quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O caminho para a distância (II)

São árvores que passam rápidas
pala janela
e nuvens que se fundem
ao céu
que me revelam a saudade
do verde mais verde
e do branco mais branco
da minha casa.
Não há conções quentes
neste lugar
e os sabores
não me satisfazem.
Sua beleza temporária
jogada pelos campos nevados
e pelos edifícios sepultados
me atrai
e me destrói.
O azul aqui é menos azul
e o amarelo, menos verdade.

Mas sigo em frente
em êxtase
desejando que tudo seja um sonho
lindo,
do qual eu venha a acordar
quando acabar.
E estarei deitado em minha cama
mais azul
debruçada sobre o rio e mirando
as ondas do mar.
Ao sul pertenço e do sul
jamais me desfarei.
E poderei entristecer
ao não ver o oceano
e poderei desonrar certa vez
minha língua-mãe
mas o bom filho
à casa sempre torna
e minha vontade é de ser bom
se puder.

Mas enquanto estou longe,
corro ligeiro por campos sem nome
passo por cidades
cujo povo jamais conhecerei
encontro meu olhar
com o de desconhecidos
que nunca mais verei novamente.

E sou feliz na minha dor.
Tenho música e tenho poesia
e gravo imagens para a posteridade,
sem medo e sem virtude
e me entrego a línguas que desconheço
e me destruo a cada esquina
e me refaço na surdina
e permaneço sempre constante,
mesmo longe,
na minha inconstância reflexiva.

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