quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2008 foi um ano ruim

Oito foi um ano ruim. Não troxe consigo a alegria de seis ou a grandiosidade de sete, ou mesmo a epifania de cinco. Oito foi um ano sóbrio, triste e de cores esmaecidas e um tanto opacas; um ano cinzento, diria. Lembro-me de seis, aquele ano alegre e vívido, um ano que até a data de hoje me traz de súbito uma grande risada quando é lembrado. Ou ainda de sete, um ano de grande jornada e grande conquista e grande luta também. Oito foi sem-graça como quatro, como noventa e sete, e alguns outros noventas da minha infância de século passado. Em oito nada de grande aconteceu. As coisas grandes de sete e de seis, e mesmo de cinco, pareceram perder sua grandeza e tornaram-se apequenadas, até que sumiram: oito terminou com uma grande sensação de vazio. Em oito acabou a busca da grande meta, a concretização dos grandes planos, em oito foi revogada a lei que eu tinha escrito com meu sangue. De tanto que queria antes ir embora para o mundo, fiquei. As ideias que tinha antes tão veementes viraram cinza jogada ao vento das circunstâncias. Abandonei meu sonho maior, a alma mater sonhada sumiu quando despertei assustado na periferia da cidade natal. Uma verdade triste e deliberada que existiu por causa das porcarias do amor. De um grande amor. O maior de todos. O amor insuperável. Por causa dele abandonei sonhos, esqueci objetivos de vida, escolhi o caminho vicioso e por causa dele entristeci. E por causa da tristeza emudeci, e por causa da mudez, incomodei, e por causa do incômodo, feri, e por causa da ferida matei. Matei a mim primeiro, e ela, Julieta, matou-se em seguida. Morreu o maior de todos os amores, o amor que traziam cinco, seis e sete, e que oito matou. Extinguiu-se também o maior de todos os sonhos, o sonho que traziam cinco, seis e sete, e que oito destruiu. Cinco criou, seis e sete mantiveram, oito destruiu. Oito foi o ano destruidor. Oito terminou sem perspectiva. Sem futuro. Sem nada. Que nove seja o início de uma nova jornada, uma jornada que se etenize em algo grandioso, lindo e perfeito. Que nove seja a ponte fantástica entre o caos de oito e um porvir de ordem. A esperança é grande para a década de dez, que se aproxima.

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