. Sou o súdito do eterno. Mas sou o escravo do efêmero. E é com a cabeça recostada nesse travesseiro velho de guerra que eu encontro a chave que me liberta a consciência. E ela sai voando pra longe, em busca de um lugar onde eu possa fechar os olhos e sonhar em paz.
sábado, 28 de julho de 2007
Paradoxo (III)
Nessa noite nem tão fria e nem tão quente
Eu briguei com meu amor.
Nesses dias meu sangue vermelho
Vai lá pra a cabeça
E escreve a violência
Vai passar.
PUTA QUE PARIU!
Eu te amo.
Eu briguei com meu amor.
Nesses dias meu sangue vermelho
Vai lá pra a cabeça
E escreve a violência
Vai passar.
PUTA QUE PARIU!
Eu te amo.
Poema ruim
Talvez se ela me olhasse
Com cara de vem, meu bem
Eu entendesse que
Meu coração terminou
Vitorioso,
(Só você pra não conseguir
Que eu deixe de ser piegas)
Me explique por que motivo
Você veio
Se me quer daqui a pouco
Daqui a pouco não quero
Não quero estar aqui!
Então já que você me ama tanto
Arranje um jeito de me fazer
Cair fora do seu coração!
Porque eu quero a mais bonita
E quero a mais inteligente
E quero a de melhor humor
Ah e quero a engraçada
E também a poetisa
Quero a que tenha bunda
(Preferência nacional)
Quero a que não me confunda
E quero só mais uma coisa:
Quero que todas elas sejam
Uma só.
E quero agora!
Quero todos os queros do mundo
Porque a vingança do amor
É história de perdedor!
Não quero a fatalidade serena da lua
Porque esse sorrisinho me irrita!
Não quero suas desculpas elegantes
Ando de saco cheio da poesia
E dessa necessidade fútil de ter segurança
Venha ser feliz!
Não quer?
Ops, desculpe, tem que disfarçar
Não pode?
Então fique com seu homem
Ele te faz feliz
Te dá amor, carinho e carona
Te dá o thriller desse
Relacionamento cafajeste
Você gosta... não disfarce
Não dissimule, pode deixar
Eu sou uma pessoa volúvel
E não a amo mais,
Jornalistazinha de merda
(estou no quarto)
*
Acorde!
Nossa eternidade é curta!
Nosso infinito dura pouco
E talvez ele já tenha esmaecido
No Ano Que Vem
(adoro esse deus pagão)
Eu fui feito para T.
Para R.
Para F.
Para G.
E todas as outras
Menos você.
Então é adeus, né?
Se você quer assim,
Assim será
Vou embora, mas isso não é novela não!
Não volto nunca mais
Vou amar em horizontes
Que meu olhar não alcança
Vou beber das bebidas
Das quais eu nunca bebi
Vou falar as línguas
Vou beijar as línguas
Que jamais conheci
Vou amar como um bicho
Porque nosso amor
Passou da validade.
Se vier, venha rápido
Porque nosso amor está preso por uma algema.
Uma mão é o agora
A outra é o nunca mais
Só você tem a chave.
Com cara de vem, meu bem
Eu entendesse que
Meu coração terminou
Vitorioso,
(Só você pra não conseguir
Que eu deixe de ser piegas)
Me explique por que motivo
Você veio
Se me quer daqui a pouco
Daqui a pouco não quero
Não quero estar aqui!
Então já que você me ama tanto
Arranje um jeito de me fazer
Cair fora do seu coração!
Porque eu quero a mais bonita
E quero a mais inteligente
E quero a de melhor humor
Ah e quero a engraçada
E também a poetisa
Quero a que tenha bunda
(Preferência nacional)
Quero a que não me confunda
E quero só mais uma coisa:
Quero que todas elas sejam
Uma só.
E quero agora!
Quero todos os queros do mundo
Porque a vingança do amor
É história de perdedor!
Não quero a fatalidade serena da lua
Porque esse sorrisinho me irrita!
Não quero suas desculpas elegantes
Ando de saco cheio da poesia
E dessa necessidade fútil de ter segurança
Venha ser feliz!
Não quer?
Ops, desculpe, tem que disfarçar
Não pode?
Então fique com seu homem
Ele te faz feliz
Te dá amor, carinho e carona
Te dá o thriller desse
Relacionamento cafajeste
Você gosta... não disfarce
Não dissimule, pode deixar
Eu sou uma pessoa volúvel
E não a amo mais,
Jornalistazinha de merda
(estou no quarto)
*
Acorde!
Nossa eternidade é curta!
Nosso infinito dura pouco
E talvez ele já tenha esmaecido
No Ano Que Vem
(adoro esse deus pagão)
Eu fui feito para T.
Para R.
Para F.
Para G.
E todas as outras
Menos você.
Então é adeus, né?
Se você quer assim,
Assim será
Vou embora, mas isso não é novela não!
Não volto nunca mais
Vou amar em horizontes
Que meu olhar não alcança
Vou beber das bebidas
Das quais eu nunca bebi
Vou falar as línguas
Vou beijar as línguas
Que jamais conheci
Vou amar como um bicho
Porque nosso amor
Passou da validade.
Se vier, venha rápido
Porque nosso amor está preso por uma algema.
Uma mão é o agora
A outra é o nunca mais
Só você tem a chave.
O caminho para a distância
Mesmo sabendo-te, quero-te mais.
Então me ensina.
Me ensina a mergulhar nos teus olhos
Que a vida fez tão profundos
Me ensina a olhar soberbo como um gato
Pois sou poeta de olhar cachorro!
Me ensina a sentar com dignidade
A andar com majestade
Me ensina a ser poeta, amor!
Me ensina logo a enfunar o papo
E a me portar à mesa como barão
Mas, antes de tudo isso,
Disso tudinho,
Me ensina a viver a vida torta de um pagão!
Não.
Manda pôr arreios sobre meu Bucéfalo anabolizado
Manda polir minha espada de enfeite japonês
Porque debaixo desse olhar calado
Há um bicho feio,
Uma hidra,
Um dragão,
Um bicho-papão,
Um presidente do Senado Federal,
Um criatura que eu tenho que caçar.
Guinevere, cansei de amar-te.
Dessa vez a garota apressou-se em perguntar-lhe se ele a queria abandonar assim de sopetão, como a retórica aprendida com o namorado filósofo (aspas?) pregava, mas o poetinha (diminutivo de miudez mesmo) lhe disse que nada que ela não quisesse aconteceria de fato. Sinos de anjinhos no céu tocaram, os colibris de todo o mundo cantaram e ela pensou no amor que ainda podia receber para comer com farinha quando ninguém estivesse olhando.
Esse amor eu curo amando.
Não me ensina lições das tempestades
o mundo que te rodeia:
estou embasbacado diante da presença
da enorme realidade em que se deita
minha visão ruim.
Deixarei que veles minha jornada
e saibas por que meandros estarei
me dá banho com suas lágrimas.
Melhor, me dá um barquinho
Tenho medo desse futuro que parece
tão
grande.
Por favor, coloca pimenta-do-reino
na minha poesia, coloca sal grosso
o destino é tão longínquo
não te afastes mais
que a distância infinita de um abraço.
Não, coloca açúcar,
quero um gosto que me lembre de ti.
Te vejo em qualquer lugar
perto de doismilevinte.
Você não vai me mandar ir ao banheiro antes?
É longe...
Então me ensina.
Me ensina a mergulhar nos teus olhos
Que a vida fez tão profundos
Me ensina a olhar soberbo como um gato
Pois sou poeta de olhar cachorro!
Me ensina a sentar com dignidade
A andar com majestade
Me ensina a ser poeta, amor!
Me ensina logo a enfunar o papo
E a me portar à mesa como barão
Mas, antes de tudo isso,
Disso tudinho,
Me ensina a viver a vida torta de um pagão!
Não.
Manda pôr arreios sobre meu Bucéfalo anabolizado
Manda polir minha espada de enfeite japonês
Porque debaixo desse olhar calado
Há um bicho feio,
Uma hidra,
Um dragão,
Um bicho-papão,
Um presidente do Senado Federal,
Um criatura que eu tenho que caçar.
Guinevere, cansei de amar-te.
Dessa vez a garota apressou-se em perguntar-lhe se ele a queria abandonar assim de sopetão, como a retórica aprendida com o namorado filósofo (aspas?) pregava, mas o poetinha (diminutivo de miudez mesmo) lhe disse que nada que ela não quisesse aconteceria de fato. Sinos de anjinhos no céu tocaram, os colibris de todo o mundo cantaram e ela pensou no amor que ainda podia receber para comer com farinha quando ninguém estivesse olhando.
Esse amor eu curo amando.
Não me ensina lições das tempestades
o mundo que te rodeia:
estou embasbacado diante da presença
da enorme realidade em que se deita
minha visão ruim.
Deixarei que veles minha jornada
e saibas por que meandros estarei
me dá banho com suas lágrimas.
Melhor, me dá um barquinho
Tenho medo desse futuro que parece
tão
grande.
Por favor, coloca pimenta-do-reino
na minha poesia, coloca sal grosso
o destino é tão longínquo
não te afastes mais
que a distância infinita de um abraço.
Não, coloca açúcar,
quero um gosto que me lembre de ti.
Te vejo em qualquer lugar
perto de doismilevinte.
Você não vai me mandar ir ao banheiro antes?
É longe...
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Nem F. nem M.
Tenho estado acordado
Há luas a fio.
Insônia cansa.
Deixem-me descansar
Um pouco
Sozinho
Sozinho
Sozinho
Sem F.
Nem M.
Onde está o amor?
Há luas a fio.
Insônia cansa.
Deixem-me descansar
Um pouco
Sozinho
Sozinho
Sozinho
Sem F.
Nem M.
Onde está o amor?
Crave as unhas neste poema
Com você eu pularia de asa-delta
Da pedra da Gávea
Eu iria de nave à lua
E fecharia a chave a porta do céu
Por você eu correria num campo de trave a trave
Até cansar e ir-me embora pra a Moldávia
Eu diria ave a você e seu biquinho
Eu te levaria pra voar feito uma ave a
Algum lugar perto de um campo de algarve até
Achar tequila pra você
Feliz foi quando ao andar vi a sua imagem
Ah vi a sua carinha linda e rosada
Vi ela corar via recursos cosméticos
E deixar você ganhando de nove a zero
Dessas sem-graça que andam por aí.
Fofinha, falarei francamente com força
Sem te forçar ou ser forçoso que falta
Muito pouco pra eu te fazer feliz
E pra fazer você
Falar ave a mim.
Da pedra da Gávea
Eu iria de nave à lua
E fecharia a chave a porta do céu
Por você eu correria num campo de trave a trave
Até cansar e ir-me embora pra a Moldávia
Eu diria ave a você e seu biquinho
Eu te levaria pra voar feito uma ave a
Algum lugar perto de um campo de algarve até
Achar tequila pra você
Feliz foi quando ao andar vi a sua imagem
Ah vi a sua carinha linda e rosada
Vi ela corar via recursos cosméticos
E deixar você ganhando de nove a zero
Dessas sem-graça que andam por aí.
Fofinha, falarei francamente com força
Sem te forçar ou ser forçoso que falta
Muito pouco pra eu te fazer feliz
E pra fazer você
Falar ave a mim.
domingo, 15 de julho de 2007
Algumas estrofes de saudade
Não vou mentir pra você:
Eu sinto demais.
Mas o sentir só
E o se sentir só
Convivem em almoços de domingo
Com o sofrer.
Então eu me pergunto
Se além desses montes e desses lagos
E desses rios e desses mares
E dos lugares, e dos olhares
E das estradas, e das cidades
E das distâncias, e das moradas
E dessas matas, e das mulatas
E dessas ruivas, e das morenas
E dessas putas, Copacabana
E dessas praias, e dos estados
E das loirinhas, tão bonitinhas
Que se confundem com seus suspiros
Também os mundos, e os sentimentos
Que tiram folga do meu olhar
E das garotas, e monumentos
E da lonjura, e dos quilômetros
E dos quilômetros
E dos quilômetros
E dos quilômetros
Que nos separam nesse momento
Eu me pergunto
Do que você tem medo?
