Um par de lágrimas
e minha sólida condição de estar no mundo.
Não preciso de mais nada para sentir sua presença
do meu lado, incauta no covil da besta
da hipótese bruta e estúpida
do amor.
E é por isso, confesso,
que meu olhar destila
a água desse mar que me faz tão diminuído
e sobre a qual ela se deita
para me fazer chorar no paraíso.
E talvez seja nitidamente seu rosto
que me faça morrer da próxima vez
não sei, tudo está em minhas mãos
quando perco tudo, não faço a menor idéia
talvez seus pretextos de proximidade
sejam o epitáfio na minha lápide irreal
de um futuro que, por ironia do tempo e da dúvida,
eu amargamente desconheço.
Talvez eu queira morrer, não nego,
mas a dúvida do que seria um amanhã
me faz um covarde e um cretino.
Não posso acreditar em nenhuma palavra dela
nela não me atrevo a confiar, não posso
mas faço o que ela me propõe cegamente.
Quieto vou ficar em meu canto com minhas traças,
meus papéis carcomidos na primeira gaveta,
minhas lembranças sem certeza de um passado feliz,
não quero te acordar quando você tenta tanto dormir.
Não, não vou dormir, não, eu tenho medo do escuro.
Quero mastigar um Drummond bem mastigadinho
e engolir bem devagarinho, gosto de letra
e palavra é bom, só assim fico acordado.
Quando sua porta se abriu eu entrevi uma angústia
que me chamava de nome de primeiro namorado.
Me acordem depressa se eu cair no sono.
Estou com um medo enorme de sonhar.
E naquele dia era noite, e a brisa era de verão
e vinha do nascente procurando o sol no poente
onde ele se enfiou. Ela veio e me apunhalou
eu era pra ela um saco sem ossos.
Seguramente tiro forças de olhar pra ela,
como o condenado tira forças de seu assassino
lutando com medo de morrer.
Juro sob a boca calada dessa noite de vento
que secretamente morro de medo de morrer.
Ela me vê viver, e minha poesia surrada
é, para ela, um laboratório da minha existência.
Eu não quero que importe, o mundo todo com todos os países
não importa, as cores não importam,
a Geração não importa, o perfume supérfluo
não importa, como não importa sua vontade muda de fugir.
Não tenho vocação para mártir e não sou poeta maior.
O universo é, pra mim, uma restrição à liberdade.
As leis da física são uma prisão no meio do limbo
e as vontades desse amor mimado são a porcaria da chave.
Maus dizeres e desdizeres
meus, ratos da minha subsistência negada
sou um ridículo alfaiate que não sabe nem
fazer uma roupa nova para a palavra do papel.
Más opiniões sobre o que não sei e sobre o que sei
porque tenho que ter alguma, sem opinião não se fazem
doze horas de um dia bom de domingo em novembro.
Quero decretar que o presidente tem que cantar e dançar
todos os dias na tevê pra me animar com sua pança
pois nossa dança aqui é dois pra lá e dois pra cá.
Vamos andar pela sombra pra não exaltar a fúria
do namorado solitário, da mulher que separou-se,
da garota que foi trocada, do impotente.
Fale baixo ou não fale nada pra não fazer
caírem mais ciscos nos meu olhos de pálpebras pesadas.
Meu verso longo é um fluxo do que penso
mas eu não penso mais porque pra nós pensar é crime
hediondo e inafiançável com pena de um beijo a menos
no dia vinte-e-seis de novembro, que, se bem me lembro,
é o dia em que o mundo foi criado por um Deus caladão.
Mas, olhe, minhas vontades interessam, sim,
então me chantageie porque eu te deixo
me bata porque eu permito
acabe com a minha raça porque eu quero fugir
pra longe dessa Pasárgada republicana.
Não tenho grandes interesses e não sou amigo do rei.
E eu poderia voltar e escrever anástrofes
e apóstrofes e elipses mentais mas
minha simplicidade é fruto de samba até mais tarde
e muito sono de manhã, mas que diabos é amor?
É o tipo de coisa que dá no coração de repente
é fulminante, é sufocante, mata, dói.
Não, enfarte não dói no coração.
Amor dói.
domingo, 11 de novembro de 2007
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4 comentários:
"O universo é, pra mim, uma restrição à liberdade."
Muito bom.
Vi seus comentários em meu blog e nada mais justo do que passar a frequentar o seu, afinal, como qualquer arte, a literatura precisa do público.
Abraço.
Hum...Um a mais...Um crédito...Não se esqueça que, qualquer coisa, continuarei abatendo.
=*
Qual o nome desse poema?Todt?rs
Liberte-se e abrace essa angustia.It makes you bigger,better.Pqp.Gostei demais desse da�.Palavras mastigadas.
Ahhhhhh...IMPORTA SIM A GERA�AO!rs
Sabe que os manipansos um dia se irao e vc ficara.Nao desperdi�e essa impossivel chance...Han?
Aproveite essa dor.Ta bom demais.Poeta menor nao. =D
VIAJEI...
=D
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