Mesmo sabendo-te, quero-te mais.
Então me ensina.
Me ensina a mergulhar nos teus olhos
Que a vida fez tão profundos
Me ensina a olhar soberbo como um gato
Pois sou poeta de olhar cachorro!
Me ensina a sentar com dignidade
A andar com majestade
Me ensina a ser poeta, amor!
Me ensina logo a enfunar o papo
E a me portar à mesa como barão
Mas, antes de tudo isso,
Disso tudinho,
Me ensina a viver a vida torta de um pagão!
Não.
Manda pôr arreios sobre meu Bucéfalo anabolizado
Manda polir minha espada de enfeite japonês
Porque debaixo desse olhar calado
Há um bicho feio,
Uma hidra,
Um dragão,
Um bicho-papão,
Um presidente do Senado Federal,
Um criatura que eu tenho que caçar.
Guinevere, cansei de amar-te.
Dessa vez a garota apressou-se em perguntar-lhe se ele a queria abandonar assim de sopetão, como a retórica aprendida com o namorado filósofo (aspas?) pregava, mas o poetinha (diminutivo de miudez mesmo) lhe disse que nada que ela não quisesse aconteceria de fato. Sinos de anjinhos no céu tocaram, os colibris de todo o mundo cantaram e ela pensou no amor que ainda podia receber para comer com farinha quando ninguém estivesse olhando.
Esse amor eu curo amando.
Não me ensina lições das tempestades
o mundo que te rodeia:
estou embasbacado diante da presença
da enorme realidade em que se deita
minha visão ruim.
Deixarei que veles minha jornada
e saibas por que meandros estarei
me dá banho com suas lágrimas.
Melhor, me dá um barquinho
Tenho medo desse futuro que parece
tão
grande.
Por favor, coloca pimenta-do-reino
na minha poesia, coloca sal grosso
o destino é tão longínquo
não te afastes mais
que a distância infinita de um abraço.
Não, coloca açúcar,
quero um gosto que me lembre de ti.
Te vejo em qualquer lugar
perto de doismilevinte.
Você não vai me mandar ir ao banheiro antes?
É longe...
sábado, 28 de julho de 2007
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