Pandeiro pandeiro
Pandeiro pandeiro
Cavaquinho chocalho
Cho-cho-cho-cho-chocalho
Cuíííííííca cuíííííííca
Saudade saudade
Confesso que a tenho
Mas, amor, não me deixe fugir
Porque tem sereias lindas
Rondando meus pensamentos
Nas ondas que vêm e vão
Na Barra da Tijuca.
Sei que posso me afogar, amor,
Mas a sereia é linda, linda
Eu te amo muito, amor,
Mas acontece que quando a sereia me afogar, amor
Ela vai afogar também minhas mágoas.
Eu sinto demais.
Mas o sentir só
E o se sentir só
Convivem em almoços de domingo
Com o sofrer.
Então eu me pergunto
Se além desses montes e desses lagos
E desses rios e desses mares
E dos lugares, e dos olhares
E das estradas, e das cidades
E das distâncias, e das moradas
E dessas matas, e das mulatas
E dessas ruivas, e das morenas
E dessas putas, Copacabana
E dessas praias, e dos estados
E das loirinhas, tão bonitinhas
Que se confundem com seus suspiros
Também os mundos, e os sentimentos
Que tiram folga do meu olhar
E das garotas, e monumentos
E da lonjura, e dos quilômetros
E dos quilômetros
E dos quilômetros
E dos quilômetros
Que nos separam nesse momento
Eu me pergunto
Do que você tem medo?
Pandeiro pandeiro
Pandeiro pandeiro
Cavaquinho chocalho
Cho-cho-cho-cho-chocalho
Cuíííííííca cuíííííííca
Saudade saudade
Confesso que a tenho
Mas, amor, não me deixe fugir
Porque tem sereias lindas
Rondando meus pensamentos
Nas ondas que vêm e vão
Na Barra da Tijuca.
Sei que posso me afogar, amor,
Mas a sereia é linda, linda
Eu te amo muito, amor,
Mas acontece que quando a sereia me afogar, amor
Ela vai afogar também minhas mágoas.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Poesia-medicina
de mim pra mim mesmo:
— Doutor,
Esse estetoscópio não tem regulagem de volume?
— Ô, rapaz,
Você acha que se tivesse eu tava fazendo poesia?
(— Será que dá pra amar mais baixo aí?
Brigado.)
— Doutor,
Esse estetoscópio não tem regulagem de volume?
— Ô, rapaz,
Você acha que se tivesse eu tava fazendo poesia?
(— Será que dá pra amar mais baixo aí?
Brigado.)
Poeminha com o controle na mão
Talvez você não tenha pago a TV por assinatura, amor,
(zap)
você muda, muda, muda de canal
(zap)
e é tudo a mesma porcaria.
Zap.
(zap)
você muda, muda, muda de canal
(zap)
e é tudo a mesma porcaria.
Zap.
Poema de Indiferença
Me dê a chave!
Você me prendeu ao pé da sua cama
E me alimentou de vontade.
Em porões incógnitos me torturou com beijos.
Não percebe as marcas?
Pelas costas covardemente me acerta um amor.
Me prende cruelmente com um abraço.
No fim do espetáculo,
Quando estou caído,
Você me vem com uma arma fatal:
Com esse sorrisinho na cara,
Tenta me assassinar
— Concorrência desleal.
Sua tortura quer arrancar amor de mim.
Mas já se foram todas as odes
Minha poesia escorreu pelo chão
Como a tinta da caneta cansada.
A lua no céu já não importa.
O coração quer estar seco.
O resto é cotidiano.
Mais um beijo desses e eu viro história.
Você me prendeu ao pé da sua cama
E me alimentou de vontade.
Em porões incógnitos me torturou com beijos.
Não percebe as marcas?
Pelas costas covardemente me acerta um amor.
Me prende cruelmente com um abraço.
No fim do espetáculo,
Quando estou caído,
Você me vem com uma arma fatal:
Com esse sorrisinho na cara,
Tenta me assassinar
— Concorrência desleal.
Sua tortura quer arrancar amor de mim.
Mas já se foram todas as odes
Minha poesia escorreu pelo chão
Como a tinta da caneta cansada.
A lua no céu já não importa.
O coração quer estar seco.
O resto é cotidiano.
Mais um beijo desses e eu viro história.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Alcuni pensieri inutili
Ma como me piaceva la tua grazia!
La tua voce si sviluppava piano piano
Nelle mie orecchie...
Io ho ascoltato tutte le tue parole
Senza bisogno de capire la tua verità
Cos'è la verità?
Forse la più profonda ed inutile
Parola di un bugiardo che muore
Per amare più che poteva.
Io, come un gnorri bambino,
Ho detto che capeva i tuoi occhi
Che cercavano il mondo e trovavano un deserto.
Non t'ho capito
Forse non te capirò
E starò qui con il mio cuore semplice
Forse completo, forse chiuso, forse morto
Starò qui aspettando il cielo piuvere
Su di me!
Ragazzina dolce che non m'ha amato,
Così io non vederò la luna
Ed io voglio questo, e voglio adesso, già!
Io sto nella mia camera da letto
Dormendo per me dimenticare di te.
Sono uscito dal tuo mondo che s'ha diventato inutile.
Amore, io sono morto
Per dovere scegliere
Fra l'amore e la gioventù.
La tua voce si sviluppava piano piano
Nelle mie orecchie...
Io ho ascoltato tutte le tue parole
Senza bisogno de capire la tua verità
Cos'è la verità?
Forse la più profonda ed inutile
Parola di un bugiardo che muore
Per amare più che poteva.
Io, come un gnorri bambino,
Ho detto che capeva i tuoi occhi
Che cercavano il mondo e trovavano un deserto.
Non t'ho capito
Forse non te capirò
E starò qui con il mio cuore semplice
Forse completo, forse chiuso, forse morto
Starò qui aspettando il cielo piuvere
Su di me!
Ragazzina dolce che non m'ha amato,
Così io non vederò la luna
Ed io voglio questo, e voglio adesso, già!
Io sto nella mia camera da letto
Dormendo per me dimenticare di te.
Sono uscito dal tuo mondo che s'ha diventato inutile.
Amore, io sono morto
Per dovere scegliere
Fra l'amore e la gioventù.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Elegia às carícias
Pra falar a verdade,
suas carícias me machucam.
Machucam, sim, porque sua graça
carrega os quilos do não poder ser.
Aquilo de ser a que rega o prazer,
ah, qual é?,
de que adianta um afago proibido?
Foi por cansar-me desse peso do não ser
que — forçado — fechei a janela.
Eu só queria entender a saudade dos poetas!
Existe comodismo dividido em estrofes?
Rodas rodando na rota retinta
Tem espaço pra a lua na hora do rush?
Suas carícias são um chute
que errou por pouco minha cara.
— está entrando no ar o zap
a ministra mandou zap cheia de
graça zap trinta e dois graus zap
ci vediamo domane zap plantão especial:
a lua cheia apareceu no céu ontem à noite
em meio ao smog urbano e às buzinas
e à correria da cidade e aos estudos
e ao trabalho e aos rancores e às paixões.
Ela deu um chilique,
disse que não queria ir à terra
para viver nessa vida incerta e
acabar levando um tiro de algum
fabricante de queijo cremoso...
Perdão, amiga (só isso) minha,
Mas a leveza etérea do jovem foi roubada,
E eu estou prestes a chorar a morte do tempo
Em que eu poderia ter sido o céu,
E não a terra.
Minha saudade é tão grande,
ah se você soubesse...
(suspiro e lágrima fujona)
Dê-me o lirismo de volta,
Está tão barulhento aqui...!
Não chorarei as lágrimas do fraco que fui
Nem usarei a primeira pessoa em vão.
Serei mais carne e osso porque o amor
Não resultou inútil.
Ainda que se calem mortos todos os homens
Um eco restará vitorioso
meu Deus, meu Deus, meu Deus.
Dormirão deitadas no chão as canetas
Mas sonharão com o tempo em que foram
imortais.
E eu, de mim não restará idéia
Primeira pessoa, segunda ou terceira
Porque não restará saudade.
Quando se calar o eco do suspiro do último homem
A lua morrerá por não haver olhos
voltados para ela.
E então, talvez você descubra
que suas carícias são navalhas
e seus beijos são canhões
e seus abraços são carpideiras
da morte da última gota
que eu derrame do meu corpo
por você.
Vou ser
Mais atento no caminho,
E não pisarei em minas que explodam paixão
E ecoem meu grito:
Pisei numa mina, Ina, Ina, Ina,
Ina, Ina, Ina, Ina,
É vasto meu coração?
Serei atento, sim, com zelo, sempre e tanto
Para que não ouça o canto
Se a sereia quiser
(ainda que não o saiba)
me matar.
Não quero ser rapsodo da paixão
Nem cardiologista do mundo
Mas acho que com tanto amor
é melhor uma angioplastia
E que os anjos não estejam ocupados
Se for preciso um transplante.
Não plante em mim
suas lágrimas, não me pode
com o facão da sua ternura.
Eu sou um monstro de delicadeza
E debaixo de sua cama não estou confortável.
*
Silêncio, eu preciso de silêncio!
Calem a boca do mundo que eu quero ouvir
Seu coração — ele existe!
Seu coração, amor, eu o encontrei num canto
Ele me contou que passeava pela madrugada
Na praia ou na cidade
E achou a lua.
Nunca mais foi visto novamente.
Você é um mundo
Onde todos os paralelos têm quase noventa graus
E agasalham-se de mim.
Não me deixem morrer, eu preciso
Antes de tudo, salvar o mundo
Mas, com esse barulho, amor,
Não consigo nem ouvir sua diástole.
suas carícias me machucam.
Machucam, sim, porque sua graça
carrega os quilos do não poder ser.
Aquilo de ser a que rega o prazer,
ah, qual é?,
de que adianta um afago proibido?
Foi por cansar-me desse peso do não ser
que — forçado — fechei a janela.
Eu só queria entender a saudade dos poetas!
Existe comodismo dividido em estrofes?
Rodas rodando na rota retinta
Tem espaço pra a lua na hora do rush?
Suas carícias são um chute
que errou por pouco minha cara.
— está entrando no ar o zap
a ministra mandou zap cheia de
graça zap trinta e dois graus zap
ci vediamo domane zap plantão especial:
a lua cheia apareceu no céu ontem à noite
em meio ao smog urbano e às buzinas
e à correria da cidade e aos estudos
e ao trabalho e aos rancores e às paixões.
Ela deu um chilique,
disse que não queria ir à terra
para viver nessa vida incerta e
acabar levando um tiro de algum
fabricante de queijo cremoso...
Perdão, amiga (só isso) minha,
Mas a leveza etérea do jovem foi roubada,
E eu estou prestes a chorar a morte do tempo
Em que eu poderia ter sido o céu,
E não a terra.
Minha saudade é tão grande,
ah se você soubesse...
(suspiro e lágrima fujona)
Dê-me o lirismo de volta,
Está tão barulhento aqui...!
Não chorarei as lágrimas do fraco que fui
Nem usarei a primeira pessoa em vão.
Serei mais carne e osso porque o amor
Não resultou inútil.
Ainda que se calem mortos todos os homens
Um eco restará vitorioso
meu Deus, meu Deus, meu Deus.
Dormirão deitadas no chão as canetas
Mas sonharão com o tempo em que foram
imortais.
E eu, de mim não restará idéia
Primeira pessoa, segunda ou terceira
Porque não restará saudade.
Quando se calar o eco do suspiro do último homem
A lua morrerá por não haver olhos
voltados para ela.
E então, talvez você descubra
que suas carícias são navalhas
e seus beijos são canhões
e seus abraços são carpideiras
da morte da última gota
que eu derrame do meu corpo
por você.
Vou ser
Mais atento no caminho,
E não pisarei em minas que explodam paixão
E ecoem meu grito:
Pisei numa mina, Ina, Ina, Ina,
Ina, Ina, Ina, Ina,
É vasto meu coração?
