segunda-feira, 17 de março de 2008

O Impronunciável

De repente numa tarde escura
sinto a inspiração vir
forte
e dura
e impura
e perjura

uma lembrança fútil
que verteu água
lúbrica e pálida
sobre mim
sinto vontade de rir
fremir num ouvido
dormir sem sentido
invadir
fugir
ir

só com ela

e um olhar um tocar um beijar
o ir e o não voltar
o grito sussurrado
o arado de seus dedos em minhas costas
a pá de sua boca em minhas pernas
o oásis do meu rosto no oásis de suas coxas
o ínterim eterno entre o relaxamento e o espasmo
o dedilhado de meus dedos nas cordas do seu violão
farei um samba?
a língua se perdendo
por entre nossas línguas se perdendo
por entre nossos pêlos farfalhando
por entre nossos dedos
a pomba pousando no galho
o mar agitando o barco antes do naufrágio
o grito que quis sair e não conseguiu
a chave que dentre mil abriu a fechadura
abriu a fechadura
e o poeta pôde sair para escrever
depois de ter regado a flor.

3 comentários:

Anônimo disse...

I see...=)
Quem não sabe quem sou?Quem?

Anônimo disse...

Nice...Leia E.E. Cummings...Os eroticos dele...Se ja nao leu!

v disse...

Esse eu não consigo comentar.

v