domingo, 20 de setembro de 2009

Poema de desilusão

Vontade
de gritar
para o mundo
me salvar
estou preso
estou louco
minha cara
anda molhada
minhas mãos
andam tremendo
o pensamento
anda perdido
as vontades,
esquecidas
as verdades
não importam
já não sei
mais ser por ser
estou só
mas tenho pares
num deserto
só de oásis
tenho o pó
querendo a pedra
tenho o sol
querendo a lua
saio à rua
procurando
minha casa
um endereço
me perdi
não sei que rua
ou avenida
não sei se casa,
apartamento,
baixo de ponte,
iate de luxo
não sei mais nada
não estou em casa
por onde ia
raiar o dia
por que caminho
eu fugiria
não tenho rumo
sem rota sigo
sem falar digo
calado vou
sempre comigo
amigo meu
já foi inimigo
dando uma rosa
já fui traído
quando afagava
fui agredido
fui iludido
com meia-verdade
a pouca idade
me expôs ao sim
de madrugada
choro um bocado
sozinho durmo
sem ninguém mais
não há memória
não quero amor
não quero paz
não quero risos
quero o que quero
quero o que traga
quero o que quis
sei que não pude
mas me proíbam
de querer sim
mas me impeçam
de prometer
mas me supliquem
se eu fugir
não gosto do ácido
que a vida prega
quero dormir
sonhar um pouquinho
acordar às nove
tomar um suquinho
não ter o que sonhar
por tudo ter fácil
mas ah se fosse fácil
amigo, se fosse fácil
amigo se essa coisa fosse fácil
eu jamais passaria um minuto
sem ser feliz.

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