Serei atento, sim, com zelo, sempre e tanto
Para que não ouça o canto
Se a sereia quiser
(ainda que não o saiba)
me matar.
Não quero ser rapsodo da paixão
Nem cardiologista do mundo
Mas acho que com tanto amor
é melhor uma angioplastia
E que os anjos não estejam ocupados
Se for preciso um transplante.
Não plante em mim
suas lágrimas, não me pode
com o facão da sua ternura.
Eu sou um monstro de delicadeza
E debaixo de sua cama não estou confortável.
*
Silêncio, eu preciso de silêncio!
Calem a boca do mundo que eu quero ouvir
Seu coração — ele existe!
Seu coração, amor, eu o encontrei num canto
Ele me contou que passeava pela madrugada
Na praia ou na cidade
E achou a lua.
Nunca mais foi visto novamente.
Você é um mundo
Onde todos os paralelos têm quase noventa graus
E agasalham-se de mim.
Não me deixem morrer, eu preciso
Antes de tudo, salvar o mundo
Mas, com esse barulho, amor,
Não consigo nem ouvir sua diástole.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Abre logo essas asas sobre nós!
"— O how I hate to see that evenin'sun go down..."
(Vinicius de Moraes)
"Ô souvenirs ! printemps ! aurore !"
(Victor Hugo)
Ela veio tão linda e pequena
Dançou, gargalhou, conversou, riu de mim
Mas me veio com sintos muitos
Matou o mundo
Mostrou o fundo
E se trancou.
Meteu o dedo na minha poesia
Desandou a massa
Acabou-se o que era doce
Vem ver, o amargo chegou!
Mas esse gosto de careta
De espinho no dedo
Lagarta-de-fogo
Café sem açúcar
Daqueles bem quentes que queimam a língua
Esse gosto de pretérito imperfeito
Resguardado e corroído
Gosto de já era
O amargo marcante
That lingers na língua
É pra quem pode, não é pra quem quer.
(Suspiro)
Ela pode, mas ela não quer.
O how I hate to see that morning moon go down...
Farewell, Parnaso!
(Vinicius de Moraes)
"Ô souvenirs ! printemps ! aurore !"
(Victor Hugo)
Ela veio tão linda e pequena
Dançou, gargalhou, conversou, riu de mim
Mas me veio com sintos muitos
Matou o mundo
Mostrou o fundo
E se trancou.
Meteu o dedo na minha poesia
Desandou a massa
Acabou-se o que era doce
Vem ver, o amargo chegou!
Mas esse gosto de careta
De espinho no dedo
Lagarta-de-fogo
Café sem açúcar
Daqueles bem quentes que queimam a língua
Esse gosto de pretérito imperfeito
Resguardado e corroído
Gosto de já era
O amargo marcante
That lingers na língua
É pra quem pode, não é pra quem quer.
(Suspiro)
Ela pode, mas ela não quer.
O how I hate to see that morning moon go down...
Farewell, Parnaso!
terça-feira, 29 de maio de 2007
É. Você, nos píncaros da felicidade, não consegue me ver. E pelo visto, linda vencedora, não é só o amor que é cego. O mundo vê o que você, na sua estúpida miopia, se recusa a enxergar. Debaixo de sua camada mundana de carne você acumulou um milhão de cartas de amor, mas para ler a minha você é uma analfabeta. Vou matar (em sonho, imaginação ou sei lá o quê) seus sentidos sem sentido. Eu não quero que você veja, ouça, cheire, deguste, quero só que você sinta. Só. Mas há uma muralha em torno de sua torre, e eu não posso pedir para você jogar as tranças. Não posso invadir seu território, estão à espreita. Eu não sou Deus, mas acho que Nietzsche está louco para me matar. Eu sei que vou morrer mesmo, cedo ou tarde, então deixa para lá, eu não quero levar você junto comigo para esse submundo dos degredados do amor. Deixarei você viver, vir, ver e vencer e levantar o troféu e comemorar a vitória e aproveitar o tédio que há depois da vitória. Tem um desertinho aqui perto que é o máximo, pode deixar que eu fico vagando sozinho por lá, tem problema não... Talvez se você tivesse dito não abruptamente eu tivesse chorado abruptamente e morrido abruptamente e esquecido abruptamente e renascido abruptamente. Mas você me guardou num aquário vazio e ficou me olhando, como se eu fosse uma lagarta listrada. Você cortou meu rabo para vê-lo contorcendo-se e me espetou um palito na cabeça. Antes tivesse sido abruptamente. Você preferiu assistir todo meu sangue escapar do meu corpo gota a gota, e eu ali, anestesiado, sua presença é linda, é muito linda, é a mais linda do mundo. E ela me faz chorar. Me dê de volta minha trouxa encardida de amorezinhos fúteis com meninas fúteis. Grandes paixões não são para mim mesmo. Deixe para lá. Use um cotonete e desentupa seu ouvido dessa bosta desse lirismo que me aprisiona. Meu amor, meu lindo amor, eu te amo tanto, mas tanto, que quero te esquecer e ir embora para casa.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Poema de Incompreensão
Não a entendo, sinceramente não a entendo
Não entendo os oximoros de sua vontade,
Não entendo os fantasmas — inofensivos — que lhe dão tanto medo
Sua mente é incompreensível.
Quem dera que eu pudesse penetrar a hostil barreira de temores
Que guardam frenéticos os seus verdadeiros sentimentos.
Sentimentos que estão presos em hermética prisão
E têm medo de fugir, embora diga que fortes são.
Tenho plena confiança em você, meu amor, acredito em suas palavras
Pois elas são anjos que vêm fazer doces canções
À noite, quando me recolho à solidão melancólica de sob minha janela,
Anjos que me deixam menos solitário além da muralha impenetrável
Que você penetrou com toda a sua graça indizivelmente leve,
Como a leve e fluida brisa das noites do Mosqueiro.
Não a entendo, amada minha, contudo levo comigo o sentimento
Que não sei se aceita, não a compreendo;
E escondo sob cada palavra da minha poesia
Uma mensagem de amores, talvez ridícula.
Amo, amo muito, e luto para penetrar a barreira hermética
De loucos temores em torno de seus verdadeiros sentimentos.
Não entendo os oximoros de sua vontade,
Não entendo os fantasmas — inofensivos — que lhe dão tanto medo
Sua mente é incompreensível.
Quem dera que eu pudesse penetrar a hostil barreira de temores
Que guardam frenéticos os seus verdadeiros sentimentos.
Sentimentos que estão presos em hermética prisão
E têm medo de fugir, embora diga que fortes são.
Tenho plena confiança em você, meu amor, acredito em suas palavras
Pois elas são anjos que vêm fazer doces canções
À noite, quando me recolho à solidão melancólica de sob minha janela,
Anjos que me deixam menos solitário além da muralha impenetrável
Que você penetrou com toda a sua graça indizivelmente leve,
Como a leve e fluida brisa das noites do Mosqueiro.
Não a entendo, amada minha, contudo levo comigo o sentimento
Que não sei se aceita, não a compreendo;
E escondo sob cada palavra da minha poesia
Uma mensagem de amores, talvez ridícula.
Amo, amo muito, e luto para penetrar a barreira hermética
De loucos temores em torno de seus verdadeiros sentimentos.
Para um amor abandonado
Amor, não te entristeçcas por este momento
Alegra-te, pois encontrei tua saída, e a porta abriu-se novamente:
A poesia pôde de novo entrar.
Meus pés estão rumando para outro lugar,
Estou me afastando cada vez mais de ti.
Invadiram meu coração mais uma vez,
Já não sinto pena de não mais ter te querido.
Encontrei alguém para amar até a mais presente das ausências
Ela é impecável, tanto quanto não pudeste ser,
Encontrei alguém com a dignidade para tragar meus versos
E com eles atingir a embriaguez do amor verdadeiro.
Amor, perdoa-me por não ter sido seu modelo de perfeito idiota
Perdoa-me por não me encaixar à sua altivez,
À sua grandeza de idéias, à sua genialidade.
Disseste-me ser amante do romantismo, da poesia,
Disseste-me estar apaixonada, mas que doce!
Será possível que venhas a encontrar outro alguém
Tão bom quanto quiseste para ti?
Talvez eu seja o último romântico dos litorais desse oceano atlântico
E todo o meu romantismo e poesia estão agora volvidos a minha nova amada
Mas, amor, não te entristeças!
Tenho certeza que encontrarás um rapaz a tua altura
Que te satisfará com frases feitas e versos vazios,
Com todo o falso romantissmo que tu tanto amas.
Guardarei meus versos para meu novo amor.
Lembrarei de ti com ternura.
Sinceros beijo e abraço do último romântico,
Inteiramente teu,
Pedro André.
Alegra-te, pois encontrei tua saída, e a porta abriu-se novamente:
A poesia pôde de novo entrar.
Meus pés estão rumando para outro lugar,
Estou me afastando cada vez mais de ti.
Invadiram meu coração mais uma vez,
Já não sinto pena de não mais ter te querido.
Encontrei alguém para amar até a mais presente das ausências
Ela é impecável, tanto quanto não pudeste ser,
Encontrei alguém com a dignidade para tragar meus versos
E com eles atingir a embriaguez do amor verdadeiro.
Amor, perdoa-me por não ter sido seu modelo de perfeito idiota
Perdoa-me por não me encaixar à sua altivez,
À sua grandeza de idéias, à sua genialidade.
Disseste-me ser amante do romantismo, da poesia,
Disseste-me estar apaixonada, mas que doce!
Será possível que venhas a encontrar outro alguém
Tão bom quanto quiseste para ti?
Talvez eu seja o último romântico dos litorais desse oceano atlântico
E todo o meu romantismo e poesia estão agora volvidos a minha nova amada
Mas, amor, não te entristeças!
Tenho certeza que encontrarás um rapaz a tua altura
Que te satisfará com frases feitas e versos vazios,
Com todo o falso romantissmo que tu tanto amas.
Guardarei meus versos para meu novo amor.
Lembrarei de ti com ternura.
Sinceros beijo e abraço do último romântico,
Inteiramente teu,
Pedro André.
Paradoxo (II)
Me dizes que estás triste
Mas que é a tristeza?
A única que te acalenta
A única que te dá o ombro
Chora tua tristeza,
Chora, e ressurge.
Esperarei aqui quando ressurgires.
Mas que é a tristeza?
A única que te acalenta
A única que te dá o ombro
Chora tua tristeza,
Chora, e ressurge.
Esperarei aqui quando ressurgires.
Paradoxo (I)
Não compreendo
Os paradoxos loucos da vida:
Os paradoxos são para a poesia.
Não compreendo,
Mas talvez seja a vida enorme poema
— Embora, paradoxalmente, incompreendido por aquele que o escreve.
Os paradoxos loucos da vida:
Os paradoxos são para a poesia.
Não compreendo,
Mas talvez seja a vida enorme poema
— Embora, paradoxalmente, incompreendido por aquele que o escreve.
Paciência...
Às vezes eu imagino
Sozinho, sereno, tranqüilo,
Como seria, amor,
Se a gente estivesse junto.
Porra, esse futuro do pretérito é foda.
Sozinho, sereno, tranqüilo,
Como seria, amor,
Se a gente estivesse junto.
Porra, esse futuro do pretérito é foda.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Sobre eles que há entre nós
Ah, maldito amado amor,
Pisaste no meu pé com a força de um afago
A dor foi tão pungente
Que corri e deitei no colo da poesia.
As luas e estrelas que mandaste foram raptadas pelas nuvens estúpidas.
Ó, ceu, amado e temido céu,
Não escondeis o eclipse que enlouquece tanto a lua!
Queria tanto que eu pudesse ver a lua hoje, agora mesmo
E fazê-la minha com as mais loucas e pífias imaginações de amor
Tão grandiosas
— Chuva, pare, estou apaixonado, não vê?
Sigo na busca pela outra metade da frase tão clichê...
