Acordem-nos os grilos
Só se ouve o rumor do silêncio que nos abafa
Quero armar-me da palavra crua
E da poesia.
Acorde-nos o breu do século
E ressoe a palavra explodindo o canhão.
Deus, velhos mundos se despedaçaram
Homens, velhos sonhos se despetalaram.
Quero que ecoe o grito de minha caneta
Nas bocas daqueles que ainda falam,
Pois no grito de minha caneta sua fala ecoa.
Leve, vento, o manifesto
E, por favor, encha as caixas vazias.
Choremos ante essa raça de poucas verdades.
Quero que o porvir se faça,
Não quero que seja feito;
Nasça, seja ligação etérea,
Seja construção concreta,
Seja democracia,
Mas que pense e exista.
Sobretudo pense.
Sobretudo exista.
Brote uma folha na calçada da rua,
Isso basta para que a cidade floresça.
Brilhe uma estrela no escuro da noite,
E que ela mate a tarde nublada em sépia.
Quero cor.
Quero sentimento.
Estou fato do silêncio imbecil.
Abra a gaiola, fuja a palavra,
Seja exercida a liberdade sagrada.
Que as mãos teçam mais do que o rude trabalho.
Que o sexo possua olhar,
E que seja sereno.
Quero que os olhares falem.
Falem as coisas,
Falem as idéias,
Estou farto do silêncio imbecil.
Quero as vozes que gritam, umas sobre outras,
Em minha cabeça.
Um segredo que lhe conto:
Sua cabeça é um mundo
E navegue em pensamento.
Morreram as canetas
Morreram as gargantas.
As línguas já tiveram tempo demais para descansar.
Que em todos os portos desembarquem caixas cheias.
Quero que pense, quero que exista,
Quero que fale.
Lua, brilhe linda no céu.
Meu sonho está se despetalando
Entretanto, até a última pétala,
Nunca deixará de ser meu sonho.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
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