sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sobre mim

Se for o sol satélite da Terra,
vou olhá-lo, pra ver até onde vai.
Vou prestar atenção nas andorinhas,
nas velhinhas, nos amantes de primeira viagem.
Preciso olhar o mundo sob a ótica serena do amor.
Preciso seguir lentamente para sentir o cheiro da flor
preciso colher a flor, preciso cheirar a flor,
preciso cuidar da flor e levar a flor pra ela.
Vou procurar a ficha da beleza no arquivo cinza dos dias nublados.
(Será que ela é inocente?)
Ela quer que eu fale e beije, falarei e beijarei
mais que se possa imaginar, serei um beijador incrível
e minhas conversas durarão horas e jamais serão enfadonhas.
Ela quer que eu diga eu amo você em todas as horas
em todos os lugares, por todos os caminhos e em todas as cadeiras
de todos os restaurantes e salas de aula e cinemas multiplex,
então direi, e não terá ainda sumido a marca que
minha fala deixará em seus ouvidos e eu já terei dito novamente.

Se for o mar o suor do amor entre a África e a América,
vou me banhar de suor, sempre que ela tiver aquele olhar diferente
e aquela carinha que ela reservou para poucos.
E buscarei no mar uma resposta exata para essa coisa humana
que é o amor, e não encontrarei, mas me permitirei
ingenuamente concluir apenas que o mar é enorme.
Não vou me culpar por não conseguir descrever o mar em poesia,
não vou tentar fazer mais grandes poemas, desisto,
a vontade de desistir diante da minha janela é arrebatadora demais.
Quero vê-la todos os dias entrando neste prédio,
pegando o elevador, apertando o catorze e se abrindo em amor gratuito.
Porque dela eu não desisto, não adianta, não importa o que aconteça.
Fossem tantas as decepções, as ofensas à minha virilidade,
as omissões da realidade, o sadismo, a loucura e a espera infinita,
eu teria dito basta e teria ido buscar outra alegria em outro lugar
talvez no continente, onde o mar não pudesse ser avistado
nem do ponto mais alto da torre de TV.

Se for a terra a prova da imortalidade dos que se foram,
terei menos medo do tempo, da fugacidade,
e jamais me deixarei apossar pelo efêmero.
Não terei mais pressa na vida, não correrei aos afazeres:
tenho mais dez anos e todas as vontades do mundo.
E ela virá comigo, espero, e estará comigo,
e me amará sem medo, me fará sorrir e me perguntará
o que você está olhando? já sabendo a resposta ensaiada.
Só é preciso que ela me olhe sempre do mesmo jeito
que me queira da mesma maneira, que ignore meus maus humores,
que acabe com minhas dúvidas sobre um futuro que abandonei
antes mesmo que pudesse ter a chance de existir.
Que esteja em casa quando eu ligar, que não me insulte
quando eu fizer um carinho bobo de namorado antes de desligar o telefone,
que abandone as prenoções dos amigos e me deixe amar
desse jeito, que nunca me fez e que eu nunca fiz tão bem.

2 comentários:

Pedro Guimarães disse...

Se fosse o sol satélite da terra...

Anônimo disse...

nice...

very gud =D

gostei mesmo...lindo,lindo, um dos melhores =D