Quero-a com a lucidez de quem devora Vinicius de Moraes
Entendendo tudo do sentimento tão sublime
Entendo-a com a lucidez que talvez tenham me dado os goles a mais...
Não a entendo, eis a minha conclusão:
Quero você descoberta de nuvens whatsoever
Plena, linda e cheia, minha lua,
De amor pra dar
— Pra mim.
Pisaste no meu pé com a força de um afago
A dor foi tão pungente
Que corri e deitei no colo da poesia.
As luas e estrelas que mandaste foram raptadas pelas nuvens estúpidas.
Ó, ceu, amado e temido céu,
Não escondeis o eclipse que enlouquece tanto a lua!
Queria tanto que eu pudesse ver a lua hoje, agora mesmo
E fazê-la minha com as mais loucas e pífias imaginações de amor
Tão grandiosas
— Chuva, pare, estou apaixonado, não vê?
Sigo na busca pela outra metade da frase tão clichê...
Quero-a com a lucidez de quem devora Vinicius de Moraes
Entendendo tudo do sentimento tão sublime
Entendo-a com a lucidez que talvez tenham me dado os goles a mais...
Não a entendo, eis a minha conclusão:
Quero você descoberta de nuvens whatsoever
Plena, linda e cheia, minha lua,
De amor pra dar
— Pra mim.
Um poema sobre tudo
Tenho pés e teço passos ora lúcidos,
Ora loucos e poéticos.
Vou-me indo sem saber por quê
E o porquê não me interessa
Estou preso à vida, e é dela que se concebem os versos
Aqueles duros e feios, mas também os vivos e belos
De uma beleza poética que aduba os campos
De onde brotam alguns de nossos sonhos mais singelos e íntimos.
Tenho olhos e vejo coisas feias
Mas também vejo coisas belas.
E há também aquelas que não podem ser bebidas com olhos
Mas que, se existem, são tragadas pela alma
E que, em vão, tentam se esvair em verso.
Tenho ouvidos e ouço ruídos tristes
Mas ouço as mais belas melodias
Que criam doces cicatrizes sob minha pele fadada ao nada.
Tenho muito e não tenho nada.
Não temos nada, não temos o ter.
Tenho o cansaço assassinado no leito que me devora.
Tenho a língua, velha e cansada
Nunca foi preciso falar para dizer.
Tenho o cacho que cai nebuloso sobre a testa.
Tenho a voz que ri, a voz que diz e a voz que cala.
Tenho o cheiro de caju em dezembro.
Tenho o sentar-me torto na cadeira.
Não tenho medo mas também não tenho coragem.
Não tenho nada.
Tenho mãos e domestico versos
Com elas monto alicerces para um futuro que inexiste
Mas também com elas destilo poesia.
Quero auroras e seus poemas
Quero a lua copulando com o mar
Quero matar os adeuses.
Tenho um papel e um lápis.
Tenho um poema sobre a vida.
Tenho um poema sobre nada.
Ora loucos e poéticos.
Vou-me indo sem saber por quê
E o porquê não me interessa
Estou preso à vida, e é dela que se concebem os versos
Aqueles duros e feios, mas também os vivos e belos
De uma beleza poética que aduba os campos
De onde brotam alguns de nossos sonhos mais singelos e íntimos.
Tenho olhos e vejo coisas feias
Mas também vejo coisas belas.
E há também aquelas que não podem ser bebidas com olhos
Mas que, se existem, são tragadas pela alma
E que, em vão, tentam se esvair em verso.
Tenho ouvidos e ouço ruídos tristes
Mas ouço as mais belas melodias
Que criam doces cicatrizes sob minha pele fadada ao nada.
Tenho muito e não tenho nada.
Não temos nada, não temos o ter.
Tenho o cansaço assassinado no leito que me devora.
Tenho a língua, velha e cansada
Nunca foi preciso falar para dizer.
Tenho o cacho que cai nebuloso sobre a testa.
Tenho a voz que ri, a voz que diz e a voz que cala.
Tenho o cheiro de caju em dezembro.
Tenho o sentar-me torto na cadeira.
Não tenho medo mas também não tenho coragem.
Não tenho nada.
Tenho mãos e domestico versos
Com elas monto alicerces para um futuro que inexiste
Mas também com elas destilo poesia.
Quero auroras e seus poemas
Quero a lua copulando com o mar
Quero matar os adeuses.
Tenho um papel e um lápis.
Tenho um poema sobre a vida.
Tenho um poema sobre nada.
Sur notre amour incomplet
Jolie,
Je voudrais trouver la chance de ma vie
Je voudrais te rencontrer à quelque lieu
Près de la mer, où on peut regarder la lune
Et les étoiles, qui protégent notre union avec leur lumière.
Je veux te voir dans ma chambre
Où nous allons nous coucher et faire ensemble notre ciel
Plein de toi
Nous nous aimerons, seulement.
N'oublie pas notre danse
Ta bouche près de ma bouche
Ta main dans ma main
Tes yeux qui regardent mes yeux.
Pour l'œil du monde on n'est pas plus que des amis
Mais je marche par un grand chemin
Seulement pour prendre une fleur
Avec ta tête dedans.
Je voudrais trouver la chance de ma vie
Je voudrais te rencontrer à quelque lieu
Près de la mer, où on peut regarder la lune
Et les étoiles, qui protégent notre union avec leur lumière.
Je veux te voir dans ma chambre
Où nous allons nous coucher et faire ensemble notre ciel
Plein de toi
Nous nous aimerons, seulement.
N'oublie pas notre danse
Ta bouche près de ma bouche
Ta main dans ma main
Tes yeux qui regardent mes yeux.
Pour l'œil du monde on n'est pas plus que des amis
Mais je marche par un grand chemin
Seulement pour prendre une fleur
Avec ta tête dedans.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Lua, grande cafetina
A lua chegou sorrindo
Gravando-se em cada onda
Do mar incansável da noite
Do peito incansável do homem.
Lua, grande cafetina
Do céu da noite, grande bordel
Inflando paixões de marinheiros
E pescadores do coração do mar.
Lua, lua, bela lua
Única no castelo das luzes
Mãe das lúbricas estrelas,
Meretrizes que copulam com o mar.
No cais do porto, à noite
Na beira do mar na penumbra
Arde a lua no leito do pescador
Dança a lua no verso do poeta.
Lua, amante do estivador
Que deixa a mulher em seu seio só
Lua, mestra no bordel da noite
Da música que exala das ondas do mar.
Lua, mais noturna entre as boêmias
Lua, mais amada entre as meretrizes
Lua, mais sábia entre as anciãs
Lua, mais bela entre as meninas
A lua chegou sorrindo
O bordel da noite iluminando
Mas a lua, grande cafetina
É a mãe do sentimento do sublime.
Gravando-se em cada onda
Do mar incansável da noite
Do peito incansável do homem.
Lua, grande cafetina
Do céu da noite, grande bordel
Inflando paixões de marinheiros
E pescadores do coração do mar.
Lua, lua, bela lua
Única no castelo das luzes
Mãe das lúbricas estrelas,
Meretrizes que copulam com o mar.
No cais do porto, à noite
Na beira do mar na penumbra
Arde a lua no leito do pescador
Dança a lua no verso do poeta.
Lua, amante do estivador
Que deixa a mulher em seu seio só
Lua, mestra no bordel da noite
Da música que exala das ondas do mar.
Lua, mais noturna entre as boêmias
Lua, mais amada entre as meretrizes
Lua, mais sábia entre as anciãs
Lua, mais bela entre as meninas
A lua chegou sorrindo
O bordel da noite iluminando
Mas a lua, grande cafetina
É a mãe do sentimento do sublime.
About our love
From all times I slept without you
I kept this sour smile.
The distance that sets us apart is so small
But it’s long enough so that I can’t touch your face with my warm fingers.
You are my anonymous fate,
With your stare you can read all my fears and desires.
My love is not only a wish
I know you know the poem I wrote with my old hidden feelings.
But I can’t understand you
I shall never understand you,
The messages you send me were written in a language I can’t read.
The nymphic beauty you show the world has caught me
My heart is stuck in a distant seashore I’d never been to.
Let me take you to see my ambitions and dreams
And show me your love in foggish proofs.
Please, excuse me
But my greatest and deepest desire
Is to feel in my mouth the warm taste of your misunderstood love.
I kept this sour smile.
The distance that sets us apart is so small
But it’s long enough so that I can’t touch your face with my warm fingers.
You are my anonymous fate,
With your stare you can read all my fears and desires.
My love is not only a wish
I know you know the poem I wrote with my old hidden feelings.
But I can’t understand you
I shall never understand you,
The messages you send me were written in a language I can’t read.
The nymphic beauty you show the world has caught me
My heart is stuck in a distant seashore I’d never been to.
Let me take you to see my ambitions and dreams
And show me your love in foggish proofs.
Please, excuse me
But my greatest and deepest desire
Is to feel in my mouth the warm taste of your misunderstood love.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Foi um rápido sonho. Mas, como todo sonho, possuiu dentro de si um elemento que o torna inesquecível, e lindamente absurdo. Não seria sonho se não tivesse a efemeridade das causas perdidas ou a beleza surreal e imaginária das criaturas e dos lugares fantásticos.
Sim, foi rápido, mas na imensidade de sua rapidez gravou a mensagem que há muito jurara com palavras mudas. Consumou-se na consumação de suas ambições supérfluas, pois não há nada mais fundamental que o supérfluo — nem nada mais supérfluo que o fundamental . O mundo é absurdo e belo, é verdade.
Durante sua rapidez assisti à derrota em uma luta que parecia vencida, e ainda assim não senti pena. Vi a decepção por causa de expectativas que foram alimentadas em vão — mas vi também a glória nos lugares mais inesperados. Voei por infinitas vezes como um anjo fora de sua realidade, e outras tantas desci para manter minha realidade acesa. Consegui. Me arrependi. Deveria ter ficado naquele estado de anjo. Sonhos acabam.
Fiz umas tantas confissões a minha alma, e outras tantas escutei dela. Velhos conceitos desmoronaram-se ante meus olhos sonolentos e outros foram construídos com braços invisíveis. Não faz sentido aos ouvidos das pessoas, mas é compreensível a um nível um tanto mais interior. Sonhos não fazem sentido a olhos despertos.
Senti novos cheiros e experimentei novos sabores, conheci novos rostos e decorei seus nomes como quem come uma comida de sabor enfadonho. Quis e fiz. Desisti e arrependi. Sonhei. E acordei. Conheci e aprendi um pouco mais da vastidão do mundo. O mundo é grandioso como a noite.
Meus dedos despertos escrevem quando todos dormem. Não sei se ainda sonham ou acordam do sonho consumado. Eu acordei, e não estou certo se estou triste ou muito feliz.
Eu acordei do sonho consumado, e deixei para trás um conto artificial e mágico. O mundo é o maior sonho de todos, tenha certeza. Eu nunca acordarei do sonho consumado.
Sim, foi rápido, mas na imensidade de sua rapidez gravou a mensagem que há muito jurara com palavras mudas. Consumou-se na consumação de suas ambições supérfluas, pois não há nada mais fundamental que o supérfluo — nem nada mais supérfluo que o fundamental . O mundo é absurdo e belo, é verdade.
Durante sua rapidez assisti à derrota em uma luta que parecia vencida, e ainda assim não senti pena. Vi a decepção por causa de expectativas que foram alimentadas em vão — mas vi também a glória nos lugares mais inesperados. Voei por infinitas vezes como um anjo fora de sua realidade, e outras tantas desci para manter minha realidade acesa. Consegui. Me arrependi. Deveria ter ficado naquele estado de anjo. Sonhos acabam.
Fiz umas tantas confissões a minha alma, e outras tantas escutei dela. Velhos conceitos desmoronaram-se ante meus olhos sonolentos e outros foram construídos com braços invisíveis. Não faz sentido aos ouvidos das pessoas, mas é compreensível a um nível um tanto mais interior. Sonhos não fazem sentido a olhos despertos.
