O amor que me cala
é o que me entristece
porque outro fenece
na sua morte de fala
na sua morte de nada
na sua morte de amores
de bem longe de mim
mas o amor que me cala
é o amor que me alegra
porque surge na pedra
como audaciosa flor
ele vem de repente
com mirada contente
sem procura ou espera
ainda assim, o amor
que me surge do nada
nada absoluto
é um amor que não pode
me fazer gargalhar
me fazer escrever
me fazer suspirar,
soluçar, já não posso
nem chorar, nem morrer
todo dia um pouco
nem amar como um louco
porque amor, amor mesmo
tive um, um apenas
e acabou sem mais nada
nem saudade calada
nem tristeza velada
nem vontade de volta
esse maior de todos
esse amor dos amores
essa monstruosidade
essa pura inverdade
essa crua imensidade
foi-se embora sem volta
e agora estou só
vendo um amor que me surge
repentino e feliz
na sua imensa tristeza
de não poder ser grande
de estar sempre à sombra.
Mas que seja bonito.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
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