Não é não
Não é não e não e não
Não se trata de paixão
Não é emoção
Não, não é tesão
A pele repele qualquer coisa
Que não seja atração
Me dê a mão
Silenciosamente
Muito lentamente
Doentemente
O olho quer devorar
Quer deglutir
Quer mergulhar
Olhar
Jamais falar
Me dê a mão
Não saiba se é tarde
Ou não
O pão
Espera pra depois
Nós dois
Em transe
O trânsito irreal
Longe daqui
Respiração
Ou a brisa do sul
Não sei de mais nada
Transpiração
Ação
Cheiro de caju
Fumaça
Suor
Meus ouvidos estão
Cheios
De música?
Nossa dança
Me perdi do mundo
A curva do mundo
É seu quadril
Seu corpo balança
Anacronicamente
Cheiro de seus cabelos
Invadindo minha cara
Cadê a luz?
O sol se foi com pudor
A lua branca parou
Pra te olhar
Com um brilho frio
Vazio
Nós somos o tango
Não pare
Seus olhos meio verdes
São a porta do inferno
É quente
Quente
Ferve
Você me seduz
Com verve
Sua boca tem sabor
De caju
E de álcool
Dançarina
De cabaré
Numa casa burguesa
Da zona sul
Esquecemos o mundo
O mundo não nos esqueceu
Esqueça
Torpor
Não amor
Amor é pros fracos
Nós fomos mais
E somos
Seus olhos fechando
São eternos
Nós fomos
Olho
E pele
Slowmotion
Longamente
Demoradamente
Lentamente
O olho
A pele
A boca
A mão
O não
Não
Esqueça.
sábado, 10 de novembro de 2007
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