Senti novos cheiros e experimentei novos sabores, conheci novos rostos e decorei seus nomes como quem come uma comida de sabor enfadonho. Quis e fiz. Desisti e arrependi. Sonhei. E acordei. Conheci e aprendi um pouco mais da vastidão do mundo. O mundo é grandioso como a noite.
Meus dedos despertos escrevem quando todos dormem. Não sei se ainda sonham ou acordam do sonho consumado. Eu acordei, e não estou certo se estou triste ou muito feliz.
Eu acordei do sonho consumado, e deixei para trás um conto artificial e mágico. O mundo é o maior sonho de todos, tenha certeza. Eu nunca acordarei do sonho consumado.
Sobre os tempos
Cantemos, pois é tempo de luzes
E o efêmero se dissolveu ante o cheiro de sua beleza.
Não nos afastemos mais.
Seu romantismo inocente,
Seu modernismo absurdo,
Sei que posso escondê-los sob as chagas da minha pele.
Peço que seja a chave que me liberta o verso.
Vamos unir seu tempo que goteja a meu tempo que irradia
Consumemo-nos num sonho e vivamos a doce realidade crua.
O gosto das palavras não deixa a boca cálida de minha caneta
O gosto de sua boca cálida não deixa minhas palavras.
Espero que desse tempo absurdo nasça a absurda poesia de um tempo de sonho.
E o efêmero se dissolveu ante o cheiro de sua beleza.
Não nos afastemos mais.
Seu romantismo inocente,
Seu modernismo absurdo,
Sei que posso escondê-los sob as chagas da minha pele.
Peço que seja a chave que me liberta o verso.
Vamos unir seu tempo que goteja a meu tempo que irradia
Consumemo-nos num sonho e vivamos a doce realidade crua.
O gosto das palavras não deixa a boca cálida de minha caneta
O gosto de sua boca cálida não deixa minhas palavras.
Espero que desse tempo absurdo nasça a absurda poesia de um tempo de sonho.
Batalhões
Aspirantes a adultos
Dispostos em batalhão
Sob o céu, sobre o planalto
Acotovelam-se ante o portão
Portão estreito da vida adulta.
Batalhões assustados
De baionetas canetas
Esperam a hora da batalha
De uniformes sortidos
Na cidade jotacá.
Dispostos em batalhão
Sob o céu, sobre o planalto
Acotovelam-se ante o portão
Portão estreito da vida adulta.
Batalhões assustados
De baionetas canetas
Esperam a hora da batalha
De uniformes sortidos
Na cidade jotacá.
The birth of poetry
A blank sheet
A word
A phrase
A verse
A stanza
A shape
A soul.
Poetry is made of hearts and dreams and thoughts
It needs a body, it needs a skin, but, more than everything
It needs a neverending personality,
It needs to be sewed in waterish knits
Which flow and fade and make no sense
Until a sense is born behind the concrete, stiff body.
Body and soul need to unite in an insane hug
To create a new being, a new entity
Born and raised by a poet’s hand.
Poetry is now born, and each eye that looks as its face
Sees a different sight, different eyes,
And, through them, sees a different soul.
Poetry is made of hearts and dreams and thoughts and eyes,
Only by them can it reach immortality.
A word
A phrase
A verse
A stanza
A shape
A soul.
Poetry is made of hearts and dreams and thoughts
It needs a body, it needs a skin, but, more than everything
It needs a neverending personality,
It needs to be sewed in waterish knits
Which flow and fade and make no sense
Until a sense is born behind the concrete, stiff body.
Body and soul need to unite in an insane hug
To create a new being, a new entity
Born and raised by a poet’s hand.
Poetry is now born, and each eye that looks as its face
Sees a different sight, different eyes,
And, through them, sees a different soul.
Poetry is made of hearts and dreams and thoughts and eyes,
Only by them can it reach immortality.
Elegia a um quase amor
Quando te observo de longe
Já não sinto: lamento
Teu encantamento sem culpa
Tua paixão sem pretensão
Teus gestos que desconheço
Tua métrica fixa
Teu sonho.
Adormeço só, com a noite:
Uma reles solitária em meus braços vazios.
O céu cobriu-se para que eu não visse a lua.
Quanto mais me aproximo de ti
Mais reconheço tua distância inalcançável.
Teu olhar não mais conta seus contos esperançosos
É apenas um espelho
Em que me vejo a observá-la
Esperando um único suspiro que se dirija a mim
Ou, na hipótese mais absurda,
Um beijo que se lance em minha direção.
Por nada poder, contento-me com o vento de teus sorrisos
Ou com a ressaca de tuas palavras
Que se vêm e se levam.
Ao brigar com meus olhos para que se fechem
Sinto-te e tenho-te
Fremes em meu ouvido e tremes sem sentido
Mas a noite acaba
A lua se vai
E já não lamento: sinto apenas
A dura realidade de um beijo
Que não pôde acontecer.
Já não sinto: lamento
Teu encantamento sem culpa
Tua paixão sem pretensão
Teus gestos que desconheço
Tua métrica fixa
Teu sonho.
Adormeço só, com a noite:
Uma reles solitária em meus braços vazios.
O céu cobriu-se para que eu não visse a lua.
Quanto mais me aproximo de ti
Mais reconheço tua distância inalcançável.
Teu olhar não mais conta seus contos esperançosos
É apenas um espelho
Em que me vejo a observá-la
Esperando um único suspiro que se dirija a mim
Ou, na hipótese mais absurda,
Um beijo que se lance em minha direção.
Por nada poder, contento-me com o vento de teus sorrisos
Ou com a ressaca de tuas palavras
Que se vêm e se levam.
Ao brigar com meus olhos para que se fechem
Sinto-te e tenho-te
Fremes em meu ouvido e tremes sem sentido
Mas a noite acaba
A lua se vai
E já não lamento: sinto apenas
A dura realidade de um beijo
Que não pôde acontecer.
domingo, 22 de abril de 2007
Silêncio
Fomos nós
Que surgimos de onde só havia sonho e beleza
Mas não havia amargor...
Nosso amor foi sacramentado em poesia,
E das metáforas jamais nos livraremos.
Não passei por seus sonhos
De personagens previamente definidos
Fui apenas aquele que estava lá
Para sustentá-la caso alguém
Deixe de amá-la:
Você me fez coadjuvante.
Você me fez o vento que vem afagar-te
Caso sopre.
Me fez a gota que vem lamber-te
Caso chova.
Para você, sou o silêncio.
Mas, amor,
Não quero ser o silêncio
Faça-me barulho!
Quero ser o som
Que cante sempre suas canções
Que o vento vai levar
A seus ouvidos
Te amo, mas não posso tocar-te
Porque eu sou para você
Silêncio
E se você parar e pensar
— Pare e pense —
O silêncio, meu amor, jamais existirá.
Que surgimos de onde só havia sonho e beleza
Mas não havia amargor...
Nosso amor foi sacramentado em poesia,
E das metáforas jamais nos livraremos.
Não passei por seus sonhos
De personagens previamente definidos
Fui apenas aquele que estava lá
Para sustentá-la caso alguém
Deixe de amá-la:
Você me fez coadjuvante.
Você me fez o vento que vem afagar-te
Caso sopre.
Me fez a gota que vem lamber-te
Caso chova.
Para você, sou o silêncio.
Mas, amor,
Não quero ser o silêncio
Faça-me barulho!
Quero ser o som
Que cante sempre suas canções
Que o vento vai levar
A seus ouvidos
Te amo, mas não posso tocar-te
Porque eu sou para você
Silêncio
E se você parar e pensar
— Pare e pense —
O silêncio, meu amor, jamais existirá.
Ausência
Confesso que fui fraco quando pude ter a força de um galante cavaleiro
E o céu fechou sua boca num segredo etéreo por saber que eu nada poderia te dar.
O eufemismo de tua presença me traz para cada vez mais perto de tua pele lisa
Mas o abismo que te isola do mundo não pode ser transposto pelos passos curtos dos homens
O universo me leva a teus braços e as circunstâncias te seqüestram
Com tua conivência, inocente ou incauta.
Mas eis que, calado, deixo-te ir por saber que não posso raptar-te em asas de serafins
Ou dar-te o amor mundano dos namorados que admiram beta e gama do cão maior.
Tenho a doçura ou a fraqueza de preferir que eu possa deitar minhas palavras em teus ouvidos
Sem tocar-te, a seguir só na estrada erma à procura de um olhar seu que seja profundo,
De uma palavra que saia do interior que eu não posso ver
De uma carícia que eu possa sentir.
Permanecerei calado para não acordar-te de teu sonho hermético
Pois já não importa, tu és minha porque eu te criei, amor, eu te inventei
Eu te possuo porque eu possuo o caos e a ordem, e ordeno
Que, por favor, deixes-me observá-la
Ainda que durmas e sonhes com olhares mais fortes que o meu.
Não quero o orvalho de teu olhar, que um dia irá se encontrar com a atmosfera
Que desvia a luz da estrela fria,
Quero ter o direito de ver-te sem que sumas
De pelo menos sentir-te sem que percebas...
Tenho a fraqueza de preferir o amor de seu desprezo involuntário
A calmaria de teus sorrisos inocentes
Ao vento que leve para longe o aroma de teus gestos.
Amor, sou fraco... confesso para mim mesmo
Que prefiro ver a luz bela e discreta de uma estrela que dance para mim
A acabar com seu amor mundano que observa estrelas
E correr o sério risco de acabar no meio de uma tempestade que caia de teu olhar
E esconda a estrela que eu invente para observar enamorado e sozinho, de longe...
E o céu fechou sua boca num segredo etéreo por saber que eu nada poderia te dar.
O eufemismo de tua presença me traz para cada vez mais perto de tua pele lisa
Mas o abismo que te isola do mundo não pode ser transposto pelos passos curtos dos homens
O universo me leva a teus braços e as circunstâncias te seqüestram
Com tua conivência, inocente ou incauta.
Mas eis que, calado, deixo-te ir por saber que não posso raptar-te em asas de serafins
Ou dar-te o amor mundano dos namorados que admiram beta e gama do cão maior.
Tenho a doçura ou a fraqueza de preferir que eu possa deitar minhas palavras em teus ouvidos
Sem tocar-te, a seguir só na estrada erma à procura de um olhar seu que seja profundo,
De uma palavra que saia do interior que eu não posso ver
De uma carícia que eu possa sentir.
Permanecerei calado para não acordar-te de teu sonho hermético
Pois já não importa, tu és minha porque eu te criei, amor, eu te inventei
Eu te possuo porque eu possuo o caos e a ordem, e ordeno
Que, por favor, deixes-me observá-la
Ainda que durmas e sonhes com olhares mais fortes que o meu.
Não quero o orvalho de teu olhar, que um dia irá se encontrar com a atmosfera
Que desvia a luz da estrela fria,
Quero ter o direito de ver-te sem que sumas
De pelo menos sentir-te sem que percebas...
Tenho a fraqueza de preferir o amor de seu desprezo involuntário
A calmaria de teus sorrisos inocentes
Ao vento que leve para longe o aroma de teus gestos.
Amor, sou fraco... confesso para mim mesmo
Que prefiro ver a luz bela e discreta de uma estrela que dance para mim
A acabar com seu amor mundano que observa estrelas
E correr o sério risco de acabar no meio de uma tempestade que caia de teu olhar
E esconda a estrela que eu invente para observar enamorado e sozinho, de longe...
Fou cœur
Ta presence est belle
Ta presence est trop belle
Ta presence est la plus belle du monde
Et elle me fait pleurer…
Ta presence est trop belle
Ta presence est la plus belle du monde
Et elle me fait pleurer…
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Ordem Noturna
A lua é linda, mas está tão longe
Eu quero ser envolvido pelo fervor que guardas oculto em ti
Em ti não creio
Creio em tua beleza, creio em tua penumbra
Deixa-me esconder pelos lugares mais escuros de tua existência.
Quero afogar-me no rio em tua lúbrica penumbra
Quero arder e sentir as borbulhas de sua água que me queima.
Vá-te embora, rei das estrelas, teu trono foi roubado, e sou amante da rainha.
Esconderei minha embriaguez absurda sob sua sombra.
