terça-feira, 29 de maio de 2007

É. Você, nos píncaros da felicidade, não consegue me ver. E pelo visto, linda vencedora, não é só o amor que é cego. O mundo vê o que você, na sua estúpida miopia, se recusa a enxergar. Debaixo de sua camada mundana de carne você acumulou um milhão de cartas de amor, mas para ler a minha você é uma analfabeta. Vou matar (em sonho, imaginação ou sei lá o quê) seus sentidos sem sentido. Eu não quero que você veja, ouça, cheire, deguste, quero só que você sinta. Só. Mas há uma muralha em torno de sua torre, e eu não posso pedir para você jogar as tranças. Não posso invadir seu território, estão à espreita. Eu não sou Deus, mas acho que Nietzsche está louco para me matar. Eu sei que vou morrer mesmo, cedo ou tarde, então deixa para lá, eu não quero levar você junto comigo para esse submundo dos degredados do amor. Deixarei você viver, vir, ver e vencer e levantar o troféu e comemorar a vitória e aproveitar o tédio que há depois da vitória. Tem um desertinho aqui perto que é o máximo, pode deixar que eu fico vagando sozinho por lá, tem problema não... Talvez se você tivesse dito não abruptamente eu tivesse chorado abruptamente e morrido abruptamente e esquecido abruptamente e renascido abruptamente. Mas você me guardou num aquário vazio e ficou me olhando, como se eu fosse uma lagarta listrada. Você cortou meu rabo para vê-lo contorcendo-se e me espetou um palito na cabeça. Antes tivesse sido abruptamente. Você preferiu assistir todo meu sangue escapar do meu corpo gota a gota, e eu ali, anestesiado, sua presença é linda, é muito linda, é a mais linda do mundo. E ela me faz chorar. Me dê de volta minha trouxa encardida de amorezinhos fúteis com meninas fúteis. Grandes paixões não são para mim mesmo. Deixe para lá. Use um cotonete e desentupa seu ouvido dessa bosta desse lirismo que me aprisiona. Meu amor, meu lindo amor, eu te amo tanto, mas tanto, que quero te esquecer e ir embora para casa.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Poema de Incompreensão

Não a entendo, sinceramente não a entendo
Não entendo os oximoros de sua vontade,
Não entendo os fantasmas — inofensivos — que lhe dão tanto medo
Sua mente é incompreensível.
Quem dera que eu pudesse penetrar a hostil barreira de temores
Que guardam frenéticos os seus verdadeiros sentimentos.
Sentimentos que estão presos em hermética prisão
E têm medo de fugir, embora diga que fortes são.
Tenho plena confiança em você, meu amor, acredito em suas palavras
Pois elas são anjos que vêm fazer doces canções
À noite, quando me recolho à solidão melancólica de sob minha janela,
Anjos que me deixam menos solitário além da muralha impenetrável
Que você penetrou com toda a sua graça indizivelmente leve,
Como a leve e fluida brisa das noites do Mosqueiro.
Não a entendo, amada minha, contudo levo comigo o sentimento
Que não sei se aceita, não a compreendo;
E escondo sob cada palavra da minha poesia
Uma mensagem de amores, talvez ridícula.
Amo, amo muito, e luto para penetrar a barreira hermética
De loucos temores em torno de seus verdadeiros sentimentos.

Para um amor abandonado

Amor, não te entristeçcas por este momento
Alegra-te, pois encontrei tua saída, e a porta abriu-se novamente:
A poesia pôde de novo entrar.
Meus pés estão rumando para outro lugar,
Estou me afastando cada vez mais de ti.
Invadiram meu coração mais uma vez,
Já não sinto pena de não mais ter te querido.
Encontrei alguém para amar até a mais presente das ausências
Ela é impecável, tanto quanto não pudeste ser,
Encontrei alguém com a dignidade para tragar meus versos
E com eles atingir a embriaguez do amor verdadeiro.
Amor, perdoa-me por não ter sido seu modelo de perfeito idiota
Perdoa-me por não me encaixar à sua altivez,
À sua grandeza de idéias, à sua genialidade.
Disseste-me ser amante do romantismo, da poesia,
Disseste-me estar apaixonada, mas que doce!
Será possível que venhas a encontrar outro alguém
Tão bom quanto quiseste para ti?
Talvez eu seja o último romântico dos litorais desse oceano atlântico
E todo o meu romantismo e poesia estão agora volvidos a minha nova amada
Mas, amor, não te entristeças!
Tenho certeza que encontrarás um rapaz a tua altura
Que te satisfará com frases feitas e versos vazios,
Com todo o falso romantissmo que tu tanto amas.
Guardarei meus versos para meu novo amor.
Lembrarei de ti com ternura.
Sinceros beijo e abraço do último romântico,
Inteiramente teu,
Pedro André.

Paradoxo (II)

Me dizes que estás triste
Mas que é a tristeza?
A única que te acalenta
A única que te dá o ombro
Chora tua tristeza,
Chora, e ressurge.
Esperarei aqui quando ressurgires.

Paradoxo (I)

Não compreendo
Os paradoxos loucos da vida:
Os paradoxos são para a poesia.

Não compreendo,
Mas talvez seja a vida enorme poema
— Embora, paradoxalmente, incompreendido por aquele que o escreve.

