quinta-feira, 2 de abril de 2009

Animus agendi

Não há nada mais sufocante que o tédio
de não saber onde se está, para onde se vai
ou de onde se veio, então vou-me embora
para algum lugar longe de agora, onde então
eu possa tocar e beijar e chorar livremente.
A desventura das rochas, a criatura das celas,
a loucura dos desertos, e seu fascínio
quero-os fora do meu domínio, domínio de ser
e sobretudo de agir, polissemicamente.

As verdades, no entanto, tentam burlar
minhas vontades, e minhas vontades
querem concretamente me destruir no limbo.
Não sei quem sou ou quem quero ser, mas quero
apenas querer, mas querer não é agir, e agir
é ato, mas querer é fato, e fato é verdade,
não vontade, vontade é agir e agir é o que quero.
Sou ferido frequentemente por um sem-fim
de raios de sol, de noites súbitas, de casais terceiros
e beijos certeiros e o fim de janeiro e fevereiro
e março, também: tende piedade, mês-mais-cruel.

Se Circe me levasse navegador em seus olhos egeus,
já nada pediria: só seria. No leito seu, bem poesia.

Quero ir, mas já não sei se posso.

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