Juntos escreveremos um manifesto contra a luz.
A noite é linda, a noite é grandiosa
A noite é vasta.
Beijarei a boca de suas mil faces obscuras.
A noite é quieta, a noite é silenciosa, a noite é muda
Não acordará a lua que dorme o sonho de Álvares,
Não me amedrontará como a lua do sonho de Azevedo.
Noite de minhas vilanias, despe-te!
As nuvens se foram
A lua está dormindo.
De todas as tuas estrelas, quero aquela mais brilhante e mais escura,
Pois ela traga a fumaça de meu olhar.
Do meu pesar ignora a cela.
Não me contento com tuas aparições em sonho
Depois da música e depois do vinho,
Dançaremos um poema a duas mãos,
Dançaremos um poema a duas bocas,
Dançaremos um poema a dois corpos.
Não quero o falso amor dos relógios,
O tardar não existe.
Tardemos.
Confunde-me com tua sombra, noite,
É o que quero.
Não quero o falso amor dos relógios,
O tardar não existe.
Quero que tardemos
Agora.
Eu quero ser envolvido pelo fervor que guardas oculto em ti
Em ti não creio
Creio em tua beleza, creio em tua penumbra
Deixa-me esconder pelos lugares mais escuros de tua existência.
Quero afogar-me no rio em tua lúbrica penumbra
Quero arder e sentir as borbulhas de sua água que me queima.
Vá-te embora, rei das estrelas, teu trono foi roubado, e sou amante da rainha.
Esconderei minha embriaguez absurda sob sua sombra.
Juntos escreveremos um manifesto contra a luz.
A noite é linda, a noite é grandiosa
A noite é vasta.
Beijarei a boca de suas mil faces obscuras.
A noite é quieta, a noite é silenciosa, a noite é muda
Não acordará a lua que dorme o sonho de Álvares,
Não me amedrontará como a lua do sonho de Azevedo.
Noite de minhas vilanias, despe-te!
As nuvens se foram
A lua está dormindo.
De todas as tuas estrelas, quero aquela mais brilhante e mais escura,
Pois ela traga a fumaça de meu olhar.
Do meu pesar ignora a cela.
Não me contento com tuas aparições em sonho
Depois da música e depois do vinho,
Dançaremos um poema a duas mãos,
Dançaremos um poema a duas bocas,
Dançaremos um poema a dois corpos.
Não quero o falso amor dos relógios,
O tardar não existe.
Tardemos.
Confunde-me com tua sombra, noite,
É o que quero.
Não quero o falso amor dos relógios,
O tardar não existe.
Quero que tardemos
Agora.
À Pequena (II)
Pequena,
Observo-te de longe,
Mas creio que estou chegando perto.
Tua couraça não me deixa ler o que trazes contigo.
Tu, sob minha muralha de amores e lembranças,
Transcendeste o mundo fechado dos tolos.
Tua beleza escreve meus versos,
Deixei de ser um homem,
Agora sou um amante.
Se me permites, contarei todas as histórias
Da lua e das estrelas;
Permite-me.
Vem afagar meus anseios
Com teu amor que é maior que a curva do mundo,
E me engole.
És pequena, mas guardas em ti todo o meu olhar.
Amo tua pureza, quero roubá-la
Fujamos para onde não nos podem alcançar
Minha cama será nossa fortaleza.
Esqueça o romantismo, pense no amor.
Não pense no futuro, ele não existe.
Pense no amor.
Quero voar nas asas de tua tatuagem,
Quero que me graves em ti
Carrega-me.
O cheiro de teus cabelos, o gosto de teus sorrisos
Me invadem o sono
E vêm buscar meu pensamento quando estou acordado.
Invade-me o sono, pequena dama,
Deixa-me ir embora voar
Nas pequenas asas de tua borboleta.
Observo-te de longe,
Mas creio que estou chegando perto.
Tua couraça não me deixa ler o que trazes contigo.
Tu, sob minha muralha de amores e lembranças,
Transcendeste o mundo fechado dos tolos.
Tua beleza escreve meus versos,
Deixei de ser um homem,
Agora sou um amante.
Se me permites, contarei todas as histórias
Da lua e das estrelas;
Permite-me.
Vem afagar meus anseios
Com teu amor que é maior que a curva do mundo,
E me engole.
És pequena, mas guardas em ti todo o meu olhar.
Amo tua pureza, quero roubá-la
Fujamos para onde não nos podem alcançar
Minha cama será nossa fortaleza.
Esqueça o romantismo, pense no amor.
Não pense no futuro, ele não existe.
Pense no amor.
Quero voar nas asas de tua tatuagem,
Quero que me graves em ti
Carrega-me.
O cheiro de teus cabelos, o gosto de teus sorrisos
Me invadem o sono
E vêm buscar meu pensamento quando estou acordado.
Invade-me o sono, pequena dama,
Deixa-me ir embora voar
Nas pequenas asas de tua borboleta.
À Pequena (I)
Pequena, não te vistas com as roupas de couraça
Que tanto conheço, veste-te com túnicas de anjo
E vem embalar meu sono com o canto fresco de tua beleza
Que ouço de longe...
Abre teu par de asas e voa, vem a mim;
Mas não chegues muito perto, antes transforma-te
Em vilã, antagonista do espetáculo de tuas luzes
Que piscam no ritmo de meus olhos
E do bater dos corações dos homens que te assistem passar
Espectadores e expectadores do sonho que é meu.
Deixa cair tuas penas, todas elas, não te escondas,
Colhe minha semente com toda sua sacra beleza profana;
Esquece o que é a paz
Não tenho calma, quero-te
Despida de tuas roupas de couraça,
Vem me chamar num sussurro.
Sem suas asas, somos tão parecidos
Tu me despiste de todas as opiniões inúteis
E agora, sou pleno.
Com teu corpo que dança qual em festa
Arranca de mim o suor pouco a pouco
Até a gota derradeira
Deixa-me invadi-la enquanto tu me invades o coração.
Recompensemo-nos com um beijo final.
Após o fim do espetáculo tu te vestirás de tuas asas
Te esconderás como se tivesses pudor;
Porém deixarás flutuante o olhar mais despido
Da vilã que não se fora por completo em ti.
Vai-te, voando, embora, e me deixas a acompanhá-la na mente,
No pensamento sonolento que logo se esvai em sonho.
Amo-te, meu sacro anjo profano, minha menina.
Pequena, não te vistas nunca com as roupas de couraça que tanto conheço.
Que tanto conheço, veste-te com túnicas de anjo
E vem embalar meu sono com o canto fresco de tua beleza
Que ouço de longe...
Abre teu par de asas e voa, vem a mim;
Mas não chegues muito perto, antes transforma-te
Em vilã, antagonista do espetáculo de tuas luzes
Que piscam no ritmo de meus olhos
E do bater dos corações dos homens que te assistem passar
Espectadores e expectadores do sonho que é meu.
Deixa cair tuas penas, todas elas, não te escondas,
Colhe minha semente com toda sua sacra beleza profana;
Esquece o que é a paz
Não tenho calma, quero-te
Despida de tuas roupas de couraça,
Vem me chamar num sussurro.
Sem suas asas, somos tão parecidos
Tu me despiste de todas as opiniões inúteis
E agora, sou pleno.
Com teu corpo que dança qual em festa
Arranca de mim o suor pouco a pouco
Até a gota derradeira
Deixa-me invadi-la enquanto tu me invades o coração.
Recompensemo-nos com um beijo final.
Após o fim do espetáculo tu te vestirás de tuas asas
Te esconderás como se tivesses pudor;
Porém deixarás flutuante o olhar mais despido
Da vilã que não se fora por completo em ti.
Vai-te, voando, embora, e me deixas a acompanhá-la na mente,
No pensamento sonolento que logo se esvai em sonho.
Amo-te, meu sacro anjo profano, minha menina.
Pequena, não te vistas nunca com as roupas de couraça que tanto conheço.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Sentado, sinto que estou em outro mundo. Não estou neste mundo, estou longe. No meu mundo, é noite. No outro, há aqueles que falam e aqueles que ouvem, mas em meu mundo não existe falar. Só ouvir. Eu ouço a voz de sua beleza, que em algum lugar, na penumbra dos pensamentos escondidos, me observa. Sinto-a me observando, mas não sei onde está. O lápis comeu a curva do espaço e do tempo, não há nada que faça sentido além da cor de sua pele, de seu sorriso, de sua risada. Pede-me para escrever-lhe um poema, mas não é possível, você está no trono, e a poesia é uma plebéia. Você destronou a poesia. Mas, por algo que não posso explicar com palavras deste mundo comum a nós dois, a poesia está feliz. Satisfeita. Satisfação é a melhor coisa do mundo. Dos mundos. Não sei se me observa do trono, sua presença é uma mera solução de ar com beleza de molaridade meramente poética, inexistente. Não existe verdade na poesia. Faça-me sentir o sabor dos absurdos e o cheiro dos olhares que vêm da alma. Da janela dela, pelo menos. Não sei se há sentido na poesia, não sei se há sentido em você. Você é poesia. Vocês se juntaram num conúbio noturno desde o momento em que você me falou da primeira vez. Eu estou aqui, você está a umas ruas de distância, mas, nesse exato momento, estamos juntos. Estamos sempre juntos na penumbra dos pensamentos escondidos. Você é bela. A poesia é bela. Você é poesia. A poesia não sente ciúmes de você. A poesia se excita ao ouvir falar na sua carne, treme ao ouvir o canto que vem de algum lugar escondido, inutilizado, encantador. Quero ouvir o canto. Quero ouvir o musical. Quero assistir à ópera. Quero ouvir o grito. Quero um fim silencioso. Observo seu banho lá, no mar de algum lugar qualquer, um lugar nenhum qualquer. Seu corpo está encharcado de uma água que a torna incógnita. Não sei onde está. Revele-se. Cante de novo. Grite de novo. Silencie outra vez. De novo. De novo. De novo. Seduza a poesia. Seduza meu lápis. Seduza meus dedos. Não sei onde está, o lápis comeu a curva do espaço e do tempo. Não existe falar. Só ouvir. Quero um fim silencioso.
Seu
Ai, ai, como você consegue fazer isso comigo?
Eu que sou tão duro frio oco e sem sentido
Mas mantenho a semente latente lá no fundo
Que você rega e acaba que me carrega contigo!
Eu que sou tão duro frio oco e sem sentido
Mas mantenho a semente latente lá no fundo
Que você rega e acaba que me carrega contigo!
Para quem ficou para trás
Busco na vida muitas glórias e medalhas.
Vitórias tais que satisfaçam minha alma.
Não me congratularão ou beijarão meu rosto.
Ninguém se importa com a cor da minha camisa.
A felicidade não é um troféu que pode ser ostentado.
Não é você que me fará feliz ou triste.
Aprendi comigo que eu devo fazer minha alegria.
A receita está cravada na parte doce do meu peito.
Sei que devo partir desta cidade, então até logo.
Devo apreciar a graça de todo beijo e o vento dos sorrisos.
Cada pôr-de-sol é um e morrerá no fim.
Contarei as luas cheias, tentarei lembrar de todas.
A pureza dos olhares será farol inconsumível.
A lembrança dos amores acalentará meu corpo.
Cada gosto, cada cheiro, cada calafrio é único.
Sei que me fará mais forte para ir ao fim.
Cada canto, cada folha, cada poema é íntimo.
É preciso amar a terra e sentir o sol abraçar.
Quero trocar olhares com a lua minguante.
Quero trocar palavras com algum desconhecido.
Talvez alguém deixe seu caminho para vir me acompanhar.
Um dia, ao ver-me cair, você irá se levantar.
Em outro, ao vê-la cair, eu irei levantá-la.
Não me esqueça só porque meu caminho é outro.
Juro que sinto bastante ao ver-me abandoná-la.
Lembre de mim com ternura, dos velhos tempos de escola.
Fez-me ter uma mente, muito obrigado por isso.
Busco mais alegria para por na prateleira.
De uma em uma vou traçando minha rota inconclusa.
