A lua é linda, mas está tão longe
Eu quero ser envolvido pelo fervor que guardas oculto em ti
Em ti não creio
Creio em tua beleza, creio em tua penumbra
Deixa-me esconder pelos lugares mais escuros de tua existência.
Quero afogar-me no rio em tua lúbrica penumbra
Quero arder e sentir as borbulhas de sua água que me queima.
Vá-te embora, rei das estrelas, teu trono foi roubado, e sou amante da rainha.
Esconderei minha embriaguez absurda sob sua sombra.
Juntos escreveremos um manifesto contra a luz.
A noite é linda, a noite é grandiosa
A noite é vasta.
Beijarei a boca de suas mil faces obscuras.
A noite é quieta, a noite é silenciosa, a noite é muda
Não acordará a lua que dorme o sonho de Álvares,
Não me amedrontará como a lua do sonho de Azevedo.
Noite de minhas vilanias, despe-te!
As nuvens se foram
A lua está dormindo.
De todas as tuas estrelas, quero aquela mais brilhante e mais escura,
Pois ela traga a fumaça de meu olhar.
Do meu pesar ignora a cela.
Não me contento com tuas aparições em sonho
Depois da música e depois do vinho,
Dançaremos um poema a duas mãos,
Dançaremos um poema a duas bocas,
Dançaremos um poema a dois corpos.
Não quero o falso amor dos relógios,
O tardar não existe.
Tardemos.
Confunde-me com tua sombra, noite,
É o que quero.
Não quero o falso amor dos relógios,
O tardar não existe.
Quero que tardemos
Agora.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
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2 comentários:
Linda.
Sou eu, vitória.
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