Em certas noites
ou numa noite certa
(ainda não sei)
nalgum momento perto
do alvorecer
(num momento congelado
embora
na fita do meu tempo)
na maturidade
da madrugada
encontro-te.
E então desaparece
qualquer lucidez
as memórias do passado
não encontram paralelo.
Encontro-te gigante
amante, ofegante, simples
como roda de ciranda.
E no momento cristalino
em que te encontro
(mas nada virginal)
não me adianta tentar
falar, perco a eloquência
e minhas frases
perdem o rumo
e as palavras
perdem o prumo
e, mal e mal erguidas
ruem, num ruído
cansado e ensurdecedor.
E quantas blasfêmias
grito para ti, tentando
como um suicida em delírio
extirpar meus pulmões
(não sei se ouves)
e quantas heresias
cometo por ti
(cometo contigo)
crendo que o mundo
é um ponto em meio ao que há
(mas nós dois somos imensos).
E a lua, nesse momento
parado perto do dia
se mata, atirando-se
contra o horizonte duro
(se mata de ciúmes).
E o céu se inunda
dessa cor rara que brilha
pelas manhãs, quando por amar demais
perdemos a hora e não sabemos
se é dia
ou se é noite.
E não perguntes
onde estava Deus
pois Seus olhos
estão ocupados
tentando não olhar
para nós. Mas eu,
num átimo de insanidade
ponho-me de joelhos
e, como um santo
chorando convulsamente
rezo por ti.
Nessa noite certa
ou nessas certas noites
(adoraria sabê-lo)
esmaece tudo a nossa volta.
O momento se congela
o mundo para a nos olhar
enquanto eu, extasiado
não me importo em afogar-me à morte
no lago claro e fundo
dos teus olhos.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
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