E então ela me falou
com aquele olhar talvez ensaiado
aquele sorriso que é mais triste que muito pranto
e aquela maquiagem indefectível em seus olhos.
Eu a olhei e preferi calar.
Mal sabia ela que eu era um transeunte
que pára frente a um jardim cercado para olhar uma flor
que não pode colher para dar à sua.
Mal sabia ela que eu sou também estame
e podem vir mil passarinhos que permanecerei
a meu canto sem desperdiçar-me
às flores mais cheirosas e exuberantes.
Ela ignora minha natureza de antúrio
ela que é a orquídea mais bonita do jardim cercado.
Sua incoerência é fruto da maré, da lua, do âgon
não sei, prefiro não entender. Prefiro
antes carpear o meu diem porque a fonte seca
a fonte seca, a fonte seca, a fonte sexa
calada e incauta em meio à odisséia sideral.
Mas não.
Há sempre quem esteja à nossa espera,
há sempre a necessidade do compromisso da agenda,
há sempre o olhar dos bêbados da festa
e há sempre a flor do jardim cercado
em meio à cidade.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
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2 comentários:
lindo lindo lindo
v
Há sempre?
Há. E haverá.
Mas sabe...isso não interessa nem um pouco.
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