quinta-feira, 19 de abril de 2007

À Pequena (I)

Pequena, não te vistas com as roupas de couraça
Que tanto conheço, veste-te com túnicas de anjo
E vem embalar meu sono com o canto fresco de tua beleza
Que ouço de longe...
Abre teu par de asas e voa, vem a mim;
Mas não chegues muito perto, antes transforma-te
Em vilã, antagonista do espetáculo de tuas luzes
Que piscam no ritmo de meus olhos
E do bater dos corações dos homens que te assistem passar
Espectadores e expectadores do sonho que é meu.
Deixa cair tuas penas, todas elas, não te escondas,
Colhe minha semente com toda sua sacra beleza profana;
Esquece o que é a paz
Não tenho calma, quero-te
Despida de tuas roupas de couraça,
Vem me chamar num sussurro.
Sem suas asas, somos tão parecidos
Tu me despiste de todas as opiniões inúteis
E agora, sou pleno.
Com teu corpo que dança qual em festa
Arranca de mim o suor pouco a pouco
Até a gota derradeira
Deixa-me invadi-la enquanto tu me invades o coração.
Recompensemo-nos com um beijo final.
Após o fim do espetáculo tu te vestirás de tuas asas
Te esconderás como se tivesses pudor;
Porém deixarás flutuante o olhar mais despido
Da vilã que não se fora por completo em ti.
Vai-te, voando, embora, e me deixas a acompanhá-la na mente,
No pensamento sonolento que logo se esvai em sonho.
Amo-te, meu sacro anjo profano, minha menina.
Pequena, não te vistas nunca com as roupas de couraça que tanto conheço.

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