A necessidade de escrevê-la venceu o cansaço e a vontade inadiável de mergulhar no mundo distorcido dos sonhos e me trouxe até aqui. Não sei o que dizer, nunca sei o que dizer quando alguém chora e eu me vejo ali, inútil, inábil na tarefa instintiva de trazer de volta açúcar onde se fez café, de trazer olhar onde se fez remorso, mera ternura onde se fez angústia. Não importa o que passou porque o mundo é presente e somos muito jovens ainda. Temos, mesmo assim, o coração surrado de dois apaixonados incompreendidos. Não apaixonados pela concepção de estar apaixonados no momento um pelo outro como se o céu fosse mais azul e as borboletas cantassem uma canção em tons maiores, menores, ou jobins. Não apaixonados pelo calafrio, pela vontade impossível, pelo beijo inconcluso graças ao despertador insensível. Não estamos apaixonados: o fato, a convicção. Somos dois apaixonados pelo sempre e pelo muito e amiúde, e somos apaixonados pelo nunca e temos como único inimigo mesmo o tempo sem coração. E talvez por isso, talvez apesar disso, talvez por nada eu tenha vontade de conhecer tanto beijo roubado, tanto canto falhado, tanto verso a quatro mãos que no fim resulta de péssimo gosto, e talvez por tudo isso me venha assim tão subitamente a vontade de escrevê-la tão real e palpável. Se ao menos uma noite das que tive pudesse virar real por cinco minutos. Se ao menos um dos meus poemas enfadonhos criasse vida e criasse asas e fosse parar no lugar certo na hora exata e tolhesse de você a lágrima para dar-lhe sorriso, nem precisava ser dos que mostram os dentes. Mas minha presença é talvez tão útil como a de um corrimão de escada. Talvez mesmo eu seja um baita de um corrimão. Não se iluda. Para cada talvez sim do mundo existe também um talvez não. Não dá pra perceber em uma carta, mas nesse exato momento eu parei para suspirar fundo; meus suspiros são combustível para a alma? Depois de tanto buscar, acho que não encontrei o significado de amor, palavra tão dispensável. Não quero, na verdade, saber o certo do amor, amor não é certo, nem errado, porque o amor é verdadeiro, e quanto à verdade, ela não é certa nem é errada. Será que eu me arrependeria de dizê-la mais uma vez que a amo? Provavelmente não. Muito provavelmente não. Não. Talvez não. Talvez sim. Talvez eu preferisse deixar de lado a palavra e mostrar-lhe o meu conceito de amor. Meu conceito balanceadamente altruísta de amor, altruísta pra fora, com um saudável egoísmo trancado do lado de dentro. Amor é momento porque amor é eterno, e a eternidade é uma sucessão de momentos em velocidades assustadoras. Por mais que eu fale, mais tenho a falar. Amor é fogo que arde, se vê, se sente o cheiro, o gosto, que queima, e dói pra caramba. Ter um filho, dizem, também dói. Se não doesse não teria tanto valor no mercado. Esse é o grande problema da atualidade. Eu amo você demais, e sou piegas, sim, e falo isso tudo, sim, e sou poeta, sim, não importa se menor, maior, médio, P, M ou G. Na verdade eu queria ser um poeta bem pequenininho, pra caber no seu dedinho como aliança do amor simples e sem necessidade de correspondência. Sou um grande sofredor porque essa é minha sina de exilado do mundo dos apaixonados pouco complicados. Siga seu rumo e faça o que quiser. Estarei aqui com a liberdade de ser beijado em segredo por um ser que nada carrega de lindo ou encantador, porque exala tudo e deixa tudo quando passa. Sua beleza simples e perfumada é minha. Eu sou o dono da noite, das estrelas e da lua. Sou o mestre de Florbela, de Vinicius, pois eu que sinto e eu que minto e eu que choro em segredo para que o sal saia no pranto e sobre mais espaço pra sua doçura em mim. Sei que corro perigo por ser louco ou por amar. Corro sério perigo. Mas o mundo te quer sorrindo. E eu te quero sorrindo junto de mim. Quando for conveniente, amor, ou quando se fizer necessário. Não posso mentir ao dizer (sim, clichê)
Amo você.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
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6 comentários:
uhu! Qaundo eu crescer quero escrever que nem vc... kkkkk
Muito massa o texto cara! Parabens...
amores, prantos e alentos
choremos o triste momento
de sermos nós
Ela lá e eu cá....
flwww
É... O amor é um caso sério, fruto de discórdia de muitos, de felicidade de poucos... Amar e em troca amado ser é bem dificil de existir... O que seria de nós se amassemos e não sofressemos uma única vez que fosse? Não daríamos o valor devido a esse sentimento.
Te Amo Migooo e eu toh aki pra tudo tah?
s2
=***
XoXo
porrapeáputaquepariu!
essa Carta, com certeza, vai pro Dos dois lados da palavra.
assim,pra mim,o sorriso mais lindo é o que não mostra os dentes.
é meu sorriso,sei lá.
é meu.
Na verdade, essa carta não adiantou muita coisa...
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