sábado, 24 de abril de 2010

Nesse rincão da Terra em que todos os caprichos são conhecidos por nós, e nós apenas, nesse pedaço de céu que nunca viu mau tempo, ao qual estamos desacostumados, nessa faixa de areia que protege nossos sonhos frágeis e que muito possivelmente jamais se cumprirão, cumprimos nossa pena pela existência. Nossa porta de entrada permanece aberta, mas ninguém conhece seu paradeiro, e continuamos sozinhos, cantando abraçados como se, entoando aquelas mensagens de grandiosidade, nos livrássemos da pequenez de nossa cela. Acreditamos em muita besteira, às vezes, é verdade. Nossos aromas são particulares e nosso dialeto é quase secreto, e não hesito em afirmar que, em poucos anos, nossa raça terá sido dizimada da face do planeta tão grande. Nesse resto de paraíso em que nascemos, para lá viver, olhamos o mar, esperando que traga algo de bonito de lá do outro lado, ele que é mesmo muito maior que nossas próprias vidas.

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