Tenho pés e teço passos ora lúcidos,
Ora loucos e poéticos.
Vou-me indo sem saber por quê
E o porquê não me interessa
Estou preso à vida, e é dela que se concebem os versos
Aqueles duros e feios, mas também os vivos e belos
De uma beleza poética que aduba os campos
De onde brotam alguns de nossos sonhos mais singelos e íntimos.
Tenho olhos e vejo coisas feias
Mas também vejo coisas belas.
E há também aquelas que não podem ser bebidas com olhos
Mas que, se existem, são tragadas pela alma
E que, em vão, tentam se esvair em verso.
Tenho ouvidos e ouço ruídos tristes
Mas ouço as mais belas melodias
Que criam doces cicatrizes sob minha pele fadada ao nada.
Tenho muito e não tenho nada.
Não temos nada, não temos o ter.
Tenho o cansaço assassinado no leito que me devora.
Tenho a língua, velha e cansada
Nunca foi preciso falar para dizer.
Tenho o cacho que cai nebuloso sobre a testa.
Tenho a voz que ri, a voz que diz e a voz que cala.
Tenho o cheiro de caju em dezembro.
Tenho o sentar-me torto na cadeira.
Não tenho medo mas também não tenho coragem.
Não tenho nada.
Tenho mãos e domestico versos
Com elas monto alicerces para um futuro que inexiste
Mas também com elas destilo poesia.
Quero auroras e seus poemas
Quero a lua copulando com o mar
Quero matar os adeuses.
Tenho um papel e um lápis.
Tenho um poema sobre a vida.
Tenho um poema sobre nada.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
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