domingo, 22 de abril de 2007

Ausência

Confesso que fui fraco quando pude ter a força de um galante cavaleiro
E o céu fechou sua boca num segredo etéreo por saber que eu nada poderia te dar.
O eufemismo de tua presença me traz para cada vez mais perto de tua pele lisa
Mas o abismo que te isola do mundo não pode ser transposto pelos passos curtos dos homens
O universo me leva a teus braços e as circunstâncias te seqüestram
Com tua conivência, inocente ou incauta.
Mas eis que, calado, deixo-te ir por saber que não posso raptar-te em asas de serafins
Ou dar-te o amor mundano dos namorados que admiram beta e gama do cão maior.
Tenho a doçura ou a fraqueza de preferir que eu possa deitar minhas palavras em teus ouvidos
Sem tocar-te, a seguir só na estrada erma à procura de um olhar seu que seja profundo,
De uma palavra que saia do interior que eu não posso ver
De uma carícia que eu possa sentir.
Permanecerei calado para não acordar-te de teu sonho hermético
Pois já não importa, tu és minha porque eu te criei, amor, eu te inventei
Eu te possuo porque eu possuo o caos e a ordem, e ordeno
Que, por favor, deixes-me observá-la
Ainda que durmas e sonhes com olhares mais fortes que o meu.
Não quero o orvalho de teu olhar, que um dia irá se encontrar com a atmosfera
Que desvia a luz da estrela fria,
Quero ter o direito de ver-te sem que sumas
De pelo menos sentir-te sem que percebas...
Tenho a fraqueza de preferir o amor de seu desprezo involuntário
A calmaria de teus sorrisos inocentes
Ao vento que leve para longe o aroma de teus gestos.
Amor, sou fraco... confesso para mim mesmo
Que prefiro ver a luz bela e discreta de uma estrela que dance para mim
A acabar com seu amor mundano que observa estrelas
E correr o sério risco de acabar no meio de uma tempestade que caia de teu olhar
E esconda a estrela que eu invente para observar enamorado e sozinho, de longe...

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