No dia seguinte, tudo mudou.
A maré, que era de sizígia
parou de encher, e não secou.
A lua, que se punha no oeste
se escondeu, e o sol, que vinha lento
apareceu pacato no horizonte.
Foi aí que tudo parou.
As tempestades e seus raios
se calaram, os maremotos
se acalmaram, os furacões
viraram brisa e o sono dos homens,
que era agitado e frágil,
caiu pesado sobre as pálpebras cansadas.
As prostitutas na esquina
viraram virgens,
e os ladrões encapuzados,
de palhaços,
alegraram a madrugada
e acordaram com apitos
todos os jovens daquele país.
O governo caiu em si
e promulgou sorrisos no diário oficial.
Os colibris, nas árvores,
cantaram o hino nacional.
No dia seguinte tudo mudou.
A lua deixou só um rastro de memória,
e os olhos dos homens se voltaram para a manhã
que o sol inundava de um amarelo encorajador.
sábado, 4 de outubro de 2008
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Um comentário:
Patria Amada, Idolatrada...SALVE SALVE,patriazinha...Utopia.
LINDO
fantastico
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