terça-feira, 25 de março de 2008

Poema Infinito

E também, na luz difusa do fim da tarde
eu me lembrei de você.
Sozinho.
Sob o azul.
Lembrei do que passamos
Lembrei dos inícios, lembrei dos finais
Lembrei do amor preso ao papel e à poesia:
Lembrei de nós.

Seria egoísta dizer que fui o grande íntimo da noite:
Você foi a grande íntima da noite junto comigo
Ninguém conhece a noite como nós conhecemos
Nós somos filhos da noite
E nós somos irmãos dela.

Olhe bem nos meus olhos
Olhe e tente ver o que há dentro de mim.
Sua distância me corrói e me alimenta por dentro.
Sou um grande ciclo vicioso.

Quero
Quero muito
Quero agora
E quero sempre.
Que venha, faça, viva, sonhe,
Grite
Cale
Chore
Mas que venha
E que se deixe estar ao meu lado.
Me deixarei estar ao seu lado também.

E que muitos azuis do fim do solstício do inverno
Presenciem a nossa longa jornada
Rumo, talvez, ao nada.

Ao nada infinito de nós dois.

Um comentário:

v disse...

Círculos concêntricos e viciosos.

(já diria Millor)

*esse eu queria ouvir recitado


v