segunda-feira, 23 de abril de 2007

Foi um rápido sonho. Mas, como todo sonho, possuiu dentro de si um elemento que o torna inesquecível, e lindamente absurdo. Não seria sonho se não tivesse a efemeridade das causas perdidas ou a beleza surreal e imaginária das criaturas e dos lugares fantásticos.

Sim, foi rápido, mas na imensidade de sua rapidez gravou a mensagem que há muito jurara com palavras mudas. Consumou-se na consumação de suas ambições supérfluas, pois não há nada mais fundamental que o supérfluo — nem nada mais supérfluo que o fundamental . O mundo é absurdo e belo, é verdade.

Durante sua rapidez assisti à derrota em uma luta que parecia vencida, e ainda assim não senti pena. Vi a decepção por causa de expectativas que foram alimentadas em vão — mas vi também a glória nos lugares mais inesperados. Voei por infinitas vezes como um anjo fora de sua realidade, e outras tantas desci para manter minha realidade acesa. Consegui. Me arrependi. Deveria ter ficado naquele estado de anjo. Sonhos acabam.

Fiz umas tantas confissões a minha alma, e outras tantas escutei dela. Velhos conceitos desmoronaram-se ante meus olhos sonolentos e outros foram construídos com braços invisíveis. Não faz sentido aos ouvidos das pessoas, mas é compreensível a um nível um tanto mais interior. Sonhos não fazem sentido a olhos despertos.

Senti novos cheiros e experimentei novos sabores, conheci novos rostos e decorei seus nomes como quem come uma comida de sabor enfadonho. Quis e fiz. Desisti e arrependi. Sonhei. E acordei. Conheci e aprendi um pouco mais da vastidão do mundo. O mundo é grandioso como a noite.

Meus dedos despertos escrevem quando todos dormem. Não sei se ainda sonham ou acordam do sonho consumado. Eu acordei, e não estou certo se estou triste ou muito feliz.



Eu acordei do sonho consumado, e deixei para trás um conto artificial e mágico. O mundo é o maior sonho de todos, tenha certeza. Eu nunca acordarei do sonho consumado.

Um comentário:

v disse...

Devagar.
Dê-me tempo para saborear. E ansiedade para esperar por mais um.
!!!
De repente um grama vale mais que um quilo.