Paciência...

Às vezes eu imagino
Sozinho, sereno, tranqüilo,
Como seria, amor,
Se a gente estivesse junto.

Porra, esse futuro do pretérito é foda.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Sobre eles que há entre nós

Ah, maldito amado amor,
Pisaste no meu pé com a força de um afago
A dor foi tão pungente
Que corri e deitei no colo da poesia.
As luas e estrelas que mandaste foram raptadas pelas nuvens estúpidas.
Ó, ceu, amado e temido céu,
Não escondeis o eclipse que enlouquece tanto a lua!
Queria tanto que eu pudesse ver a lua hoje, agora mesmo
E fazê-la minha com as mais loucas e pífias imaginações de amor
Tão grandiosas
— Chuva, pare, estou apaixonado, não vê?
Sigo na busca pela outra metade da frase tão clichê...
Quero-a com a lucidez de quem devora Vinicius de Moraes
Entendendo tudo do sentimento tão sublime
Entendo-a com a lucidez que talvez tenham me dado os goles a mais...
Não a entendo, eis a minha conclusão:
Quero você descoberta de nuvens whatsoever
Plena, linda e cheia, minha lua,
De amor pra dar
— Pra mim.

Um poema sobre tudo

Tenho pés e teço passos ora lúcidos,
Ora loucos e poéticos.
Vou-me indo sem saber por quê
E o porquê não me interessa
Estou preso à vida, e é dela que se concebem os versos
Aqueles duros e feios, mas também os vivos e belos
De uma beleza poética que aduba os campos
De onde brotam alguns de nossos sonhos mais singelos e íntimos.
Tenho olhos e vejo coisas feias
Mas também vejo coisas belas.
E há também aquelas que não podem ser bebidas com olhos
Mas que, se existem, são tragadas pela alma
E que, em vão, tentam se esvair em verso.
Tenho ouvidos e ouço ruídos tristes
Mas ouço as mais belas melodias
Que criam doces cicatrizes sob minha pele fadada ao nada.
Tenho muito e não tenho nada.
Não temos nada, não temos o ter.
Tenho o cansaço assassinado no leito que me devora.
Tenho a língua, velha e cansada
Nunca foi preciso falar para dizer.
Tenho o cacho que cai nebuloso sobre a testa.
Tenho a voz que ri, a voz que diz e a voz que cala.
Tenho o cheiro de caju em dezembro.
Tenho o sentar-me torto na cadeira.
Não tenho medo mas também não tenho coragem.
Não tenho nada.
Tenho mãos e domestico versos
Com elas monto alicerces para um futuro que inexiste
Mas também com elas destilo poesia.
Quero auroras e seus poemas
Quero a lua copulando com o mar
Quero matar os adeuses.
Tenho um papel e um lápis.
Tenho um poema sobre a vida.
Tenho um poema sobre nada.

Sur notre amour incomplet

Jolie,
Je voudrais trouver la chance de ma vie
Je voudrais te rencontrer à quelque lieu
Près de la mer, où on peut regarder la lune
Et les étoiles, qui protégent notre union avec leur lumière.
Je veux te voir dans ma chambre
Où nous allons nous coucher et faire ensemble notre ciel
Plein de toi
Nous nous aimerons, seulement.
N'oublie pas notre danse
Ta bouche près de ma bouche
Ta main dans ma main
Tes yeux qui regardent mes yeux.
Pour l'œil du monde on n'est pas plus que des amis
Mais je marche par un grand chemin
Seulement pour prendre une fleur
Avec ta tête dedans.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Lua, grande cafetina

A lua chegou sorrindo
Gravando-se em cada onda
Do mar incansável da noite
Do peito incansável do homem.

Lua, grande cafetina
Do céu da noite, grande bordel
Inflando paixões de marinheiros
E pescadores do coração do mar.

Lua, lua, bela lua
Única no castelo das luzes
Mãe das lúbricas estrelas,
Meretrizes que copulam com o mar.

No cais do porto, à noite
Na beira do mar na penumbra
Arde a lua no leito do pescador
Dança a lua no verso do poeta.

Lua, amante do estivador
Que deixa a mulher em seu seio só
Lua, mestra no bordel da noite
Da música que exala das ondas do mar.

Lua, mais noturna entre as boêmias
Lua, mais amada entre as meretrizes
Lua, mais sábia entre as anciãs
Lua, mais bela entre as meninas

A lua chegou sorrindo
O bordel da noite iluminando
Mas a lua, grande cafetina
É a mãe do sentimento do sublime.

About our love

From all times I slept without you
I kept this sour smile.
The distance that sets us apart is so small
But it’s long enough so that I can’t touch your face with my warm fingers.
You are my anonymous fate,
With your stare you can read all my fears and desires.
My love is not only a wish
I know you know the poem I wrote with my old hidden feelings.
But I can’t understand you
I shall never understand you,
The messages you send me were written in a language I can’t read.
The nymphic beauty you show the world has caught me
My heart is stuck in a distant seashore I’d never been to.
Let me take you to see my ambitions and dreams
And show me your love in foggish proofs.
Please, excuse me
But my greatest and deepest desire
Is to feel in my mouth the warm taste of your misunderstood love.