segunda-feira, 26 de maio de 2008

O chumbo das horas chãs

Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
A lucidez da manhã
é opaca como uma rocha.
Meus olhos estão opacos
mas sonham refletir luz.
A luz na translucidez
não morre mas se transforma.

Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Tudo está em seu lugar
e a neblina cobre tudo.

Meus olhos estão opacos
mas brilham pela transluz.
a boca que nunca fala
termina esse mau bocejo.
A água cai do chuveiro
e os olhos enchem de luz
a água não mata a luz
mas a luz quase se afoga.
A neblina cobre tudo
que está em seu lugar.
Não há antes nem futuro
não há lua sobre o mar.

Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Estou lúcido e não durmo
mas o sono me quer morto.
Não há fantasma nem mácula
na lucidez da manhã.

Há o riso de marina
e o não-riso de matheus
eu não sei que tenho eu
quando tudo me domina.
O presente não me solta
e essa luz tudo ilumina
há o não riso de matheus
e o sorriso de marina.

Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Os fantasmas do futuro
deixam opaco o amanhã.
A manhã apaga tudo
de vestalino ou malsão.
Foge pedro, pedro, pedro
vai pro mundo da ilusão.

Translúcido e marfilino
surge o mármore dos céus.
As negras que já vêm vindo
balançam suas ancas pobres
chegam muito sorrateiras
com seu cheiro de café.
Mas a névoa cobre tudo
que há no chumbo das horas
o estofo do rio Sergipe
quase grita de tão mudo.

Não há fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.

Morre de asma o trem
que não pode mais marchar
meus olhos quase se fecham
mas não posso mais fechá-los.
Sou moreno de olhos pretos
mas não os posso fechar.
Os postes se apagam mortos
e quero dormir com eles.
O amanhã é hoje agora
e se põe já bem translúcido
estou lúcido por fora
mas quero a cama pagã

Quero fantasmas na trans-
lucidez dessa manhã.
Quebro o crânio do granito
vou viver a vida vã.

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