Lembrarei com ternura do banho quente e do leite gelado.
Vocês estão sempre comigo, não importa onde eu esteja.
As canções do tempo criança não esquecerei jamais.
Minhas memórias em silêncio me farão maior.
Meu sonho em puro silêncio me fará mais forte.
Estou taciturno mas nutro grandes esperanças.
Vitórias tais que satisfaçam minha alma.
Não me congratularão ou beijarão meu rosto.
Ninguém se importa com a cor da minha camisa.
A felicidade não é um troféu que pode ser ostentado.
Não é você que me fará feliz ou triste.
Aprendi comigo que eu devo fazer minha alegria.
A receita está cravada na parte doce do meu peito.
Sei que devo partir desta cidade, então até logo.
Devo apreciar a graça de todo beijo e o vento dos sorrisos.
Cada pôr-de-sol é um e morrerá no fim.
Contarei as luas cheias, tentarei lembrar de todas.
A pureza dos olhares será farol inconsumível.
A lembrança dos amores acalentará meu corpo.
Cada gosto, cada cheiro, cada calafrio é único.
Sei que me fará mais forte para ir ao fim.
Cada canto, cada folha, cada poema é íntimo.
É preciso amar a terra e sentir o sol abraçar.
Quero trocar olhares com a lua minguante.
Quero trocar palavras com algum desconhecido.
Talvez alguém deixe seu caminho para vir me acompanhar.
Um dia, ao ver-me cair, você irá se levantar.
Em outro, ao vê-la cair, eu irei levantá-la.
Não me esqueça só porque meu caminho é outro.
Juro que sinto bastante ao ver-me abandoná-la.
Lembre de mim com ternura, dos velhos tempos de escola.
Fez-me ter uma mente, muito obrigado por isso.
Busco mais alegria para por na prateleira.
De uma em uma vou traçando minha rota inconclusa.
Lembrarei com ternura do banho quente e do leite gelado.
Vocês estão sempre comigo, não importa onde eu esteja.
As canções do tempo criança não esquecerei jamais.
Minhas memórias em silêncio me farão maior.
Meu sonho em puro silêncio me fará mais forte.
Estou taciturno mas nutro grandes esperanças.
Chamado
Acordem-nos os grilos
Só se ouve o rumor do silêncio que nos abafa
Quero armar-me da palavra crua
E da poesia.
Acorde-nos o breu do século
E ressoe a palavra explodindo o canhão.
Deus, velhos mundos se despedaçaram
Homens, velhos sonhos se despetalaram.
Quero que ecoe o grito de minha caneta
Nas bocas daqueles que ainda falam,
Pois no grito de minha caneta sua fala ecoa.
Leve, vento, o manifesto
E, por favor, encha as caixas vazias.
Choremos ante essa raça de poucas verdades.
Quero que o porvir se faça,
Não quero que seja feito;
Nasça, seja ligação etérea,
Seja construção concreta,
Seja democracia,
Mas que pense e exista.
Sobretudo pense.
Sobretudo exista.
Brote uma folha na calçada da rua,
Isso basta para que a cidade floresça.
Brilhe uma estrela no escuro da noite,
E que ela mate a tarde nublada em sépia.
Quero cor.
Quero sentimento.
Estou fato do silêncio imbecil.
Abra a gaiola, fuja a palavra,
Seja exercida a liberdade sagrada.
Que as mãos teçam mais do que o rude trabalho.
Que o sexo possua olhar,
E que seja sereno.
Quero que os olhares falem.
Falem as coisas,
Falem as idéias,
Estou farto do silêncio imbecil.
Quero as vozes que gritam, umas sobre outras,
Em minha cabeça.
Um segredo que lhe conto:
Sua cabeça é um mundo
E navegue em pensamento.
Morreram as canetas
Morreram as gargantas.
As línguas já tiveram tempo demais para descansar.
Que em todos os portos desembarquem caixas cheias.
Quero que pense, quero que exista,
Quero que fale.
Lua, brilhe linda no céu.
Meu sonho está se despetalando
Entretanto, até a última pétala,
Nunca deixará de ser meu sonho.
Só se ouve o rumor do silêncio que nos abafa
Quero armar-me da palavra crua
E da poesia.
Acorde-nos o breu do século
E ressoe a palavra explodindo o canhão.
Deus, velhos mundos se despedaçaram
Homens, velhos sonhos se despetalaram.
Quero que ecoe o grito de minha caneta
Nas bocas daqueles que ainda falam,
Pois no grito de minha caneta sua fala ecoa.
Leve, vento, o manifesto
E, por favor, encha as caixas vazias.
Choremos ante essa raça de poucas verdades.
Quero que o porvir se faça,
Não quero que seja feito;
Nasça, seja ligação etérea,
Seja construção concreta,
Seja democracia,
Mas que pense e exista.
Sobretudo pense.
Sobretudo exista.
Brote uma folha na calçada da rua,
Isso basta para que a cidade floresça.
Brilhe uma estrela no escuro da noite,
E que ela mate a tarde nublada em sépia.
Quero cor.
Quero sentimento.
Estou fato do silêncio imbecil.
Abra a gaiola, fuja a palavra,
Seja exercida a liberdade sagrada.
Que as mãos teçam mais do que o rude trabalho.
Que o sexo possua olhar,
E que seja sereno.
Quero que os olhares falem.
Falem as coisas,
Falem as idéias,
Estou farto do silêncio imbecil.
Quero as vozes que gritam, umas sobre outras,
Em minha cabeça.
Um segredo que lhe conto:
Sua cabeça é um mundo
E navegue em pensamento.
Morreram as canetas
Morreram as gargantas.
As línguas já tiveram tempo demais para descansar.
Que em todos os portos desembarquem caixas cheias.
Quero que pense, quero que exista,
Quero que fale.
Lua, brilhe linda no céu.
Meu sonho está se despetalando
Entretanto, até a última pétala,
Nunca deixará de ser meu sonho.
Poema para a mulher amada
Fluidas florestas de cravo e canela
Fluem sobre sua cabeça, beijando
Docemente a leveza fresca da brisa.
Seus lábios são portas que levam ao sonho
E à insônia mais doce que se pode ter;
Feliz, felicíssimo aquele que tiver a chave.
Seu corpo é estátua grega de deusa
Em imponência; mas possui a singeleza marota
E a graça da mais bela mulata brasileira.
Seu perfume — ah! doce e único perfume —
Me faz retornar a louco — e talvez efêmero —
Momento único que talvez não tenha acabado.
Memórias... De saudade, de espera, de encontro,
De afagos, de carinho, de frêmitos tão sutis,
Dignos do bico singelo e grandioso dos colibris.
Não é morena nem loura: é linda
Não é magérrima ou gorda: é perfeita,
E tal perfeição brinca com meus pensamentos.
Rouba minha concentração, acende chama
Que arde sem se ver; me faz paixão, só
Carrego-a comigo sempre: isto, que seja inifinito enquanto dure.
Fluem sobre sua cabeça, beijando
Docemente a leveza fresca da brisa.
Seus lábios são portas que levam ao sonho
E à insônia mais doce que se pode ter;
Feliz, felicíssimo aquele que tiver a chave.
Seu corpo é estátua grega de deusa
Em imponência; mas possui a singeleza marota
E a graça da mais bela mulata brasileira.
Seu perfume — ah! doce e único perfume —
Me faz retornar a louco — e talvez efêmero —
Momento único que talvez não tenha acabado.
Memórias... De saudade, de espera, de encontro,
De afagos, de carinho, de frêmitos tão sutis,
Dignos do bico singelo e grandioso dos colibris.
Não é morena nem loura: é linda
Não é magérrima ou gorda: é perfeita,
E tal perfeição brinca com meus pensamentos.
Rouba minha concentração, acende chama
Que arde sem se ver; me faz paixão, só
Carrego-a comigo sempre: isto, que seja inifinito enquanto dure.
O Poeta
“Poetry can’t be written with a silly smile and a hearty laugh
Poetry needs to be felt, to be witnessed, and to be suffered.”
(Jan Havlik)
Ser poeta é muito mais que ser um cantador
De belas palavras e belos versos, é mais que brincar
Com as letras, é mais que criticar os problemas do mundo com metáforas ensaiadas.
Ser poeta é ser infinitamente grande, ser deixar de ser tão grande quanto qualquer um,
É deixar o coração ser ditador, é dar seu sangue pelas palavras que surgem flutuantes sobre uma folha de papel.
Ser poeta é descrever um mundo invisível a qualquer outra pessoa, e contar suas belezas e tristezas com o suor de sua carne.
Ser poeta é andar de mãos dadas com a poesia, e amá-la, e ser dela, e dela só,
Da poesia, da bela e sedutora poesia, da poesia de poucos amantes, da poesia castamente lúbrica, Da poesia imprecisa, da poesia que ri e que chora, mas sobretudo da poesia que sonha.
Ser poeta é também sonhar.
Ser poeta é voar léguas quando a noite chega, tranqüila
É partir em louca jornada, de mãos vazias, em busca da palavra que traduz perfeitamente o âmago do seu pensamento.
É construir com seus braços nus imensa morada, perfeita morada, para seus inexplicáveis sentimentos,
E habitá-la com revoadas de palavras voadoras, que findam pousando eternas.
Ser poeta é testemunhar o apoteótico nascimento de um ser que nasceu por si só,
E no entanto dele ser ao mesmo tempo pai, mãe e desconhecido,
Pois a poesia do nada surge na vida de seu criador;
A poesia nasce de um estalo, ou é aos poucos sedimentada
E espera paciente o momento do seu sacramento, em que jura ser eterna, ainda que não saia do seu canto esquecido e anônimo.
O poeta deve conhecer a poesia, ouvir o que ela tem a contar e cantar, respeitá-la.
Ser poeta é escandir a vida em incontáveis sílabas poéticas
Em métrica inconstante e incomensurável de sonhos e realidade.
Ser poeta é dizer o indizível
Ser poeta é descrever o indescritível
Ser poeta é consumar o inconsumável.
Ser poeta é fazer de palavras algo mais do que sonhos e idéias
Ser poeta é transformar em verso e estrofe o mistério louco que todos conhecem: viver.
Poetry needs to be felt, to be witnessed, and to be suffered.”
(Jan Havlik)
Ser poeta é muito mais que ser um cantador
De belas palavras e belos versos, é mais que brincar
Com as letras, é mais que criticar os problemas do mundo com metáforas ensaiadas.
Ser poeta é ser infinitamente grande, ser deixar de ser tão grande quanto qualquer um,
É deixar o coração ser ditador, é dar seu sangue pelas palavras que surgem flutuantes sobre uma folha de papel.
Ser poeta é descrever um mundo invisível a qualquer outra pessoa, e contar suas belezas e tristezas com o suor de sua carne.
Ser poeta é andar de mãos dadas com a poesia, e amá-la, e ser dela, e dela só,
Da poesia, da bela e sedutora poesia, da poesia de poucos amantes, da poesia castamente lúbrica, Da poesia imprecisa, da poesia que ri e que chora, mas sobretudo da poesia que sonha.
Ser poeta é também sonhar.
Ser poeta é voar léguas quando a noite chega, tranqüila
É partir em louca jornada, de mãos vazias, em busca da palavra que traduz perfeitamente o âmago do seu pensamento.
É construir com seus braços nus imensa morada, perfeita morada, para seus inexplicáveis sentimentos,
E habitá-la com revoadas de palavras voadoras, que findam pousando eternas.
Ser poeta é testemunhar o apoteótico nascimento de um ser que nasceu por si só,
E no entanto dele ser ao mesmo tempo pai, mãe e desconhecido,
Pois a poesia do nada surge na vida de seu criador;
A poesia nasce de um estalo, ou é aos poucos sedimentada
E espera paciente o momento do seu sacramento, em que jura ser eterna, ainda que não saia do seu canto esquecido e anônimo.
O poeta deve conhecer a poesia, ouvir o que ela tem a contar e cantar, respeitá-la.
