segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Os Malditos

Sim, mortais é o que somos
Somos mil anjos caídos
Somos loucos desvalidos
Filhos pródigos do escuro
Não se sabe donde viemos
Nem se crê nos nossos planos
Nossos olhos vêem mais longe
Nossos passos são incertos
Nossas lágrimas são doces
E os corações, feridos
Carregamos cicatrizes
Nossos pés são doloridos
Nosso mundo é muito grande
Permaneçamos unidos
Nos perdemos facilmente
Numa amante ou num amigo
Nos olhamos ao espelho
Para achar algum sorriso
Nos achamos entre coxas
Procurando algum abrigo
Temos coleções ocultas
De papéis e de arquivos
Digerimos a palavra
Nessa merda de lirismo
Somos fiéis a nossos mestres
Que se foram mais felizes
Repetimos os seus feitos
De heróis do cotidiano
Somos monstros do armário
Somos santos esquecidos
Nos perdemos entre os goles
Do veneno mais querido
Somos grandes, somos fortes
Porém corremos perigo
Somos velhos sem ter filhos
Somos jovens namorados
Somos fados, somos sambas
De ilusão fomos criados
Temos uma dor no peito
E amor nos olhos cansados
Somos nobres com defeito
Somos poetas sem um tempo
Nos vemos como sementes
Dessa partenocarpia
Vivemos debaixo da terra
Não vemos a luz do dia
Somos todos nós nutridos
Por Andrades do passado
Entre tantos sobrenomes
Os nossos foram pichados
Somos filhos da palavra
De vinte-e-dois e de agora
Somos vermes que aeram
A terra da flor do Lácio
Somos o momento efêmero
Que nos reservou o tempo
Sim, mortais é o que somos
Mas seremos gado grande
Pois nós somos os bezerros
Dessa Quarta Geração.

Nenhum comentário: