Pra falar a verdade,
suas carícias me machucam.
Machucam, sim, porque sua graça
carrega os quilos do não poder ser.
Aquilo de ser a que rega o prazer,
ah, qual é?,
de que adianta um afago proibido?
Foi por cansar-me desse peso do não ser
que — forçado — fechei a janela.
Eu só queria entender a saudade dos poetas!
Existe comodismo dividido em estrofes?
Rodas rodando na rota retinta
Tem espaço pra a lua na hora do rush?
Suas carícias são um chute
que errou por pouco minha cara.
— está entrando no ar o zap
a ministra mandou zap cheia de
graça zap trinta e dois graus zap
ci vediamo domane zap plantão especial:
a lua cheia apareceu no céu ontem à noite
em meio ao smog urbano e às buzinas
e à correria da cidade e aos estudos
e ao trabalho e aos rancores e às paixões.
Ela deu um chilique,
disse que não queria ir à terra
para viver nessa vida incerta e
acabar levando um tiro de algum
fabricante de queijo cremoso...
Perdão, amiga (só isso) minha,
Mas a leveza etérea do jovem foi roubada,
E eu estou prestes a chorar a morte do tempo
Em que eu poderia ter sido o céu,
E não a terra.
Minha saudade é tão grande,
ah se você soubesse...
(suspiro e lágrima fujona)
Dê-me o lirismo de volta,
Está tão barulhento aqui...!
Não chorarei as lágrimas do fraco que fui
Nem usarei a primeira pessoa em vão.
Serei mais carne e osso porque o amor
Não resultou inútil.
Ainda que se calem mortos todos os homens
Um eco restará vitorioso
meu Deus, meu Deus, meu Deus.
Dormirão deitadas no chão as canetas
Mas sonharão com o tempo em que foram
imortais.
E eu, de mim não restará idéia
Primeira pessoa, segunda ou terceira
Porque não restará saudade.
Quando se calar o eco do suspiro do último homem
A lua morrerá por não haver olhos
voltados para ela.
E então, talvez você descubra
que suas carícias são navalhas
e seus beijos são canhões
e seus abraços são carpideiras
da morte da última gota
que eu derrame do meu corpo
por você.
Vou ser
Mais atento no caminho,
E não pisarei em minas que explodam paixão
E ecoem meu grito:
Pisei numa mina, Ina, Ina, Ina,
Ina, Ina, Ina, Ina,
É vasto meu coração?
Serei atento, sim, com zelo, sempre e tanto
Para que não ouça o canto
Se a sereia quiser
(ainda que não o saiba)
me matar.
Não quero ser rapsodo da paixão
Nem cardiologista do mundo
Mas acho que com tanto amor
é melhor uma angioplastia
E que os anjos não estejam ocupados
Se for preciso um transplante.
Não plante em mim
suas lágrimas, não me pode
com o facão da sua ternura.
Eu sou um monstro de delicadeza
E debaixo de sua cama não estou confortável.
*
Silêncio, eu preciso de silêncio!
Calem a boca do mundo que eu quero ouvir
Seu coração — ele existe!
Seu coração, amor, eu o encontrei num canto
Ele me contou que passeava pela madrugada
Na praia ou na cidade
E achou a lua.
Nunca mais foi visto novamente.
Você é um mundo
Onde todos os paralelos têm quase noventa graus
E agasalham-se de mim.
Não me deixem morrer, eu preciso
Antes de tudo, salvar o mundo
Mas, com esse barulho, amor,
Não consigo nem ouvir sua diástole.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
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4 comentários:
zap...
Inútil deixar passar (não há como!)
zap...
Melhor mudar de canal.
mas...adoro muito, m-u-i-t-o.
Você sabe.
Linda.
*Você me deixou com raiva do mundo: ele banalizou a palavra. Não encontro uma que valha tudo o que sua poesia me fez sentir...
Eu acho esse o seu melhor, Pedro.
Não mais... (vide Poema nu)
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