Ser poeta é escandir a vida em incontáveis sílabas poéticas
Em métrica inconstante e incomensurável de sonhos e realidade.
Ser poeta é dizer o indizível
Ser poeta é descrever o indescritível
Ser poeta é consumar o inconsumável.
Ser poeta é fazer de palavras algo mais do que sonhos e idéias
Ser poeta é transformar em verso e estrofe o mistério louco que todos conhecem: viver.
A Ilusão do Novo
Foi-se o traje, foi-se a ceia, foi-se a dança
Nada sobrou da lascívia e da euforia
Copos no chão, pés descalços
Deixemos o novo sol acordar-nos do sonho
Acabou-se o espetáculo que encenávamos,
As palmas foram breves.
Apaguem as luzes,
Voltemos à banalidade cruel
Caia a máscara, o falso você
Em que se empenhou para ostentar.
Vão embora sob o olhar do novo sol cauteloso
Voltem, por favor, a viver.
Dancem o balé banal
Comam do pão banal
Celebrem quando foi preciso ou conveniente
Lutem banais lutas para serem felizes.
Que é o efêmero desta noite?
Desta noite, que é tão igual às outras noites
Mas que se vestiu, se maquilou
Para contar meias-verdades pelas ruas e avenidas
E pelos passeios públicos
E pelas orlas marítimas
E pelas casas de campo
E pelas festas e banquetes por onde há luzes de néon
E pelo amor dos que preferem a privacidade
E pelo sono dos viciados em banalidade
Noite de sete pulos nas ondas
Noite de sete caroços de romã
O branco é a paz, amarelo, riqueza
Verde, esperança, vermelho, amor,
Mas cores são apenas cores!
Que dancem as filas pelas boates de arco-íris
De cores-sentimento, cores-aspiração que explodem de embriaguez
Gente rindo sua esperança,
Gritando sua euforia,
Filoctetes acertando o olho do Páris da banalidade.
Junto-me ao turbilhão de loucos bailarinos
E juntos escrevemos uma mensagem ao banal
Não somos banais
Nossa festa não é banal
A travessia é uma meia-verdade verdadeira.
Meias-verdades são apenas ilusão.
Nada sobrou da lascívia e da euforia
Copos no chão, pés descalços
Deixemos o novo sol acordar-nos do sonho
Acabou-se o espetáculo que encenávamos,
As palmas foram breves.
Apaguem as luzes,
Voltemos à banalidade cruel
Caia a máscara, o falso você
Em que se empenhou para ostentar.
Vão embora sob o olhar do novo sol cauteloso
Voltem, por favor, a viver.
Dancem o balé banal
Comam do pão banal
Celebrem quando foi preciso ou conveniente
Lutem banais lutas para serem felizes.
Que é o efêmero desta noite?
Desta noite, que é tão igual às outras noites
Mas que se vestiu, se maquilou
Para contar meias-verdades pelas ruas e avenidas
E pelos passeios públicos
E pelas orlas marítimas
E pelas casas de campo
E pelas festas e banquetes por onde há luzes de néon
E pelo amor dos que preferem a privacidade
E pelo sono dos viciados em banalidade
Noite de sete pulos nas ondas
Noite de sete caroços de romã
O branco é a paz, amarelo, riqueza
Verde, esperança, vermelho, amor,
Mas cores são apenas cores!
Que dancem as filas pelas boates de arco-íris
De cores-sentimento, cores-aspiração que explodem de embriaguez
Gente rindo sua esperança,
Gritando sua euforia,
Filoctetes acertando o olho do Páris da banalidade.
Junto-me ao turbilhão de loucos bailarinos
E juntos escrevemos uma mensagem ao banal
Não somos banais
Nossa festa não é banal
A travessia é uma meia-verdade verdadeira.
Meias-verdades são apenas ilusão.
O Último Adeus
Vejo a vida por uma janela
Entre quatro molduras
Ela freme, chama
Mas há um vácuo dentro de minha cabeça
Eu já não posso pensar ou ouvir.
Talvez uma palavra lançada a esmo
Por algum alguém qualquer
Bateu em teu rosto — e doeu
Perdão, mas é tarde.
Talvez não nasça sequer uma cã no tempo
Até que tu sumas do olhar estático de minha janela.
Juro que é triste não mais ver-te, inerte
A teu canto, abandonado por muitos
Esquecido por nenhum.
Lembrarei de ti a cada cerca saltada.
Sempre pensarei em ti quando estiver longe.
Lá eu verei a vida por uma outra janela.
Espero que penses em mim
Sempre que eu pensar em ti.
Pelo menos sempre que eu pensar em ti.
Meus olhos estão sonolentos
Meus lábios então taciturnos
Mas vou-me embora.
Atenderei o chamado da vida.
Que Deus me leve para o lado menos soturno.
Permite-me, sem ressentimento,
Dizer um último e atordoado
Adeus.
Entre quatro molduras
Ela freme, chama
Mas há um vácuo dentro de minha cabeça
Eu já não posso pensar ou ouvir.
Talvez uma palavra lançada a esmo
Por algum alguém qualquer
Bateu em teu rosto — e doeu
Perdão, mas é tarde.
Talvez não nasça sequer uma cã no tempo
Até que tu sumas do olhar estático de minha janela.
Juro que é triste não mais ver-te, inerte
A teu canto, abandonado por muitos
Esquecido por nenhum.
Lembrarei de ti a cada cerca saltada.
Sempre pensarei em ti quando estiver longe.
Lá eu verei a vida por uma outra janela.
Espero que penses em mim
Sempre que eu pensar em ti.
Pelo menos sempre que eu pensar em ti.
Meus olhos estão sonolentos
Meus lábios então taciturnos
Mas vou-me embora.
Atenderei o chamado da vida.
Que Deus me leve para o lado menos soturno.
Permite-me, sem ressentimento,
Dizer um último e atordoado
Adeus.
Pedido
Preciso que você diga as palavras que não posso dizer
E sob os pingos de chuva que caem da tempestade
Caminhemos juntos com o silêncio da vitória.
Que você tenha o olhar que não posso arrancar
Que teça o toque profundo sob a lua
Que outrora lhe dediquei.
Eu poderia falar-lhe do sonho, do vazio e da vitória
Mas prefiro a delicadeza da música que se esvai de um olhar.
Poderia falar-lhe daquela nuvem que esconde a lua
Afaste-a, dê-me seus lábios, minha dama,
E comecemos.
Permita que meus dedos e lábios sejam testemunhas do profundo sentimento
E que nossos corpos vitoriosos ocupem o mesmo lugar
No espaço eternamente enamorado.
E sob os pingos de chuva que caem da tempestade
Caminhemos juntos com o silêncio da vitória.
Que você tenha o olhar que não posso arrancar
Que teça o toque profundo sob a lua
Que outrora lhe dediquei.
Eu poderia falar-lhe do sonho, do vazio e da vitória
Mas prefiro a delicadeza da música que se esvai de um olhar.
Poderia falar-lhe daquela nuvem que esconde a lua
Afaste-a, dê-me seus lábios, minha dama,
E comecemos.
Permita que meus dedos e lábios sejam testemunhas do profundo sentimento
E que nossos corpos vitoriosos ocupem o mesmo lugar
No espaço eternamente enamorado.
Encontro Nocturno
Creo en el poder del brillo débil de las palabras
Venidas de todos los sitios, todos los vales y todos los ríos
Creo en la poesía de los más profundos mares.
Yo sé que tú no sabes que, a veces,
Salimos juntos bajo la luna vieja
Y cantamos las canciones antiguas
De viejos héroes del pasado.
Cantando, nosotros caminamos a buscar las palabras que nos llaman
De un lugar que no es conocido por los hombres.
Toco tus manos, y puedo besar tus labios
Pero no lo hago, nuestra unión aún no puede ser bordada.
Juntos, tocamos el pelo de las palabras con la dulzura de una madre
La luna nos observa con la gracia de una abuela.
Nuestras manos capturan la palabra chica, juntas
Y ella duerme el sueño suave y profundo de la poesía,
Y canta para tus oídos sordos.
Te amo, pero no puedo tocarte.
Estoy a tres palabras de ti y aún así estoy tan lejos…
La poesía es mi salvación, mi redención y mi tormenta.
Te amo, pero no puedo tocarte.
Se yo tuviera el amor de los perros
Y la poesía de los maestres,
Mi mundo estaría completo.
Venidas de todos los sitios, todos los vales y todos los ríos
Creo en la poesía de los más profundos mares.
Yo sé que tú no sabes que, a veces,
Salimos juntos bajo la luna vieja
Y cantamos las canciones antiguas
De viejos héroes del pasado.
Cantando, nosotros caminamos a buscar las palabras que nos llaman
De un lugar que no es conocido por los hombres.
Toco tus manos, y puedo besar tus labios
Pero no lo hago, nuestra unión aún no puede ser bordada.
Juntos, tocamos el pelo de las palabras con la dulzura de una madre
La luna nos observa con la gracia de una abuela.
Nuestras manos capturan la palabra chica, juntas
Y ella duerme el sueño suave y profundo de la poesía,
Y canta para tus oídos sordos.
Te amo, pero no puedo tocarte.
Estoy a tres palabras de ti y aún así estoy tan lejos…
La poesía es mi salvación, mi redención y mi tormenta.
Te amo, pero no puedo tocarte.
Se yo tuviera el amor de los perros
Y la poesía de los maestres,
Mi mundo estaría completo.
terça-feira, 10 de abril de 2007
Para minha pequena lua
Lua,
Derrama teu corpo no leito aberto
E canta para meus olhos
És tão pequena
Mas exalas de ti poesia e sonho.
Diante de ti a cidade é nada
Tua luz engoliu toda a beleza.
Ao ver-te, sou inteiramente teu.
Não te vás, não te movas
Estamos sós, nós dois, neste quarto
Toma meu olhar como convite.
És tão errante, minha amante,
Fica comigo, imóvel
Deixa tua beleza traduzir-se em meu êxtase.
Estás tão longe, aproxima-te
Quero tocá-la com os lábios
E navegar contigo os mares a que fores.
Dança para mim, sozinho e apaixonado,
O seu balé de gestos e poucas palavras.
Despe-te de tuas nuvens e sê minha,
Nua e sozinha
Deixa-me sentir o cheiro de tuas luzes
E o gosto do teu amor modestamente exibido
Confesso-te que és apaixonante.
Amo-te, lua, e peço-te que sejas de todo minha
E cale minhas palavras com o gosto de teu beijo.
Derrama teu corpo no leito aberto
E canta para meus olhos
És tão pequena
Mas exalas de ti poesia e sonho.
Diante de ti a cidade é nada
Tua luz engoliu toda a beleza.
Ao ver-te, sou inteiramente teu.
Não te vás, não te movas
Estamos sós, nós dois, neste quarto
Toma meu olhar como convite.
És tão errante, minha amante,
Fica comigo, imóvel
Deixa tua beleza traduzir-se em meu êxtase.
Estás tão longe, aproxima-te
Quero tocá-la com os lábios
E navegar contigo os mares a que fores.
Dança para mim, sozinho e apaixonado,
O seu balé de gestos e poucas palavras.
Despe-te de tuas nuvens e sê minha,
Nua e sozinha
Deixa-me sentir o cheiro de tuas luzes
E o gosto do teu amor modestamente exibido
Confesso-te que és apaixonante.
Amo-te, lua, e peço-te que sejas de todo minha
E cale minhas palavras com o gosto de teu beijo.
Poema de Impotência
Se eu pudesse, eu mataria todos os adeuses
Eu odeio os adeuses, adeuses são ridículos
Ridículos e inevitáveis como a morte.
Imortais como a morte.
Efêmeros como a morte,
Infindáveis como a morte.
Adeuses são a morte.
Se eu pudesse, os mataria todos.
Se eu pudesse.
Eu odeio os adeuses, adeuses são ridículos
Ridículos e inevitáveis como a morte.
Imortais como a morte.
Efêmeros como a morte,
Infindáveis como a morte.
Adeuses são a morte.
Se eu pudesse, os mataria todos.
Se eu pudesse.
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