Foi-se o traje, foi-se a ceia, foi-se a dança
Nada sobrou da lascívia e da euforia
Copos no chão, pés descalços
Deixemos o novo sol acordar-nos do sonho
Acabou-se o espetáculo que encenávamos,
As palmas foram breves.
Apaguem as luzes,
Voltemos à banalidade cruel
Caia a máscara, o falso você
Em que se empenhou para ostentar.
Vão embora sob o olhar do novo sol cauteloso
Voltem, por favor, a viver.
Dancem o balé banal
Comam do pão banal
Celebrem quando foi preciso ou conveniente
Lutem banais lutas para serem felizes.
Que é o efêmero desta noite?
Desta noite, que é tão igual às outras noites
Mas que se vestiu, se maquilou
Para contar meias-verdades pelas ruas e avenidas
E pelos passeios públicos
E pelas orlas marítimas
E pelas casas de campo
E pelas festas e banquetes por onde há luzes de néon
E pelo amor dos que preferem a privacidade
E pelo sono dos viciados em banalidade
Noite de sete pulos nas ondas
Noite de sete caroços de romã
O branco é a paz, amarelo, riqueza
Verde, esperança, vermelho, amor,
Mas cores são apenas cores!
Que dancem as filas pelas boates de arco-íris
De cores-sentimento, cores-aspiração que explodem de embriaguez
Gente rindo sua esperança,
Gritando sua euforia,
Filoctetes acertando o olho do Páris da banalidade.
Junto-me ao turbilhão de loucos bailarinos
E juntos escrevemos uma mensagem ao banal
Não somos banais
Nossa festa não é banal
A travessia é uma meia-verdade verdadeira.
Meias-verdades são apenas ilusão.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
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