O menino preto e franzino me perguntou
se eu queria comprar uma rosa vermelha.
Murmurei um não como se seu preto
fosse completamente invisível.
Quando fechei os olhos ontem à noite
passei a ver tudo muito preto
e me lembrei do menino preto e franzino.
Seu olhar como vitrine de loja
suas roupas como túnica da sorte
seus pés como raízes
e suas mãos que tocavam espinhos.
Mas que ingênua elegância
não tinha o menino!
Como mil pajens alados
flutuava pelo mundo
como príncipe encantado
cavalgava em mar profundo
como bom publicitário
divulgava seu produto
que parecia colhido
de algum jardim noturno
trancado na primavera.
Ô menino preto e franzino,
quando passar por aí pela 210 sul
a menina mais bonita vinda lá de Aracaju
ofereça-lhe uma rosa mas não lhe cobre um centavo
diga que lhe mandou o poeta,
que, assim como você,
não sei se é nobre ou escravo.
domingo, 20 de janeiro de 2008
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2 comentários:
É ESCRAVO!!
(boa pê-á!, esse menino me dá orgulho)
Pedro Y.
Já disse tantas vezes, que a boca até já sabe o caminho...
É o menino prodigio.
v
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