quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Epistemologia do poema

Um homem tem um sério compromisso
com seus fracos barulhos.
É preciso que haja ouvido de coruja,
é preciso
que se cale o rádio e acenda a lua
que o respirar seja mais alto que o som chato da rua
para que se possa bem pensar.

Um poeta, um jazzista, uma puta
uma jovem silhueta fatigada pela luta
e uma leve gravidade
também têm um bom lugar.
(Mas cuidado, toda puta
deve chamar-se Amélie
e viver no Moulin Rouge
— ou outro bordel de Paris.)
Uma caneta tinteiro, um isqueiro,
um cinzeiro; pra completar,
um moleskine em branco
e paixões a dizer chega
mil! duas mil!
para anotar.

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